A magia da Maratona de Nova Iorque

João Laranjeiro foi um dos cerca de 45 maratonistas portugueses presentes na recente Maratona de Nova Iorque. Apesar de alcançar o seu pior tempo na distância (4h40, cerca de uma hora a mais que o seu melhor registo, 3h48, em Berlim 2014), o português não esquece ainda hoje a prova, uma experiência que deve ser vivida por todos os maratonistas, defende o representante nacional no Desfile da Parada das Nações da Maratona de Nova Iorque.

 

A tão sonhada meta da Maratona de Nova Iorque
A tão sonhada meta da Maratona de Nova Iorque

A Maratona de Nova Iorque é conhecida como a rainha das Maratonas, a mais desejada pelos milhões de corredores amadores espalhados por todo o mundo e eu não fujo à regra. Desde que, em 2012, decidi passar de provas mais curtas para começar a correr a distância de 42,195 km, Nova Iorque sempre esteve no topo da minha lista. Todos os anos tentava o sorteio, mas nunca tinha sido selecionado. Finalmente este ano tive a sorte de ser escolhido e lá fui eu para a “Big Apple”.

E como valeu a pena a espera…

Que prova fantástica, que ambiente maravilhoso, que organização detalhista e perfeita. Mas o principal é o público, único, participativo, vibrante, especial, que não te deixa sozinho durante todo o percurso (a não ser nas pontes, onde não era autorizado).

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Todas as minhas expetativas foram superadas, com exceção do meu resultado final, mas vou deixar para falar sobre isso no final.

Chegando na feira da prova, nos surpreendemos com a dimensão da mesma, pois é gigantesca, assim como a segurança. Somos recebidos com muitos sorrisos pelos inúmeros voluntários, que trabalham na receção aos corredores. Apesar de ser uma prova com 55000 atletas, a retirada do número de peito e do kit é muito ágil, organizada e sem filas (ao contrário do que já presenciei em outras provas, a última delas em Lisboa).

Os portugueses no Desfile da Parada das Nações da Maratona de Nova Iorque.
Os portugueses no Desfile da Parada das Nações da Maratona de Nova Iorque

Na sexta-feira tive o prazer de ter participado na Cerimónia de Abertura da Maratona, representando Portugal. Foi um desfile simbólico, ao estilo da abertura dos Jogos Olímpicos, onde os 139 países presentes na prova estavam representados e as delegações chamadas em ordem alfabética, com as cores dos seus países, cruzando a linha de chegada da Maratona. No final, todos os países se juntavam, convivendo e assistindo a um espetáculo de fogo-de-artifício. Éramos apenas quatro portugueses, mas representámos os 45 maratonistas nacionais presentes este ano.

João Laranjeiro com Peter Sciaccia
João Laranjeiro com Peter Sciaccia

O momento em que entrámos e fomos anunciados é para nunca mais esquecer: “And now, representing 45 marathoners on Sunday, Portugal”. No momento em que entrámos no desfile, o organizador da Maratona de Nova Iorque, Peter Sciaccia, veio ter comigo e agradeceu a todos por estarmos presentes. Ele fez isso com todas as delegações, uma a uma. Foi mais um momento inesquecível, a guardar na memória. Nas bancadas, viam-se algumas bandeiras portuguesas e podíamos perceber a alegria e o orgulho dessas pessoas por nós estarmos a representar, naquele momento, o nosso país.

Frank Sinatra na largada da Maratona de Nova Iorque

E finalmente chega domingo, o dia da tão desejada e ansiada Maratona. A logística para irmos para a largada é grandiosa, pois são mais de 55000 atletas sendo transportados para Staten Island, onde a corrida começa.  Podíamos ir de autocarro ou ferry boat, disponibilizados pela organização, que nos deixavam no local da concentração e onde tínhamos gratuitamente comida e bebida. A largada é feita por ondas (quatro) e por cores: azul, laranja e verde. Começa às 9h50, terminando já depois das 11h00…

A logística da Maratona de Nova Iorque impressionou João Laranjeiro
A logística da Maratona de Nova Iorque impressionou João Laranjeiro

A ansiedade aumenta e debaixo de uma chuva fraca é dada a largada, ao som de “New York, New York”, de Frank Sinatra. E começou assim a Maratona que levou-me pelos 5 bairros de Nova Iorque, como é o caso de Staten Island, Brooklyn, Queens, Manhattan e Bronx, terminando no célebre Central Park.

Ainda hoje publicamos a segunda parte da crónica de João Laranjeiro

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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