A Maratona do Rio de Janeiro derrotou o homem João Laranjeiro?

Português a viver no Brasil, João Laranjeiro participou pela primeira vez na Maratona do Rio de Janeiro no passado domingo. Foi a sua sétima participação na mítica distância, mas foi a primeira vez que pensou em desistir. «Parei e desabei a chorar, um misto de raiva e frustração», confessa na primeira parte do seu relato…

 

 

Emil Zatopek uma vez falou: «Se quer correr, corre uma milha. Se quer experimentar algo novo na vida, corre uma maratona.

E foi assim que, no passado domingo, experimentei algo novo na vida. A Maratona do Rio de Janeiro foi a minha sétima experiência na distância, a primeira no Brasil, o país que me acolheu há 15 anos.

E, sendo a sétima, deveria estar tranquilo, relaxado, sem preocupações, apenas contando os minutos para a largada. Mas a verdade é que cada Maratona envolve um ciclo longo de preparação, onde nos dedicamos aos treinos, controlamos a alimentação, deitamos e acordamos mais cedo do que o normal, abdicamos de muita coisa para que, naquele dia específico, estejamos preparados a 100%. Todavia, na hora H, a ansiedade toma conta de nós e foi assim que eu fui para a largada da Maratona do Rio de Janeiro, a mais famosa do Brasil.

 

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Naquele momento parece que tudo o que sabemos e treinámos se esvazia da mente e nos sentimos pequenos perante o desafio. Afinal, correr a distância de 42,195 km é algo mítico, algo que ficou na história e que até hoje atravessa o mundo.

Mas vamos à prova

Às 7h30 largámos da Praça do Pontal do Tim Maia, no Recreio dos Bandeirantes, já com o calor do Rio a nos dar as boas vindas. O percurso é todo junto ao mar, o que nos dá uma sensação de tranquilidade nos primeiros quilómetros. Do Recreio dos Bandeirantes atravessamos a Praia da Reserva, até que chegamos à Barra da Tijuca. Atravessamos a Barra da Tijuca e temos o primeiro apoio do público, que timidamente estava nas ruas a assistir.

Passamos pela Praia do Pepê e seguimos em direção ao Elevado do Joá, via que coneta a Barra da Tijuca à zona sul da cidade. Foi aqui, no km 23, e pela primeira vez na minha curta “carreira” de maratonista amador, que pensei em desistir. O calor já se fazia sentir e eu simplesmente estava a perder as forças, diminuindo o ritmo. Parecia que, de um momento para o outro, todas aquelas muitas horas de treino e dedicação tinham desaparecido e eu não estava preparado para a prova. Parei e desabei a chorar, um misto de raiva e frustração. E por lá fiquei uns dois minutos, que pareceram uma eternidade. Mas recuperei forças e falei para mim mesmo que, se eu já estava ali, se tinha enfrentado esse desafio, agora teria que ir até ao fim, mesmo que o meu resultado final não fosse o esperado. Desistir não era mais opção e procurei blindar a minha cabeça para que me levasse até ao final.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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