Maratona de Bordéus: um maratonista nos “Jogos Olímpicos de Amadores”

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A Maratona de Bordéus recebeu 18 mil atletas, sete mil na prova principal. O português Nuno Fernandes foi “lançado” para a prova pelo irmão, que correu pela primeira vez a distância rainha do atletismo. À noite e debaixo de muita chuva, Fernandes sentiu estar a correr os Jogos Olímpicos de Amadores. «Pela primeira vez na minha vida senti-me um atleta», refere.

 

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bordeus2A Maratona de Bordéus foi a minha primeira prova rainha no estrangeiro. Antes de mais nada tenho de agradecer ao meu irmão Eusébio por incentivar-me a correr em Bordéus. Ele tratou de tudo: inscrição, voos, etc. Ou seja, só tive de treinar e ir “a patrão”…

Fiz uma preparação que dava confiança para fazer uma boa prova, mas a maratona é sempre uma incógnita. Tinha o objetivo de superar o meu recorde pessoal e, se tivesse em dia “SIM”, tentar baixar das 2h50. No dia 18 de abril de 2015 levantei-me às 9h00, tomei um banho e preparei um forte pequeno-almoço: aveia com mel e um prato de aletria. O meu irmão Rui, às 10h30, veio-me buscar fomos para o aeroporto, mas o voo atrasou 45 minutos e acabei por chegar a Bordéus às 16h00 locais. Faltavam 4h00 para partida…

Eusébio já estava lá e fomos comer alguma coisa e preparar a corrida. Era a estreia dele na distância. Às 18h00 fomos para o centro da cidade, que está lindo (não visitava Bordéus há nove anos). Infelizmente chovia muito e tivemos de procurar abrigo até à hora da partida. Amigos do meu irmão diziam que a prova era dura, pois a ida a Chateau Piqcue Callou e a Chateau Pape Clement eram complicadas. Ambos locais são lindos, ainda mais iluminados. No entanto, passar por lá com chuva envolve andar na lama, com os inevitáveis riscos de quedas. Sem dúvida que foi uma das partes mais dura da prova. De resto, um percurso maravilhoso, com muita gente nas ruas, mesmo muita gente, apesar da chuva. Nunca se cansaram de apoiar os atletas.

Fiquei um pouco triste com o tempo, pois fiz uma boa preparação e as condições meteorológicas não ajudavam, ainda mais com todos a garantirem que a prova era realmente dura. A prova estava prestes a começar. Disse ao meu irmão que o tempo não era o mais importante e que pretendia lutar pela melhor classificação possível, já que chuva era para  todos. Também lhe disse para ter cabeça, que a prova são muitos quilómetros. No entanto, ele “esticou” a corda a partir dos 30 kms e “penou” até ao fim. Mas mesmo assim fez um tempo aceitável, 3h32.

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Comecei a prova! Aquela moldura humana fez-me estar a viver um sonho. Rapidamente procurei encontrar um grupo que “rolasse” a um bom ritmo. Encontrei e encostei… Eram dois irmãos e mais alguns até aos 22 quilómetros, todos juntos a 4min/km, que era excelente. Entretanto, eu e outro atleta aumentámos o ritmo e abandonámos o grupo até aos 35 kms. Nas ruas de Bordéus “rolámos” muito bem, o público fez-nos voar.

Pela primeira vez na minha vida senti-me um atleta. Para mim aquilo eram os Jogos Olímpicos de Amadores. Estava a viver um sonho!

Correr uma maratona envolve muitos sacrifícios, principalmente quando se tem objetivos. Em França senti o apoio que nunca senti em Portugal. Aos 35 kms o meu colega de fuga ficou e fui eu sozinho, sete quilómetros, eu e as ruas, eu e o relógio. Ganhei várias posições, já que muitos “quebraram”. Eu também acabei em grandes dificuldades, o esforço de correr à chuva fez-se sentir no final.

Alcancei 2h50m08, o 18.º da classificação geral, o 11.º no escalão sénior, o terceiro estrangeiro.

Para o ano pretendo voltar e aconselho os maratonistas que gostam de conhecer novos locais a correrem a Maratona de Bordéus. Não se arrependerão! A prova ganhará de certeza o seu espaço e a noite local está na moda, além de ser lindíssima.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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