O que levo de nutrição para a Maratona das Areias?

Um dos grandes problemas para os corredores numa prova de longa distância é a nutrição, o que consumir durante a prova. Numa corrida como a Maratona das Areias, esse problema é ainda mais complicado. Tiago Leal, que admite ser um “comilão”, revela agora o que vai comer ao longo dos dias da prova.  

 

Faltam 15 dias para a grande aventura que será a Marathon the Sables 2019. Vou falar esta semana da parte em que menos me sinto a vontade e que sou metódico. Para já, apresento-me como um dos típicos portugueses que gosta de comer e sei com antecedência que vou passar fome, algo que me vai custar um bocado…

Pedi as folhas de Excell a alguns colegas para comprar e vi algumas horas de vídeos de comida para levar na MDS. A partir daí elaborei o meu plano e a minha também célebre folha de Excel, com as gramas e kcal para cada dia. Segundo o regulamento, tenho de apresentar nas “inspeções” um mínimo de 14000 kcal total, ou seja, um mínimo de 2000 kcal/dia. Como sou um “comilão”, levo mais do que o mínimo.

Pequeno-almoço: 7 colheres de Cerelac mais a embalagem de granola colocados em sacos de vácuo (550 kcal, todas as manhãs)
Pequeno-almoço: 7 colheres de Cerelac mais a embalagem de granola colocados em sacos de vácuo (550 kcal, todas as manhãs)

Começamos pelo pequeno-almoço: decidi colocar sete colheres de Cerelac, juntamente com uma de granola que se vende aqui que já vem com leite em pó misturado. Basta acrescentar água fria e fico com o pequeno-almoço resolvido. Será o mesmo entre 7 e 13 de abril.

O pequeno-almoço: clif bar, tailwind, que é o pó branco, sacos escuros (carne seca), nozes, tâmaras e amêndoas e recuperador (saco da Tailwind)
O pequeno-almoço: clif bar, tailwind, que é o pó branco, sacos escuros (carne seca), nozes, tâmaras e amêndoas e recuperador (saco da Tailwind)

Passo agora a explicar como resolvi levar esses pequenos-almoços como muitos dos outros alimentos que vou ingerir durante a prova: tenho um amigo italiano que é chefe de cozinha num hotel aqui em Al Ain. Pedi-lhe então se ele me podia ajudar a colocar os diversos alimentos nos sacos plásticos próprios e colocámos os produtos em vácuo, que reduz o tamanho das embalagens e também o peso, já que não é necessário levar os produtos nos “pacotes originais”.

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Com o pequeno-almoço resolvido, passamos ao “race fuel“, o que resolvi ingerir durante as etapas. Tudo passa basicamente por Tailwind, que penso que me vai ajudar, juntamente com as barras de cereais da Clif, a ter energia para aguentar as etapas. Fiz sacos para cada dia, portanto, as quantidades mudam das primeiras etapas (entre 30 e 40 km diários) para a quarta e quinta etapas, que são distâncias bem maiores. Também levarei uns géis, embora não em muita quantidade, pois penso que, com o calor, o meu estômago não deve aceitar bem os géis.

Depois das etapas feitas é preciso recuperar e, mal acabe a etapa, preparo um recuperador que também será da Tailwind para beber na minha garrafa de água. Outros alimentos, já em sacos individuais e em vácuo que vou consumir após a etapa, serão os frutos secos, como por exemplo nozes de macadamia, amêndoas salgadas e tâmaras cortadas sem caroço (porque o caroço pesa…).

Expedition Food: retirei o conteúdo do saco original e coloquei num saco em vácuo
Expedition Food: retirei o conteúdo do saco original e coloquei num saco em vácuo

Passemos ao jantar… Antes de dormir, optei por uma comida liofilizada da Expedition Food. Resolvi comprar de 1000 kcal por refeição, mas, na verdade, por causa do peso, resolvi retirar alguma dessa comida no processo de vácuo (a embalagem da comida era grande, mais uma vez resolvi reduzir peso e tamanho). Portanto, algumas noites serão de 700/800 kcal.

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Em relação ao processo de fazer a comida, penso que não vou levar a canequinha em titânio. Demora mais tempo o processo e provavelmente vou comer comidas frias, mas vou hidratar a minha comida em água aquecida pelo sol. De salientar que levo carne seca com sal, que dizem que é um luxo em termos de sabor. Uma amiga trouxe-me da África do Sul a célebre Biltong e também comprei Beef Jerky, que já empacotei.

 

Tiago Leal, em princípio, não vai levar a caneca em titânio, ingerindo assim a comida fria na garrafa de plástico cortada ao meio, garrafa dada pela organização no fim da etapa
Tiago Leal, em princípio, não vai levar a caneca em titânio, ingerindo assim a comida fria na garrafa de plástico cortada ao meio, garrafa dada pela organização no fim da etapa

O prato em que vou comer será uma garrafa de água vazia, que vou cortar ao meio. Vou acrescentar a água “morna” e esperar que esteja pronta para comer.

De salientar que vou levar comprimidos de sal para tomar a cada hora de “esforço”. A organização providência esses comprimidos, mas penso que vou levar uns que já conheço.

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Depois de cortar alguns luxos na última “contagem”, a minha nutrição deu-me cerca de 19500 kcal e cerca de 4,8kg de peso em comida. Está servida a ementa, que não foi muito estudada mas que tentei equilibrar em hidratos, proteína, sódio, potássio e magnésio e mais alguns nutrientes importantes.

Venha de lá as refeições ao luar…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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