Badwater 135: Augusto Pinto Oliveira no Vale da Morte

A Badwater 135 é considerada a prova mais difícil do Mundo. No total, 217 km com temperaturas próximas do Inferno. Augusto Pinto Oliveira foi um dos participantes deste ano e durante a semana acompanharemos o relato da sua experiência. Este é o primeiro dia d´«A Semana no Vale da Morte».

 

Saí dos cuidados intensivos, para vencer.”
Eu ACREDITO, eu CONSIGO

Estes pensamentos acompanham-me há alguns anos, presentes desde 2010, quando comecei com uma simples caminhada de 16 km e um peso de 100 kg. Desde então a minha “escalada” até às ultradistâncias foi uma questão de um ano. A partir de 2011, ano em que me aventurei nas provas com mais de 100 km, impus a mim mesmo estar presente nas corridas mais longas, mais complicadas e mais difíceis do planeta. E esse querer já me levou desde as 100 milhas mais difíceis do mundo – Ronda dels Cims (170km) – até à Ultra de 338 km de Tor des Geants, sem esquecer a prova de Trail mais mítica e falada do mundo, a Ultra Trail de Mont Blanc.

O convite para estar presente na Badwater 135 foi o culminar de mais um sonho, estar presente nesta que é considerada a prova mais difícil do mundo. É complicado, pois ela só está aberta a convidados. E, para ser convidado, é necessário reunir certos requisitos. Além dos resultados desportivos obtidos em ultras, é necessário ter uma história de vida única, uma história de superação, de resiliência e de luta. E a minha “história” de vida, como muitas pessoas conhecem, resume-se a isso mesmo, é feita de superação e resiliência.

O fascínio pelos grandes desafios, pelas aventuras e pelo radical sempre me atraíram, desde que comecei nas corridas. Assim, a vontade de estar presente na Badwater 135 foi algo rotineiro na minha vida, uma vontade enorme de querer correr no Vale da Morte. Autointitulada como a “mais dura corrida do mundo” e com uma distância de 135 milhas (aproximadamente 217 km) feita numa única etapa, com partida na baía de Badwater, a cerca de 85 metros abaixo do nível do mar, e chegada na zona do monte Whitney, com cerca de 2.530 metros de altitude, boa parte da Badwater 135 decorre no deserto do Vale da Morte sob extremas condições climatéricas – a região do deserto do Vale da Morte detém inclusivamente o recorde como o ponto mais quente da Terra. 

O rookie Augusto Pinto Oliveira no Vale da Morte

 Desde o querer participar nesta grande aventura até receber o convite passou quase um ano. Durante todo este processo sempre fui alimentando a minha esperança até ao dia em que a lista de convidados foi divulgada online, através de uma transmissão direta para todo o mundo pelo Facebook. Foi quando o diretor de prova anunciou: «De Portugal, Augusto Pinto Oliveira, um rookie! Bem-vindo à Badwarter!».

 

O mapa que vaio atravessar Augusto Pinto Oliveira no Vale da Morte
O trajeto de Augusto Pinto Oliveira na Badwater 135

 

Foi após este momento que comecei uma corrida contra o tempo, desde o tentar encontrar patrocinadores (a parte mais complicada), entrar em contacto com pessoas que já tinham sido convidadas e feito a prova – Carla André, uma excelente ajuda –, fazer uma pesquisa sobre o tipo de equipamento a utilizar durante a corrida, formar uma equipa que me acompanhasse durante a prova, equipa esta que é obrigatória, de três elementos no mínimo, até fazer treinos específicos, sobretudo que envolvessem temperaturas elevadas.

Os apoios (patrocinadores) foram surgindo quase a conta gotas, mas, ao longo deste processo, sempre fui acreditando que era possível reunir todas as condições para estar presente na Califórnia nos dias 10 e 11 de Julho. Após um “espalhar” por todo o lado de mails, cartas, dossiers e campanhas de divulgação, os apoios apareceram, desde grandes empresas (CTT – Correios de Portugal, a minha entidade patronal; Caridades – Obras Públicas; Bifase – Material Elétrico e Eletrónico; Circuitos – Energy Solutions; Lusoconta – Rui Cunha) até outros menores, mas nem por isso menos importantes. Um dos apoios fundamentais surgiu da Câmara Municipal de Paredes, que, através do vereador do Desporto, Cândido Barbosa, veio dar um maior enfoque na minha campanha de angariação de apoios.

Uma das partes que mais me sensibilizou nesta campanha foi o empenho de muitas e muitas pessoas anónimas, que me iam fazendo chegar alguns donativos, pessoas que, passando por mim na rua, entregavam o seu apoio, incentivando-me cada vez mais neste desafio, dando-me os parabéns. A todos eles, apenas tenho de agradecer, o meu MUITO OBRIGADO!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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