Os passos das Tartarugas Solidárias durante dois anos

tartarugas

Se há T-shirt conhecida no Mundo do Running de todo o país é uma: as das Tartarugas Solidárias, grupo de corrida que recentemente comemorou dois anos. Um dos seus fundadores, Pedro Teigas, conta para os CORREDORES ANÓNIMOS um pouco da história destes anfíbios que felizmente teimam em correr entre os mamíferos.

 

Se acompanha o nosso trabalho, pedimos que faça um LIKE na nossa página. Agradecemos a sua atenção

 

Comecei a correr sozinho e só quando alcancei os 10 km em treino resolvi participar num grupo de corrida, organizado pelo Portugal Running. Passei a ser presença habitual, mas os treinos de 10, 12 km não eram acessíveis a quem se iniciava. Muita gente mostrava vontade e dizia que, quando conseguisse, iria participar nos treinos mais longos, mas a grande maioria nunca chegava a aparecer.

Das conversas que tive com o Diogo Castro Pereira, surgiu a ideia de organizar um evento de corrida e caminhada na Companhia de Seguros Fidelidade, onde ambos trabalhamos. Foi apresentada a ideia para um evento solidário destinado a colaboradores, familiares e amigos. Mediante o pagamento de 3 euros, os participantes recebiam uma T-shirt, teriam um treino guiado e um lanche no final. A adesão foi grande, mas o objectivo principal era tornar o treino regular, motivando novos praticantes ou antigos que deixaram de correr por não terem motivação para o fazerem sozinhos.

tartarugas1Foram criados dois percursos, um de 5 km, para os iniciados, e outro de 10 km, para os praticantes regulares, com guias para orientar e acompanhar quem sentisse dificuldades. O local escolhido foi o Jamor e pedimos ajuda aos colegas José Carlos Melo e Alfredo Falcão. Comigo e com o Castro Pereira, éramos quatro guias para dois percursos.
Dos participantes iniciais não foram muitos os que repetiram a experiência. Durante algum tempo, os treinos contaram apenas com sete, oito pessoas. No dia 10 de fevereiro de 2013 decidi levar a T-shirt aos 20 km de Cascais e depressa surgiram questões sobre o seu significado. Em seguida, pediram-me para comprar uma igual. Tinham sobrado T-shirts e decidimos vendê-las pelos três euros e assim angariarmos mais fundos para o Centro Social e Paroquial de Santa Catarina, a instituição escolhida para o evento inicial.

A 17 de março foi criado no Facebook o grupo Tartarugas Solidárias, cujo objetivo era apenas divulgar os treinos. Nunca foi o nosso objetivo vender T-shirts ou criar um grupo de corrida, mas começaram a aparecer novas pessoas no treino e as T-shirts continuavam a ser vendidas a bom ritmo. Depressa esgotaram e começamos a equacionar fazer uma nova encomenda. O “Gente com Ideias”, área de responsabilidade social da Fidelidade que organizara o evento inicial, concordou em patrocinar uma nova impressão de 100 T-shirts.

Aproveitando a oferta dos amigos do Correr Lisboa, que nos ajudaram na parte logística, decidimos fazer o primeiro treino solidário das Tartarugas Solidárias. Foi um sucesso e vendemos quase todas as T-shirts, obrigando a nova encomenda, mais uma vez patrocinada pela Fidelidade.

Em 2014 mudámos o local de treino para Monsanto e os trilhos trouxeram novos membros. Inicialmente com orientação do guia Alberto Nunes, os treinos foram um sucesso e  Monsanto maravilhou todos. Correr em poças de água e lama era uma experiência nova. Começamos a ter visibilidade ao ponto de sermos convidados a aparecer num suplemento de corrida da revista Sábado.

tartarugas2O passo seguinte foram as provas. Outros membros começaram a usar as T-shirts e depressa se tornou comum ouvir «Força Tartaruga» em quase todas as provas. Não costumo publicitar o grupo, quem quiser descobre-nos, nunca pedi a ninguém para usar a T-shirt. Quem o faz é por opção porque se identifica connosco e fazem-no por gosto, não por obrigação. Os novos membros integraram-se perfeitamente. Quem chega depressa percebe o estilo de grupo que somos, a solidariedade e o companheirismo que nos distingue, nos treinos e nas provas. Quem gosta fica, quem não gosta segue caminho à procura do que os faça felizes. Não podemos, nem queremos, agradar a todos.

O momento mais difícil do grupo até agora foi há cerca de um ano, quando o Castro Pereira se afastou da corrida e do grupo, por motivos pessoais. Eu próprio passei uma fase complicada após a Maratona de Sevilha, causado por excesso de treino. Cheguei a equacionar acabar com os treinos de sábado porque a maioria das vezes não me apetecia sair de casa para correr. Persisti, não desisti e, com o tempo, a alegria dos treinos voltou. Foi inestimável a ajuda dos restantes membros, que mesmo sem saber fizeram com que cada treino fosse uma festa.

Os objectivos para o futuro são os de sempre: ajudar novos atletas a superar os seus limites e apoiar os mais desfavorecidos, através da venda das T-shirts ou da organização de eventos solidários, como fizemos no passado dia 21 de Março, aliando a festa de aniversário a uma recolha de bens alimentares a favor da Associação de Actividades Sociais do Bairro 2 de Maio.

Neste momento temos o treino semanal, aos sábados, em Monsanto, dividido em duas partes: uma primeira mais acessível, para iniciados, e outra com trilhos mais técnicos, para os mais experientes. Uma vez por mês fazemos o treino no Jamor, com componente de técnica de corrida, e temos em preparação mais novidades que anunciaremos em breve.

Não esqueçam de acompanhar os eventos do grupo para saber tudo.

Pedro Alves

Pedro Alves