Da sofreguidão dos 10 km para o recorde pessoal na Corrida Fim da Europa

A “parede” da Corrida Fim da Europa surge no km 10, quando a grande maioria dos participantes deixa de correr e começa a andar. Na segunda parte da sua crónica, Ruben Costa conseguiu superar os dizeres da sua mente, alcançando o seu recorde pessoal na prova.

 

Aproximávamo-nos do ponto mais alto do percurso e do mítico km 10, uma “parede” curta mas bastante inclinada, que me fez elevar a respiração e baixar, e muito, o ritmo/km. Consegui resistir a parar e continuei a correr, mas num registo de quase andar, com passadas muito curtas, tal era a dificuldade da inclinação. Aqui chegávamos aos 455 metros acima do nível do mar. Sabia que, após passar este topo, o resto até ao final seria fácil.

E assim foi: depois de passar no km 10,5, os restantes quilómetros até à meta eram sempre em descida. Era preciso apenas ter atenção onde colocar os pés, até porque facilmente ganhava balanço e velocidade e era preciso impor alguma travagem. Como a descer todos os santos ajudam, num instante cheguei ao cruzamento da Azoia e que nos levava em direção ao Cabo da Roca.

Faltavam 3 quilómetros.

Corrida Fim da Europa é priceless

Nessa fase surgiu um pouco de vento frontal, mas a meta estava já ali. Uma curta subida de poucos metros seria um último obstáculo antes de ultrapassar o pórtico da chegada e assim terminar mais uma Corrida Fim da Europa, com um tempo de 01h18m16, média de 4m43/km.

Bem sei que o tempo final é modesto, e provavelmente os meus registos futuros nesta prova vão andar próximo deste tempo, mas é sempre com muito gosto que participo nesta corrida. Confesso que, quando terminei em 2016, disse que não regressava porque o percurso é muito massacrante para o corpo em geral e para as articulações dos joelhos, tornozelos, pés, gémeos, etc. em particular…

Mas o encanto de toda a paisagem envolvente ao longo do percurso pela serra de Sintra faz-nos esquecer a dureza da prova e, como que por magia, nos leva a inscrever novamente. Sem dúvida, esta é uma prova única!

Uma última nota para a organização, que novamente esteve impecável. Não é em todas as provas de estrada que temos um bengaleiro bem organizado para levar os nossos pertences da partida para a chegada e que, pagando um determinado valor, temos transporte “antes da prova” ou “depois da prova”; e não é em todas as provas de estrada que, principalmente no final, temos uma tenda enorme que proporciona um verdadeiro convívio entre corredores, com chá quente, água, fruta e bolos da padaria Chafariz.

Como se diz em inglês, isto é “priceless” e torna ainda mais marcante esta singular corrida.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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