«Andar e a dormir ao mesmo tempo» antes de ser finisher no MIUT

Com ténis novos, Filipe Custódio recomeça em pleno o MIUT 2017, embora com bolhas devido ao «desastre da sapatilha». Mas há mais, já que, pouco depois dos 80 quilómetros, e com mais uma noite “no corpo”, o madeirense dá por si «a andar e a dormir ao mesmo tempo». Por isso, meros 12km tornam-se num ápice numa espécie de Maratona. Mas a verdade é que Filipe Custódio conseguiu ser finisher…

 

Troquei de roupa e sapatilhas. Já tinha uma bolha no pé direito causada pelo desastre da sapatilha. Segui viagem após uma paragem de cerca de 25 minutos. E que viagem!!!!

A subida do Curral das Freiras aos Picos é sempre difícil, mas com calma cheguei lá. Chegado ao CP8 Pico do Areeiro, tinha cerca de 80 km feitos. Todos a gente diz que, chegado lá, a prova está feita, já que depois é sempre a descer. Mas não é bem assim… É preciso correr e até corri mais do que estava à espera. Chegado ao CP9 Ribeiro Frio, a organização brinda-nos com uma surpresa: uma subida para fechar em grande os 7100D+. E, para ajudar, entro na segunda noite de prova. A caminho do Poiso dei por mim a andar e a dormir ao mesmo tempo. «Isto está a complicar», pensei. «Tenho de fazer alguma coisa para me manter acordado.»

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Ao chegar ao CP10 Poiso pedi a minha mulher um shot de cafeína para ver se despertava. Falavam para mim mas eu já estava meio a dormir…

Levantei-me e toca a seguir caminho. «Se vieste até aqui, vais até ao fim!» Passados alguns metros, o sono era coisa do passado. Quando dei por mim estava no CP11 Portela. Comi uma canja e segui em prova.

Agora vinha uma parte mais complicada, a “chata” Serra das Funduras, que parece que tem 20km, e depois a descida da Degolada, que tem sempre umas ratoeiras para testar a nossa concentração. Chegado ao CP12 Larano, a meta já estava perto, ficando a faltar 12km… Mas pareceu-me mais que uma Maratona para chegar a meta. Ainda tive uma breve paragem no CP13 Ribeira Seca para beber um pouco de água com gás antes de percorrer os últimos 4km desta verdadeira odisseia.

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Ao chegar a Machico parece que as dores passam, o cansaço desaparece e ganhamos uma nova vida. Pisar o tapete da meta é uma sensação única e não consigo colocar na escrita o que se sente depois destas 27h43 em prova.

Tinha a minha equipa de apoio à minha espera, equipa essa que se torna cada vez mais essencial para este tipo de desafios. Esta meta e o ser finisher também lhes pertence.

Mas o sonho continua…. Voltar em 2018!

As passagens de Filipe Custódio
Pedro Alves

Pedro Alves