Maratona do Funchal: faltou pouco para desistir…

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Em termos práticos, falta um mês de treinos para a I Maratona do Funchal, agendada para o dia 22 de fevereiro. Costumo parar por completo dois dias antes de uma prova, ou seja, não correr o habitual “treino da véspera”, que alguns especialistas recomendam para a descompressão dos músculos. No entanto, o desgaste dos treinos começa a se sentir…

Como referido nas crónicas anteriores, os treinos não decorreram como o esperado, principalmente devido a uma lesão e o aparecimento de uma bolha, o que, em termos práticos, representaram menos dias de treino, significativos devido a escassez de tempo.

Mas as contrariedades continuaram, concretamente uma inesperada gripe, que ditou dois dias de cama, mais cinco de recuperação (corro com regularidade desde 2011 e é a primeira vez que tenho gripe. Antes de começar a correr, era normal ter uma constipação por ano…). Ou seja, mais um contratempo que fez com que ponderasse seriamente desistir da prova. No entanto, resolvi dar mais uma oportunidade a mim mesmo e, após a gripe, voltei aos treinos.

Devido aos dias perdidos, fui obrigado a aumentar a carga. Estava a variar entre quatro dias de treino, um dia de descanso; ou cinco dias de treino, um dia de descanso. Devido aos dias perdidos e o perigoso aproximar da prova, houve a necessidade de aumentar a carga para seis dias de treino, um de descanso. Uma agenda que tenho como objetivo manter até a semana da I Maratona do Funchal. Caso ocorra qualquer futura contrariedade, dificilmente irei ao Funchal, já que tenho como objetivo terminar a prova num tempo que considero aceitável, algo que será quase impossível de alcançar caso falhe mais treinos.

Entretanto, comecei a correr em Monsanto. O Parque Florestal de Lisboa apresenta vários trilhos, perfeitos para os amantes de trail, ainda mais devido aos seus desníveis, proporcionando um local ideal para os treinos de intensidade. O objetivo é desanuviar do asfalto, corridas monótonas e repetitivas com o decorrer do tempo, já que fazemos invariavelmente sempre os mesmos percursos… Devido aos variados caminhos existentes, é um local sublime para os amantes da corrida, que podem enquadrar os seus treinos das mais variadas formas. Além de podermos apreciar paisagens naturais singulares (por exemplo, de repente podemos ver esquilos a cruzarem o nosso caminho).

Evidentemente que foi necessário utilizar outro tipo de ténis. A escolha recaiu sobre os novos Salomon X-Scream GTX, um híbrido do running, já que pode ser utilizado tanto no asfalto como nos trails (especificamente “light-trail”). A versão GTX é propícia para ser desfrutada no outono e inverno devido a sua “robustez”. Uma das virtudes deste modelo é a tecnologia Gore-Tex, uma membrana que “defende” os nossos pés da humidade, da água ou da relva molhada. Ao contrário do que é habitual nos ténis de asfalto, a “membrana superior” protege do melhor modo os nossos pés, principalmente os lados laterais, algo que vejo com bons olhos, pois, geralmente, é o primeiro “dano” que tenho nos meus ténis com o decorrer do tempo. Outro dado a assinalar é a sola Contagrip, que permite uma melhor tração, algo essencial no trail, e o amortecimento, mais eficaz do que o esperado. A sua comodidade também surpreende. Em resumo, o principal mérito da série X-Scream é precisamente satisfazer as necessidades dos dois mundos, os corredores de rua e do trail, uma modalidade que ganha cada vez mais adeptos, inclusive em Portugal. É um ténis obrigatório para quem desejar alterar o tipo de trabalho.

Os treinos decorrem portanto entre o asfalto e o “light-trail”. É necessário encontrar sempre motivação quando temos como objetivo uma maratona. Os sucessivos dias tornam-se cansativos (mesmo com lesões e outros infortúnios) e a desmotivação acaba por surgir com naturalidade. Ao treinar entre a “rua” e a “floresta”, procuro acima de tudo evitar a monotonia, o desgaste em termos psicológico, principal fator desmotivador do corredor. Por isso, nadar e andar de bicicleta também entrarão no plano de treinos nos próximos dias. O objetivo é, definitivamente, “enganar” a mente para tornar os treinos mais agradáveis, ainda mais quando a carga já acumula nas pernas e a palavra “desistir” começa a rondar com frequência os nossos pensamentos…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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