Como é correr «A Mais Bela Corrida do Mundo»?

anaduarte

Ana Duarte não resiste e voltou a correr no passado domingo a denominada «A Mais Bela Corrida do Mundo», a Meia-maratona do Douro Vinhateiro. É verdade que a paisagem na prova é única, mas mais uma vez o forte calor acabou por ser o fator determinante da prova, que reuniu mais de 1o mil atletas.

 

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* Veja as fotos da prova

 

Foi a terceira vez que fui à Régua fazer esta Meia-maratona, prova lindíssima, toda ela feita ao longo do rio Douro. A preparação estava feita, mas sabia de antemão que não seria nada fácil, pois previa-se muito calor e não me adapto com o mercúrio em alta.

Tudo preparado, desta vez fiz uma viagem espetacular de comboio. Embarquei às 10h00 para o Porto e apanhei outro da linha do Douro, até a Régua, uma viagem que vale a pena fazer, com paisagens magníficas, com o rio por companhia e encostas verdejantes, com as vinhas e oliveiras nos socalcos. Simplesmente espectacular!

Chegada à Régua, após cinco horas de viagem e um pouco cansada, saio da estação e deparo-me com a bonita paisagem e com as tradicionais vendedoras de rebuçados da Régua. Dirigi-me para o Museu do Douro, onde estava instalado o secretariado e a habitual Feira do Desporto, mas também com novidades, com algum artesanato, por exemplo. Levantei o kit do atleta composto por um saco com T-shit técnica, garrafa de vinho Moscatel, pacote de fruta desidratada e o passaporte (que podemos carimbar à medida que façamos as cinco Meias-maratonas das Cidades UNESCO). Tudo muito bem organizado e novamente fui muito bem recebida, até porque já conhecia algumas das pessoas da organização, como o Paulo Costa, director da Globalsport. Andei por ali um pouco a ver a feira até me virem buscar, pois fiquei alojada em casa de pessoas amigas.

Chegada a Ferreirim, convivi um pouco com a família Silva, que me acolheu de braços abertos. Fiz um pouco de tempo antes do treino de descompressão depois da viagem. Mais ou menos 19h00, e ainda com algum calor, lá fui fazer os 30 minutos de corrida, tranquila, a apreciar a paisagem. Fui até à Nossa Senhora da Guia e escusado será dizer que, naquela zona, encontrar terreno plano era muito difícil. Mas, como era um treino de descompressão, deu até para tirar umas fotografias. Regressada a casa, banho e jantar, oferecido pela família que me acolheu e confeccionado nas panelas de três pés e em lume de lenha… Maravilhoso! No fim, o habitual convívio antes de preparar o equipamento para a prova.

Domingo bem cedo e com tudo preparado, fomos para a Régua. O nervosismo já se fazia sentir, ainda mais devido ao muito calor que se esperava. Cheguei ao local onde apanharia o autocarro para a zona da partida, na barragem de Bagaúste. Como tinha dorsal VIP, embarquei com os atletas de elite. Chegados ao espaço da meta, procurei ambientar e fazer o aquecimento. O tempo passava, o nervosismo aumentava e o calor… também. A hora aproximava-se e os atletas alinhavam-se na zona de partida. De referir que, entre todas as provas, tivemos um total de 13.000 inscrições, com direito a transmissão pela televisão (TVI24), com comentários do atleta Ricardo Ribas, o que comprova a importância que o evento está a ter com o decorrer dos anos.

Entre a partida de cima da barragem de Bagaúste em direcção à Folgosa percorremos cerca de oito quilómetros, com uma ligeira descida até ao retorno, que, evidentemente, torna-se depois numa ligeira subida até a zona da partida, sensivelmente ao 15 kms. A partir daqui a prova transforma-se num pequeno sobe e desce até a passagem na ponte pedonal (18 km) e entrada na Régua. Os últimos quilómetros são feitos em descida para a meta, instalada na Avenida do Douro. O problema foi novamente o calor, que chegou aos 32/33º. Com o cansaço já nas pernas, vários atletas terminaram em grande sofrimento.

A minha participação começou cautelosa, pois já conhecia o percurso e, com aquele calor intenso, sabia que não conseguiria fazer uma boa prova. Os primeiros oito quilómetros foram tranquilos, a apreciar a deslumbrante paisagem. Após o retorno não consegui continuar com o mesmo ritmo, ainda mais porque não queria sofrer, o que fez com que caminhasse por diversas vezes até cerca dos 12 kms. A partir de então consegui recuperar um pouco, já que, do lado esquerdo, havia alguma sombra, onde me resguardei, já que o calor era mesmo muito.

Ao longo do percurso houve chuveiros dos bombeiros e passei por baixo de todos para aliviar o calor. E a verdade é que não costumo molhar-me durante as provas… A parte final foi mais rápida e com muito público a apoiar, o que dá um pouco mais de adrenalina. Terminei com o tempo de 1h42m43. Não fiquei feliz mas satisfeita, já que, devido ao intenso calor, foi o melhor que consegui. E terminar foi realmente muito bom, ainda mais quando diversos atletas não conseguiram o mesmo…

Após a meta tivemos de oferta um saco com banana, bolachas e água, além de muita fruta à disposição. Como possuía o dorsal VIP, tive acesso à zona da elite, onde convivi mais um pouco com os atletas de alta competição, como a Dulce Felix, a Sara Moreira, a Doroteia Peixoto, a Mónica Silva e a Anália Rosa, a vencedora da prova.

Dada a circunstância, a minha prestação foi razoável: 625.ª em 2800, sétima do meu escalão, o F45. Ainda consegui ficar com um grande escaldão, algo que pensei que nunca acontecesse a correr. É nesta Meia-maratona que tenho o meu melhor tempo na distância, 1h26m50, em 2013, ano em que o tempo foi muito fresco, inclusive com chuva durante a realização da prova.

Quanto à prova, um percurso muito bom, com uma paisagem realmente única. É bem organizada, com muito público na parte final a puxar pelos atletas, na cidade da Régua. Um aspecto menos bom: a hora tardia do início (10h30) da prova. Houve muitos atletas que não chegaram a meta devido a exaustão, outros que chegaram mas caíram para o chão. Os bombeiros não tiveram mãos a medir, era ambulâncias de um lado para outro…

Resumindo: o saldo foi positivo e foi mais do que proveitoso aproveitar a prova para usufruir do prazer da corrida. Ainda mais aliado ao percurso fantástico, não fosse esta… A MAIS BELA CORRIDA DO MUNDO!!!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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