Pedro Conde surpreendido com a má organização do Ultra Fiord

A desordem no Ultra Fiord (170km – D+ 8000) continua segundo Pedro Conde, que vê a organização encurtar a prova por “motivos obscuros”. Mas nada apaga as paisagens que viu e viveu…

 

A descida não era diferente… Continuava a areia no meio da pedra solta, com um desnível muito acentuado. Acabei por levar com uma pedra de bom porte solta por outro atleta, que seguia atrás de mim. A partir daí senti um desconforto, principalmente a subir!

A beleza no Ultra Fiord é inesquecível
A beleza no Ultra Fiord é inesquecível

A chegada à 1.ª base de vida já foi durante a noite (só para ficarem com uma ideia, o primeiro atleta a lá chegar demorou 9h00. Eu nunca tinha demorado tanto tempo para fazer 55 km!). Quando pensava que era um local quente e confortável, não passava de uma pequena tenda em que não cabiam todos os atletas e que tínhamos de nos sentar no chão, que era erva!!!

LEIA TAMBÉM
Pedro Conde vive uma experiência bipolar na Ultra Fiord

Desde então a prova entrou em caminhos de terra num constante sobe e desce, nevoeiro, vento e temperaturas na casa dos 0°, condições que complicaram a progressão. Todavia, a qualidade dos postos de abastecimento era o mesmo. No posto dos 70 km, pedi água e a resposta foi que tinha de encher o meu “cantil” no rio ao lado.

Pódio de Pedro Conde no Ultra Fiord foi dado individualmente

Ao chegar à 2.ª base de vida, a 25 km do fim, fomos informados de que a prova terminava ali por motivos de forte queda de neve mais à frente. Pura mentira! O hotel em que estava era nessa zona e nem sequer chovia… Outras explicações foram dadas, mas nenhuma com lógica!

Apesar da má organização, Pedro Conde traz boas recordações da Patagónia
Apesar da má organização, Pedro Conde traz boas recordações da Patagónia

Não tenho palavras para descrever esta organização. Tentei durante vários dias que me arranjassem o track da prova, mas sem sucesso; o briefing foi dado por um atleta brasileiro que já tinha feito a prova em anos anteriores, fez o que pôde, ajudou no que sabia, mas sem grandes informações… Resumindo, foi dos locais mais bonitos onde corri, algumas zonas foram mesmo as mais bonitas, mas com uma organização que não faz jus de maneira nenhuma ao ovo de ouro que tem nas mãos!

Ainda deu para fazer o terceiro lugar do escalão e receber o prémio de Top 10, com uma nona posição da geral. Obviamente que isto é o menos importante, a competitividade era pouca, mas vale pela recordação de mais uma grande experiência! Por último, a organização, para manter o nível da prova, cancelou a cerimónia do pódio e os prémios foram entregues individualmente…

Pedro Conde no Fim do Mundo
Pedro Conde no Fim do Mundo
Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos