Ironman: a primeira vez ninguém esquece…

Gonçalo Martins escolheu Madrid para fazer a sua estreia no triatlo de distância Ironman (3,8 km de natação, 180 km de cic e 42,195 km de corrida), uma estreia que muitos consideraram uma loucura, já que a prova é considerada uma das mais complicadas do calendário da modalidade devido ao segmento do ciclismo, com subidas aos 1850 metros de altitude, um acumulado próximo de 3000 metros e inclinações médias de 8%. Esta é a sua crónica.

 

Parti para a preparação desta prova sabendo, à partida, que o segmento da bicicleta seria muito duro, com um acumulado fora do vulgar para este tipo de provas. De qualquer forma, nada me demoveu a encarar o Ironman de Madrid com otimismo, a minha estreia na distância principal.

Era correr atrás de um sonho, que se transformou em objetivo. Só assim conseguimos a superação!

Quando fiz a inscrição, alguns chamaram-me de louco por escolher esta prova, devido à sua dificuldade extra, com subidas aos 1850m de altitude e inclinações médias de 8%, dando um acumulado de perto de 3000m. Não faz mal, eu só queria acabar!

Começou o dia

 

E a prova vai começar para Gonçalo Martins
E a prova vai começar para Gonçalo Martins

 

O nervosismo habitual, mas otimista. Sempre! Chegou a vez do meu “Age Group” partir e lá fomos nós. Natação controlada mas a sentir bastante frio na segunda metade do segmento, que dificultou ainda mais o desempenho na água. Saí com um tempo que não me agradou, mas já estava feito!

Transição com calma e demorada, devido aos vários atletas que se juntaram nas tendas e que tremiam de frio ao colocar o equipamento para o ciclismo.

Comecei o ciclismo com noção de que seria muito difícil, com perto de 3000m de acumulado, o que intimida qualquer atleta… Fui subindo sempre a um ritmo controlado. Muito duras as subidas, o calor começava a fazer-se sentir e era muito difícil comer e beber em subida com pulso alto. Ao chegar ao topo da última subida (Navacerrada), conhecida por todos da Volta a Espanha, verifiquei que estava a realizar um bom tempo e então era hora de continuar o desafio com um pouco mais de intensidade. A segunda metade do ciclismo foi feita em ritmo mais desafiante, chegando à transição para a corrida.

 

Gonçalo Martins bem disposto no segmento do ciclismo
Gonçalo Martins bem disposto no segmento do ciclismo

 

Feita a transição, seguiu-se a Maratona, que regra geral faz sempre das suas aos atletas e não perdoa na sua dureza.

Começo a ritmo confortável, avaliando o estado das pernas. Cedo verifico que estavam bem. «Vamos então a isto!…»

Corrida sempre a um ritmo controlado, onde nada podia falhar, já que estava muito perto de acabar um Ironman. Tendo como objetivo principal terminar, o segundo objetivo era finalizar a prova por volta das 13h00, muito devido à dificuldade da bicicleta. Foi aí que olhei para o relógio e vi que já estava com 8h10 de prova. Pensei então que estava com um tempo muito bom para esta prova em particular, mas não entrei em euforia e segui o meu ritmo. Chegada a quarta e última volta ao circuito de 10 km, continuei até a meta, onde a minha família me espera!

Surpresa final: os últimos 2 km eram a subir… «Vamos lá, até ao final!»

Pouco depois

«Cheguei! Consegui!»

No final, 12h09 (1h36 na natação, 6h28 no ciclismo e 4h04 na corrida, já com transições). Agora era desfrutar e preparar o próximo… Ironman!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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