Os treinos para a Marathon the Sables de Tiago Leal

Na segunda semana das crónicas de Tiago Leal tendo em vista a Marathon des Sables (mais conhecida como MDS, entre 7 e 12 de abril), o português aborda o seu treino para a prova, como pretende ultrapassar os desafios de uma das corridas mais duras do Mundo.

 

A solidão é uma das consequência dos treinos de Tiago Leal no deserto
A solidão é uma das consequência dos treinos de Tiago Leal no deserto

A cerca de 5 semanas para a Marathon the Sables, a preparação decorre ao seu ritmo normal. Quando me inscrevi nesta Ultramaratona “multi stage” sabia, por experiência dos meus amigos que correm aqui, que seria uma preparação musculada, em trabalho por etapas e com trabalho específico.

A minha preparação da MDS foi englobada/encaixada junto com a preparação para a Eiger Ultra Trail 101km, em Julho passado. Todo o trabalho de altimetria (difícil de trabalhar na cidade onde resido…) e ginásio foi executado nos meses quentes de maio e junho nos Emirados Árabes Unidos. Em julho dei um pequeno descanso ao meu corpo e, em agosto, voltei a carga, agora na Serra da Lousã, juntamente com os amigos da minha equipa Montanha Clube Trail Running da Lousã.

Regressei a Al Ain ainda em agosto, onde passei a fazer um trabalho específico de ginásio, natação, muita bicicleta (com voltas acima dos 130 km) e, obviamente, corrida. Sabia que, a partir do mês de novembro, seria fundamental fazer um trabalho específico de algum volume de treino com corridas longas, mas já correndo com mochila e com peso.

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Foi quando, após uma prova de bicicleta de estrada chamada “Coast2Coast”, nos Emirados, surgiu uma lesão lombar que me impediu de treinar em novembro, ter cautelas em dezembro e reapareceu em janeiro, durante duas semanas…

Tiago Leal corre em média 80/90 km por semana

Com ajuda de um fisioterapeuta tenho feito trabalho específico para evitar as dores lombares. Tenho feito ao redor de 80/90 km semanais de corrida, repartidas em treino de estrada durante a semana e, aos fins-de-semana, quando possível, na areia com muitas dunas. Mas também trabalho de corrida em “off road”, essas corridas longas em dias consecutivos chamadas “Back2back”, blocos de corridas longos em curtos espaços de tempo.

Tiago Leal e a excentricidade de correr no deserto
Tiago Leal e a excentricidade de correr no deserto

Por azar, pretendia começar a correr corridas longas ao meio-dia para apanhar a hora de maior calor, mas este está a ser o Inverno mais fresco nos UAE, com temperaturas de 20 graus. A partir de Janeiro comecei a treinar com 3 kg na mochila e, neste momento, já treino com 6,5 kg, já que pretendo começar a correr a MDS com 7,5 kg.

Todo este trabalho de corrida em areia já é executado com o material a usar na prova, como meias, sapatilhas e mochila, entre outras coisas a partilhar num capítulo futuro. Acredito que esta preparação é adequada tendo em vista o meu objetivo. Acredito ter alguma experiência de corrida no deserto, onde já finalizei algumas Ultramaratonas, todas em terreno um pouco parecido com a Marathon the Sables. Acumulo cerca de 6 anos de experiência de corrida de Trail e, juntamente com uma consistência de 24 semanas de trabalho específico, estarei preparado para este tão grande desafio.

De salientar que oriento um projeto de treino de Trail chamado 3peaks Trail & Thriatlon Performance. Na próxima semana, o material a usar na Marathon the Sables.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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