Um banho de piscina antes do banho da vitória no Ultra Trail de São Mamede

O forte calor marcou este ano o Ultra Trail de São Mamede (103,5 km, D+ 3560). A certo momento, um simples banho numa piscina, o que acabou por acontecer, foi o que motivou Fátima Negri a continuar, mas também o funk, o “passito a passito, suave, suavizito” e gloriosa volta de 400m ao estádio, antes da chegada.

 

Chego e mais uma vez sou recebida com palmas e festejos. Sigo, mais 7,1km com 350 D+. Começam as subidas em calçada romana. Vinha distraída, deixo de ver fitas e corro para trás. Encontro o segundo classificado dos 50km, um espanhol, que me diz que estou no caminho certo. Conversamos um pouco, digo-lhe que o Semedo já lá vai muito à frente e ele diz-me que não vê uma rapariga há imenso tempo. Ele vai à vida dele e eu sigo, sempre em calçada romana até Carreiras, aos 85,2km. Encontro o Carlos Lourenço, que me diz que não consegue acabar comigo este ano, pois tem imensas dores nos joelhos. Sigo a pensar no banho de piscina que estava à minha espera em Ribeira de Nisa, aos 92,4km.

Desde o início da prova que seguia mais ou menos de perto um espanhol, o Julio Gomez. Vínhamos ao mesmo ritmo a puxarmos um pelo outro até quase aos 90km. Passo pelo Pedro Jesus, animo-o para ver se conseguia se colar a nós. Começo a sentir o cheirinho a cloro, tiro a mochila, descalço as sapatilhas, tiro o dorsal e salto para dentro da piscina para me refrescar.

Calço os ténis de estrada, os pés já vinham demasiado massacrados da calçada romana e só me apetece voltar para a piscina, mas “bora lá correr” que está quase. Os 4,2km até Salão Frio passaram num instante, quando dei por mim já avistava o abastecimento. Chego e está a dar um lindo funk. Só me apetece ficar ali a dançar, mas depois lembro-me que ainda tenho de correr mais 7km até a magnífica volta de 400m ao estádio. É nesta fase que me começa a dar uma quebra e, quando dou por mim, estou a caminhar. Mentalizo o “passito a passito, suave, suavizito” e vou correndo. Quando reparo, estou outra vez a caminhar. Vá de cantar mais um pouco, “corre que isto não é nenhum passeio pedestre”. Encosto para ir à casa de banho. Entretanto, o Carlo apanha-me, digo-lhe que está a dar-me a quebra e ele puxa por mim durante vários kms. Chegamos ao alcatrão e digo-lhe para ir andando que eu hei de chegar um bocado depois. Vou correndo no plano e nas descidas e caminho nas subidas. Entro no single track final e dá-me o boost que precisava para correr até à meta!

Avisto o estádio ao longe e ponho o meu melhor ritmo até ao tartan. Corro uma série de 400m, começo a ouvir o speaker a anunciar o meu nome e a ver a festa toda na arena. A Margarida dá-me os parabéns e sigo até à meta, onde tenho o meu pai e a minha mãe à minha espera! Que felicidade imensa ter conseguido terminar a prova depois de tantos percalços e situações menos boas. Foi super-emocionante e vou guardar o momento sempre com muito carinho. Recebo a medalha de finisher da Ana e só me apetece deitar no chão e descansar depois de 15h07 a correr.

Tudo isto não seria possível sem o apoio das seguintes entidades e pessoas:

– Equipa Gin. Qtª do Valbom – AAAlcochete

– Ginásio Quinta do Valbom

– Clube de Natação e Triatlo de Lisboa

– Associação Académica de Alcochete

– Iswari SuperFoods

– Just Granola Shop

– Tailwind Nutrition Iberica

– Câmara Municipal de Alcochete

– Junta de Freguesia de Alcochete

– Massagens do Ângelo

– Nutricionista Maria Lains

 

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos