Brasileiro em busca da medalha extra da Comrades, uma das provas rainha das Ultra-maratonas

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Depois da Maratona de Boston, Carlos Castro corre no domingo uma das provas mais desejadas do Mundo, a Comrades, na África do Sul. O brasileiro regressa ao país um ano depois para levantar a medalha extra da prova, a «Back to back».

 

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O que posso dizer sobre a Comrades? É considerada por muitos a rainha das Ultra-maratonas. Em 2015, a prova, entre duas cidades na África do Sul, Pietermaritzburg e Durban, completa 90 anos. A cada ano o trajeto é invertido. Ou seja, nos anos pares a largada é em Pietermariztburg, em direção à cidade litoral de Durban, em 89 kms down run. Nos anos pares a largada é em Durban, em 87 kms up run.

Quem completa a prova nos dois sentidos em anos consecutivos ganha uma terceira medalha, a denominada «Back to back». Debutei na prova no ano passado e retorno este ano para buscar a minha «Back to back».

Neste domingo estarei em Durban, entre mais 23 de mil corredores, às 5h30 (que conta com a presença de 129 brasileiros). O ritual da largada é emocionante, incluindo o hino nacional sul-africano, canto de galo e «Shosholoza». Quem assistiu ao filme «Invictus», provavelmente gravou na memória a banda sonora cantada em zulu. «Shosholoza» é o hino da persistência negra e a metáfora que eterniza o dia mais importante da África do Sul, o dia mágico de 24 de junho de 1995, quando o então presidente Nelson Mandela uniu os “dois países” sul-africanos.

Como é natural, a preparação para uma prova de altimetria tão dura é um capítulo a parte.

comrades2O meu treinador, Belino Coelho, da Elite Esportiva, refere: «Quanto mais difícil o objetivo escolhido, mais difícil será o treino. Este ano, a Comrades será a subir, o que exigirá dos ultra-maratonistas muita resistência de força, mas também paciência.»

Portanto, o meu treno foi intensivo na componente “subida”, de forma a se aproximar à realidade que enfrentarei, para que as condições musculares e fisiológicas fossem melhoradas (acidose metabólica e a utilização da gordura como o principal combustível).

Belino e eu começámos o treino com trabalho de preparação física para fortalecer e melhorar a resistência e a força muscular. Paralelamente, trabalhámos o ganho de força específica, que são os tiros curtos em subidas, e a resistência de força, que são os treinos longos, principalmente em subidas.

Também foi importante o trabalho de intensidade, uma vez que é o anaeróbio que melhora o aeróbio e não o contrário, de modo que o objetivo foi melhorar e estabilizar a velocidade e a resistência de velocidade. Isto é importantíssimo, uma vez que há um tempo limite para se concluir a prova e os trabalhos com subidas tendem a deixar o atleta mais lento.

Para termos a certeza de que estávamos no caminho certo e que as sessões treinos estavam a surtir efeito, realizámos em tempos pré-determinados testes de controlos que consistiram numa corrida de 5 km e 1 km, com esforço máximo. A meta era avaliar a resistência de velocidade e a velocidade, respectivamente. Os resultados obtidos nesses testes indicaram que estávamos a ir bem.

Além desses testes, usámos a Maratona de Boston como parte da preparação, a qual concluí em 3h17, e que considerámos um excelente tempo tendo em consideração as condições atípicas que ocorreram a prova, como o frio, o vento gelado e a chuva.

Traçámos uma meta de completar a prova abaixo de 9h30. Sabemos do desafio, mas estamos confiantes.

Agora é correr…

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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