Correr 100 km e ainda ter forças para pular de alegria

flormadureira

Com a ajuda da estratégia «Passinhos de Bebé», de Dean Karnases (leia aqui), Flor Madureira terminou os 100k Portugal na segunda posição. O objetivo era fazer a prova em menos de 15h00, tempo limite da competição. Conseguiu muito menos…

 

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Perto de alcançar os 60 km tive uma grande surpresa: avistei o meu marido na companhia da minha filha, a Diana, e da minha adorada netinha, a Suri. Foi uma alegria! Chamei por ela e o sorriso que me lançou deu-me uma energia acrescida. Estiveram cerca de uma hora a “correr” comigo e lá regressaram para casa, não sem antes eu parar para as beijar… (para além das pequeníssimas paragens para me abastecer, este foi o momento mais prolongado de paragem que tive ao longo dos 100 km).

Beijos dados, lá continuei a minha corrida, agora já com os atletas da maratona em ação. Foram todos fantásticos, sempre dispostos a apoiar os atletas dos 100 km! Mas a cada volta, a cada passagem, sempre recebi apoio pessoal na meta, local onde estavam concentradas todas as pessoas. Foi realmente uma loucura ter inúmeros amigos em Lousada, que nunca se cansaram de mostrar 0 seu apoio: o Floriano, os “Mários”, o Ferreira, o Eduardo. E tantos outros…

Devo aqui destacar também o trabalho do “speaker”, que foi assombroso. Além de nos animar, sempre manteve atualizados todos os atletas que estavam em prova, algo sempre importante neste tipo de eventos. Foi através do seu trabalho que percebi que tinha aumentado a vantagem sobre as minhas concorrentes diretas e que conservava o meu lugar, mantendo a distância para a primeira classificada, a Isabel Moleiro, que fez realmente uma prova espantosa, assim como o Gil no masculino, que foi supersónico!

Em relação aos meus companheiros de equipa, tiveram destinos diferentes. Enquanto o Arnaldo Marinho continuava a sua prova de forma tranquila e com um grande tempo, o Paulo foi obrigado a abandonar devido a fortes cólicas. A verdade é que fiquei muito triste quando o vi na meta já vestido, pois sei como ele treinou imenso para fazer uma excelente corrida.

Mas lá continuei, mesmo um pouco infeliz. Com o aproximar do final, éramos cada vez menos e mais solitários, já que, com a chegada dos últimos atletas da maratona e a aparição da chuva, o estádio começou a ficar cada vez mais vazio. Mesmo assim, muitos resistiram e fizeram questão de ficar até o fim, sempre com o intuito de apoiarem os atletas.

Ao alcançar os 80 km comecei a fazer a contagem decrescente. «Faltam 9 voltas, 8,7,6….» O meu marido, situado antes do contentor, sempre a me presentear com uma palavra de alento e confiança. A dada altura, não escondeu o seu orgulho: «Tempo fantástico! Maravilha! Continua que fazes dentro das 11h00!» Para quem queria fazer pouco menos de 15h, estava realmente muito bom…

Nesta fase final, na minha cabeça o objetivo era fazer entre as 10h50 e as 10h55. Mas a penúltima volta custou um bocado e baixei a guarda. «Se fizer estas duas a passo já não sou ultrapassada pela terceira, já que tenho três voltas de avanço», pensava para mim.

O Pedro Amorim ainda tentou que acabasse com ele, mas eu queria estar sozinha com os meus pensamentos. «Vai Pedro, eu fico bem!».

E assim fiz a minha última volta.

flormadureira1Ao chegar ao contentor olhei para o relógio e pensei. «Acelera que fazes abaixo das 10h45!» E lá fui… Ao entrar no estádio, o Hugo anunciou a minha chegada e o meu tempo: 10h43m45. Resultado que teve como consequência pulos de alegria, apesar do cansaço.

Compartilhei a minha felicidade com os amigos resistentes que ainda lá estavam: o Paulo, a esposa Carmo, o Morais, a Carmem, o Pedro Amorim, o Luís Pires, o Vitor Dias, o Orlando Duarte e a sua querida esposa (desculpem se falhou alguém). E, lógico, com o meu marido Carlos, que espera por mim há 33 anos!

Obrigado a todos pelo apoio e parabéns a todos os participantes que conseguiram terminar e aqueles que tentaram.

Um agradecimento especial à Prozis e à Wild,  que têm cuidado de mim!

E venha a próxima!…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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