Maratona da Europa, a mais nova prova do calendário de Portugal

Ruben Costa foi um dos estreantes da mais nova prova em Portugal, a Maratona da Europa, realizada em Aveiro no último domingo. Aqui fica a primeira parte da sua experiência neste novo evento, que pretende ser uma alternativa às suas homólogas do Porto e Lisboa, principalmente por ser realizada na Primavera.

A ideia de participar na primeira edição de uma nova Maratona em Portugal foi lançada pelo meu amigo Nuno Rebelo em dezembro de 2018, a caminho da Meia-maratona dos Descobrimentos. Na altura pensei: «Uma Maratona em Portugal para rivalizar com a de Lisboa ou a do Porto? Será mesmo verdade? É de confiança uma maratona em Aveiro? Em Aveiro?». Estas foram algumas questões que ficaram no ar e que me fizeram ponderar inscrever na prova. No início de 2019, lá me decidi e aceitei o desafio de participar na primeira edição da Maratona designada por “da Europa”.

Por fim, e após 3 meses e meio de preparação, faltavam apenas dois dias para o tão aguardado dia. Decidi ir com a família dois dias antes para Aveiro, apenas com uma paragem por Leiria. Chegamos à cidade de Aveiro “vestida” de Maratona, com cartazes e placas a anunciarem a prova. Pernoitei mesmo ao lado da Feira do Corredor e da zona de Partida/Chegada da prova.

Tinha combinado com os dois companheiros de corrida que também iriam fazer a Maratona, o Nuno Rebelo e o Arlindo, almoçarmos juntos para depois levantarmos o dorsal e o kit de participação. Após o almoço, lá fomos todos em direção ao Centro de Congressos de Aveiro, o local escolhido para a Feira do Corredor. Chegado no destino, fiquei logo desapontado pelo facto de ser um espaço muito pequeno, mínimo, não só o espaço em si, mas também a oferta em termos de promotores, patrocinadores e expositores. Não tinha intenção de comprar nada, apenas levantar o dorsal e o kit de participação, mas realmente esperava mais. O resto da tarde foi passada a passear pelo centro da cidade, a ver os barcos nos canais, a comer ovos moles e também a famosa tripa de Aveiro, massa tipo crepe com recheio de ovos moles e canela. Não havia problema, no dia seguinte queimaria todas as calorias…

Domingo, 6h30, toca o despertador. De véspera, deixei a roupa toda separada e desci para tomar um pequeno-almoço ligeiro. Como estava a um minuto a pé da partida, fiz tudo com calma e descontração. Nunca tinha ficado tão perto da partida de uma Maratona, um verdadeiro luxo. Fui para a partida e entrei no respetivo bloco de partida, que seria o bloco B. Nesse local encontrei um amigo das corridas, o Luís Isidoro, que iria fazer os 21 km e com quem falei um pouco. Estava nevoeiro, sem vento e calor, excelentes condições para uma prova. Desejei que ficasse assim durante todo o percurso, embora já esperasse que o calor fosse aparecer. E assim foi…

Eram 8h30 (aliás, já passavam uns minutos…) e lá se deu o arranque da 1ª Maratona da Europa, com início e fim na cidade de Aveiro e passagem pela Gafanha da Nazaré e Ílhavo (Praia da Barra). Como a partida aconteceu em simultâneo com os corredores da Maratona, Meia-maratona, 10 km e Caminhada, e mesmo com blocos de partida, a verdade é que o início da prova foi algo confuso e complicado.

O primeiro quilómetro foi difícil de correr ao ritmo pretendido devido a estar constantemente a fazer mudanças bruscas de direção, subir e descer os passeios, desviar repentinamente, acelerar, travar, etc. A estrada era estreita e demorou até o pelotão esticar um pouco e assim começar a marcar um ritmo mais certo.

Pretendia correr ao ritmo de 4m20/4m30 porque sabia que tinha capacidade de o fazer, a dúvida seria se o conseguia fazer ao longo de todos os 42 km… Não havia muito público e o percurso fazia muitas viragens (com corredores a atalhar ligeiramente as curvas), algumas subidas e descidas acentuadas e por isso estava complicado manter um ritmo igual. Até ao quilómetro 5,6 foi assim. Se no início corremos na zona industrial, nesta fase (quilómetro 7,8) entrámos mais no centro da cidade de Aveiro. Por volta do quilómetro 12 saímos da cidade e seguimos em direção à Gafanha da Nazaré. Nesse momento, os corredores já seguiam mais espaçados, o que ajudava a manter um ritmo igual. Era uma zona sem apoio popular mas, pelo facto de estarem misturados corredores das três distâncias e de o percurso cruzar com os corredores na faixa de rodagem contrária, a motivação era grande e os quilómetros foram passando com alguma rapidez.

Finalmente, no quilómetro 16, “começou” a Maratona, porque daí para a frente só seguiriam os aventureiros dos 42 km. Consegui-me manter facilmente à frente do “pacer” das 3h15, o amigo Ricardo Areias. O percurso tornava-se muito igual, sempre em reta até à Gafanha, sem público. Mas, ao entrar na cidade, começaram a aparecer pequenos grupos de populares a apoiar efusivamente os corredores. Gostei particularmente dessa sensação, foi importante para manter o ritmo. O percurso nessa zona apanhava algumas longas retas, subidas e descidas a viadutos, que começavam a pesar nas pernas, mas felizmente a temperatura continuou fresca.

Aproximámos de Ílhavo e, uma vez mais, muito público a puxar pelos corredores, principalmente nas rotundas. Incrível a forma como puxavam por todos, ajudando a esquecer por breves momentos que já tínhamos passado a Meia-maratona e já estávamos a chegar à marca dos 30 km.

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos