Os passinhos de bebé de Flor Madureira para terminar os 100k Portugal

 

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Flor Madureira participou nos 100k Portugal, na Lousada, no passado dia 2 de abril. A sua participação fica aqui registada em duas partes (a segunda será publicada ainda esta quinta-feira). Conheça a estratégia da atleta que conseguiu alcançar o segundo lugar da prova.

 

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Contrariamente ao habitual, o mês que antecedeu os 100k Portugal foram muito cansativos e não consegui treinar com mais empenho. Comecei um parte-time na loja “Corremos”, estive envolvida na organização de três eventos de trail seguidos (este ano ingressei no circuito “Galicia Maxica”, onde temos cinco competições na Galiza), ajudei os meus amigos Luís Pereira e Asdrubal Freitas nos Trilhos do Paleozoico e, na Sexta-feira Santa, estive inserida na organização do Trail do Lidador By Night, a primeira prova do circuito da Confraria Trotamontes, da qual faço parte…

Mesmo assim, levantei-me sem qualquer ansiedade para os 100k Portugal, já que o objetivo era terminar antes do tempo limite, de 15 horas. Eu, o meu marido Carlos e o “speaker” de serviço Hugo, a quem demos boleia, chegamos a Lousada dentro da hora prevista. Como é habitual, o material foi todo preparado na véspera: saco com abastecimentos, cremes, equipamento… Ou seja, tudo o que poderia precisar para a corrida, mas também uma data de coisas que sabia que não as utilizaria (mais vale prevenir…)!

A manhã estava muito fria. Levantei o kit e fui trocar os cumprimentos da praxe, já que conhecia a maior parte dos que iriam entrar na aventura, além de todos os que estavam envolvidos na organização. A verdade é que sou mais conhecida que o “tremoço” (risos)…

Partimos com um atraso de 30 minutos, nada de preocupante para quem tinha de correr tantas horas. Uns partiram que nem “foguetes”, outros mais tranquilos, como eu. As instruções do meu treinador eram claras: correr, correr, correr e não fazer paragens longas, com uma média de 5m45/6m00 por km.

E assim “obedeci”. Emparceirei-me ao meu amigo e companheiro de treino Paulo Rodrigues, juntando-se a nós depois o já nosso conhecido Mário Meneses.

As quatro primeiras voltas foram muito tranquilas, a tentar encontrar o ritmo. Resolvi depois testar a atleta que ia à minha frente, a Carla André. Ultrapassei-a, dei-lhe alguma distância e… voltei ao ritmo.

A partir daqui mantive sempre uma cadência constante. Após umas voltas, o Paulo resolveu fazer uma paragem técnica fisiológica. Não parei, mas, passado pouco tempo, já estávamos novamente juntos. Entretanto, a minha querida amiga Alice Lopes desistiu devido a uma lesão e passei para o segundo lugar, já com uma volta de avanço sobre a terceira.

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O Paulo resolveu fazer uma nova paragem, desta vez mais longa, assim como o Mário. Resolvi continuar e, a partir daqui, fui sempre sozinha, embora “protegida” constantemente pelo meu marido, que nunca negou o apoio necessário, oferecendo-me, por exemplo, bebida sempre que eu solicitava (ao longo da corrida, só se ausentou para um almoço de família, já que o pai fez 81 anos).

Procurei correr a um ritmo constante e utilizando a tática do grande Dean Karnases, «Passinhos de Bebé», uma tática que já tinha funcionado nas 24h00 (leia aqui). Esta estratégia consiste em criar pontos de recuperação, algo que, mentalmente, funcionam muito bem.

O percurso da prova tinha uma ligeira subida antes de entrar na pista e outra mais pronunciada à saída. Na primeira, corria até um contentor que estava a meio e fazia os outros 100m a passo rápido; na segunda, fazia o início a passo até ao único arbusto existente, voltava a correr até à curva e, novamente a passo, até ao fim da terra, iniciando depois a corrida.

Parece algo de doidos, mas a verdade é que esta estratégia obriga a estarmos concentrados em pontos específicos e assim cada volta acaba por passar mais facilmente.

Pedro Alves

Pedro Alves