Maratona de Lisboa corrida com um «boost mental» dos familiares e amigos

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Ruben Costa preparou a Maratona de Lisboa desde janeiro, embora não soubesse no primeiro mês do ano que já estava a se preparar para a prova. Nesta primeira parte (a segunda será publicada ainda hoje), o corredor do Barreiro revela alguns dos seus segredos para concluir a corrida entre Cascais e o Parque nas Nações, como, por exemplo, o apoio essencial dos pais, da mulher e dos amigos, algo desprezado por muitos atletas.

 

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E finalmente o grande dia chegou, concretamente 18 de outubro de 2015, que vai ficar na minha memória. Se, em janeiro, me perguntassem se iria fazer a maratona, eu diria de imediato: «Não, claro que não!». Mas, na verdade, de janeiro para outubro preparei-me com treinos ao frio, chuva, provas de 10 km e Meias-maratonas, para tudo culminar na manhã do último domingo.

A véspera foi marcada por muita chuva e vento forte, prenúncio de uma maratona igualmente chuvosa e ventosa. Felizmente isso não aconteceu. No entanto, quando o despertador tocou as 6h00, constatei que o mau tempo era uma realidade, mas tal não me iria impedir de sair de casa. A maratona ia mesmo acontecer…

De véspera deixei tudo preparado: calções, T-shirt, meias de compressão, relógio carregado etc. Tudo pronto para que, de manhã, não estivesse em stress. A ideia era sair de casa pelas 6h30 para estar em Cascais às 7h30. Pretendia tomar o pequeno-almoço com calma, mas, estranhamente (ou talvez não), custava a engolir o pão de cereais com marmelada ou mesmo as madalenas. Sentia-me sem fome mas tinha de me forçar a comer. E foi o que fiz!

02Chegado a Cascais procurei fazer alongamentos e pequenas corridas para aquecer os músculos. Sentia-me calmo e confiante, provavelmente porque tinha-me mentalizado que estava preparado para tamanho desafio. Nos dias anteriores andava ansioso, nervoso, tinha dormido mal, mas, naqueles últimos 45 minutos antes da partida, estava relaxado e até algo eufórico. Entretanto, o tempo estava a querer abrir, apesar de pequenas gotas que teimavam em cair do céu… No entanto, ao que tudo indicava, iríamos ter uma maratona sem chuva ou pelo menos não tão forte como no sábado. E com uma temperatura agradável!

Na partida encontrei-me com dois colegas do grupo BRRnightRunners (BRR’s) com os quais corro às quartas-feiras à noite no Barreiro. Iria fazer a maratona com eles. O meu amigo João, o tal que em janeiro me “meteu” na cabeça a ideia da maratona, também estava comigo, mas eu ia com os dois BRR’s. Tinha decidido que seria preferível ir a um ritmo confortável e constante, pois isso iria garantir que os quilómetros iriam passar de forma mais tranquila. Sabia que a um ritmo demasiado rápido ou devagar poderia deixar as suas marcas nas pernas.

Dado o tiro de partida e passado cerca de 5 minutos da passagem pelo pórtico da partida, os dados estavam lançados, só havia um caminho: correr em frente! Aperto o botão start do meu relógio e lá fui para os meus primeiros 42,195 km. Nos primeiros quilómetros, após a saída de Cascais, o Sol deu sinal de sua graça como que a desejar boa sorte a todos os corredores. Estava um vento suave e a temperatura estava excelente.

Seguia tranquilo, com um ritmo na casa dos 5’10’’/15’’ na companhia do Helder e do Raminhos. Íamos relaxados, falávamos e rapidamente dei por mim no km 10, a fazer um tempo e média dentro do previsto. Levava comigo quatro géis e o planeado era não deixar passar os abastecimentos de água, beber mesmo se não tivesse sede. Tinha de me manter hidratado e ser rigoroso nos abastecimentos líquidos e sólidos, pois só assim iria garantir que ultrapassava os quilómetros sem quebras de energia.

Nos dias anteriores andei a “recrutar” o apoio dos meus pais e amigos para que também estivessem comigo na estrada. Seria um “boost” mental, uma motivação extra que me iria certamente ajudar em cada passada, em cada km ultrapassado. E assim foi: logo no terceiro quilómetros estava a minha Claudinha e a minha amiga Elsa. Mais à frente, aos 12 km, os meus pais; aos 22 km, novamente a Claudinha e a Elsa; e os pais uma vez mais aos 25 km.

 

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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