Os prós e contras da Maratona da Europa

Ruben Costa conclui a sua crónica sobre a Maratona da Europa, uma prova que acabou por ditar o seu melhor tempo pessoal. Ao mesmo tempo, revela os prós e contras desta nova corrida, que tem como objetivo concorrer com as maratonas do Porto e Lisboa, principalmente por se realizar na Primavera.

Mais à frente, e após passagem pelo quilómetro 34, comecei a sentir fadiga e desgaste, principalmente devido ao facto de o céu começar a limpar e o Sol e o calor fazer-se sentir. A motivação começava a diminuir e, com isso, o ritmo a quebrar. Ao longe já se via novamente a cidade de Aveiro, mas, à passagem do quilómetro 36, entrar em Aveiro teve um efeito desmotivador, já que o percurso obrigava a dar uma volta ao redor da universidade local. Confesso que, nesse momento, a cabeça puxou-me para baixo. Segui ao lado de outro corredor que também sofria e juntos fomos até ao abastecimento do quilómetro 40. Aí recuperei alguma força e ânimo e tentei acelerar dentro do possível para os últimos 2 quilómetros finais.

Já dentro do último quilómetro, o amigo Ricardo Areias (“pacer” até aos 21 km para quem pretendia fazer o tempo de 3h15) apareceu ao meu lado e puxou por mim, dando-me energia extra para os últimos metros. Momentos antes da reta da meta vi a “minha” Cláudia e o “meu” pequeno Tiago a gritarem por mim. Com isso consegui “sprintar” e concluir a Maratona abaixo das 3h15. Segundo o meu relógio, 3h14m45, novo recorde pessoal (consegui tirar 5 minutos ao meu anterior tempo, obtido em novembro de 2018 na Maratona do Porto).

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Em resumo: se tivesse corrido num ritmo mais baixo, talvez 5,7 segundos mais lento, talvez conseguisse ter energia por mais tempo e adiar ou evitar a quebra que tive nos últimos 10 quilómetros. Mas pronto, já não havia nada a fazer… Procurei manter o ritmo igual, sem oscilações, mas a determinado momento não fui capaz.

Na preparação para esta Maratona será que precisava ter feito mais treinos longos (2x30km / 2x32km / 1x33km / 1x34km) ou deveria ter feito menos longos e apostar em treinos a ritmos e intensidades diferentes? Talvez sim, talvez não… O que é certo é que melhorei em 5 minutos o anterior tempo e isso é sinal claro de que alguma coisa fiz bem na preparação.

A próxima Maratona? Ainda não sei, mas certamente haverá a seguinte, como haverá também margem para melhorar o tempo final. Quanto a organização da Maratona da Europa, foi impecável, do primeiro ao último dia. Acredito que a prova tem uma grande margem para crescer e se tornar a melhor em Portugal, pelo menos para rivalizar com a Maratona do Porto.

Gostei! A repetir certamente.

As notas a ter em conta da Maratona da Europa

Considerações finais:

Percurso: A zona da partida foi algo estreita para os quase 5000 corredores de todas as distâncias. Muitas viragens apertadas, algumas descidas acentuadas. Nesta fase inicial, quase sem público. Os primeiros quilómetros foram percorridos dentro da cidade de Aveiro, ao longo dos canais. Depois, seguindo a direção de Gafanha e Ílhavo, fizemos longas retas, sem público. A exceção foi dentro das localidades, onde muitas pessoas puxaram pelos corredores. Nesta zona, o problema foi mesmo as subidas e descidas dos viadutos. Depois, no regresso a Aveiro, mais do mesmo, retas sem público. Apenas já dentro dos últimos dois quilómetros o apoio foi mais ou menos constante, principalmente já dentro da reta da meta.

Organização: 5 estrelas. Desde o momento que anunciou a Maratona que a GlobalSports foi incansável a divulgar e a dinamizar a prova, principalmente na rede social Facebook. Estiveram constantemente a divulgar parceiros e informações úteis sobre a prova. Visto já terem experiência na organização das corridas Running Wonders, conseguiram sempre, desde o primeiro dia, pôr em marcha um projeto enorme, envolvendo não só as autarquias de Aveiro e Ílhavo e parceiros privados, mas principalmente as populações locais e os corredores.

Logo da Maratona de Aveiro 2020
Já se trabalha em Aveiro para a edição de 2020 da Maratona de Aveiro

Abastecimento: Foram de 5 em 5 km e não os achei confusos. Mesas com águas e voluntários a dar as garrafas, esponjas com água, laranjas, gel e isotónico. Apenas senti que, a partir de determinada distância, deveriam ser mais próximos entre si, talvez de 2,5 km ou 3 km.

Pontos positivos:

  • Maratona de Primavera
  • A descentralização das Maratonas em Portugal
  • Organização impecável
  • Blocos de partidas
  • Duas camisolas alusivas à prova, uma de participação e outra de “finisher”
  • Bons abastecimentos, o suficiente para qualquer distância
  • Boa divulgação da prova nas redes sociais

Pontos a melhorar:

  • O percurso pode ser melhorado, com menos subidas e curvas apertadas
  • Partidas espaçadas entre as várias distâncias em vez de todas ao mesmo tempo
  • Feira do corredor com mais variedade
  • Kit do corredor, que apresentou uma garrafa de vinho e papéis com publicidade
  • Abastecimentos mais próximos entre si, principalmente após a passagem da Meia-maratona
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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