Quando uma sopa quente faz repensar a sua corrida

Com temperaturas abaixo dos zero graus, é normal que uma boa sopa quente faça milagres, mas também aumente o desejo de não prosseguir uma prova. Foi o que aconteceu com André Cabrita na Zimowy Ultramaraton Karkonoski…

 

Reparámos, na partida, que havia atletas com os crampons de corrida já colocados, outros com polainas, outros sem nenhum equipamento específico. Nós tínhamos optado por levar os crampons nas mochilas e eu por levar umas polainas calçadas para proteger da neve, que teimava por entrar nas sapatilhas.

Condições meteorológicas impróprias para correr
Condições meteorológicas impróprias para correr

 

A prova arrancou num caminho por entre a floresta, com as árvores carregadas de neve, dando uma beleza especial ao percurso. Passados alguns quilómetros, o caminho estreitou para um single track por entre as árvores, numa zona do percurso bastante abrigada e protegida do vento. Tivemos assim o primeiro contacto com a sensação de correr na neve e o Ricardo acabou por escorregar algumas vezes e a aleijar-se. No entanto, foi valente para superar as mazelas e continuar.

Progressão na Zimowy Ultramaraton Karkonoski foi complicada

Depois de uns quilómetros por entre as árvores, entrámos numa zona mais exposta aos elementos, onde enfrentámos um nevão com ventos muitos fortes e nevoeiro. A progressão fazia-se porque havia uns postes altos com fitas amarelas que marcavam o caminho. Nos sítios do percurso em que poderia haver dúvidas, sempre a presença de um elemento da organização a indicar o caminho. A progressão, nestas zonas, tinha que fazer-se com muito cuidado para não escorregarmos, particularmente nas zonas em que tínhamos que atravessar gelo.

Fitas amarelas foram essenciais para os corredores prosseguirem na prova
Fitas amarelas foram essenciais para os corredores prosseguirem na prova

 

Ao quilómetro 30 tivemos o terceiro abastecimento no refúgio Dom Śląski, onde descansámos e tivemos direito a sopa quente. Soube tão bem!… Nunca me tinha custado tanto sair de um abastecimento e regressar à prova. À saída esperava-nos uma subida íngreme e gelada até ao Sněžka, o ponto mais alto da prova, onde há um observatório meteorológico polaco e um posto de correios checo. No entanto, o nevoeiro, o vento e a neve só nos permitiram ver parte dos edifícios e descer o mais rápido possível.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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