A dificuldade de correr na neve

Depois de sentir o “cheiro” em 2014, Pedro Conde regressou a Font Romeu, nos Pirenéus franceses, com a companhia de dois amigos para correr o Trail local, com 40km e 1900 de desnível positivo. A neve marcou a experiência dos três corredores da equipa Beat Your Limit.

 

Tinha tomado conhecimento da Trail Font Romeu em 2014 quando, numas férias de esqui, estava em Font Romeu no mesmo fim‑de‑semana. Tentei inscrever-me nessa altura, mas a prova já estava esgotada. No entanto, ela ficou sempre debaixo de olho e este ano foi possível regressar, especificamente para a fazer!

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Já sabia que seria duro, pois tinha andado naquela zona a treinar em 2014 e fiz algumas partes do percurso. Lancei o desafio a dois amigos e também companheiros de equipa (Beat Your Limit), o Ivo Morais e o Kaká Jesus, que prontamente aceitaram o repto e avançámos com a inscrição e com a logística!

As previsões da meteorologia para o fim‑de‑semana não eram as melhores: chuva, neve e vento, além das normais temperaturas “frescas” para a zona dos Pirenéus em janeiro. Ou seja, estávamos preparados para temperaturas que podiam rondar os 10°… negativos!!!

A dificuldade de correr na neve

A prova, com cerca de 300 atletas, começa no centro de Font Romeu, que está a 1900m de altitude, às 7h30 (ainda de noite). Mal saímos da cidade, entrámos de imediato em trilhos de neve, algo que aconteceu até ao último metro.

O percurso foi um constante sobe e desce. O terreno estava muito difícil, a chuva que tinha caído nas últimas horas tinha deixado a neve mole, ou seja, enterrar os pés foi uma constante ao longo da prova.

Correr na neve exige uma atenção especial
Correr na neve exige uma atenção especial

Cada passada acabava por ser diferente. Por exemplo, muitas vezes ficámos enterrados até acima dos joelhos, o que provocou algumas quedas. Houve fases em que tivemos de correr em água granizada, com os pés a ficarem completamente gelados, o que tornou ainda mais difícil a passada.

Correr na neve é diferente, a pisada é sempre inconstante, o que provoca muita instabilidade e constantes desequilíbrios. Correr nestas condições é complicado, já que o esforço é muito superior e o desgaste muscular maior.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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