A luta contra o tempo começa para Augusto Pinto Oliveira no TDS

Augusto Pinto Oliveira começa finalmente o TDS – 119 km (7 200m D+). Logo na primeira barreira horária, no quilómetro 16, descobre que terá a partir de então uma dura batalha contra o tempo, tudo para não ser desqualificado por ultrapassar o tempo exigido em cada base de vida. Este é o segundo capítulo da sua crónica, no terceiro dia d’«A Semana do Ultra Trail Mont Blanc».

 

Estou de novo em Courmayeur, onde, no ano passado, parti para o Tor de Giants (338 km). São quase 06h00, centenas de atletas convergem para o centro desta pequena vila nos alpes italianos. Todos aguardam ansiosamente a partida e troco palavras com alguns portugueses, que também estão na linha de partida. Falo também com atletas do pelotão internacional que fui conhecendo ao longo das dezenas de provas que realizei a nível internacional. Como costumo dizer: «São quase sempre os suspeitos do costume!»

 

O pórtico que todos anseiam na UTMB
O pórtico que todos anseiam na UTMB

 

Às 06h00 é dada a partida! Esperam-me 119 km com um acumulado de 7 200m D+.

Parto para esta aventura com o intuito de a acabar, custe o que custar, doa a quem doer. Tenho de cumprir o meu objetivo: levar a Esmeralda até ao fim da prova! Não quero que ela fique pelo caminho, vem comigo nem que seja de “arrasto”. Tinha consciência de que seria complicado, já que não iria fazer a prova ao meu ritmo, teria de me adaptar ao andamento da Esmeralda e portanto teria de esperar sempre por ela.

Sabia que as barreiras horárias eram bastante apertadas e qualquer distração ou contratempo poderia deitar por terra o “nosso” sonho, que era única e exclusivamente um: terminar a prova! Para isso teria de gerir tudo da melhor forma possível, contando sempre com todos os fatores. Com aqueles que eu consigo controlar, esses consigo sempre resolver; os piores são aqueles que fogem do meu controlo, esses são sempre imprevisíveis e de difícil resolução.

Os primeiros 16 km foram quase sempre a subir, em que uma longa fila de atletas se espalhava montanha acima. Avançávamos lentamente nessa extensa fila, em que as conversas eram constantes, num cruzamento de diversos dialetos. Ainda íamos mais ou menos “frescos” e a frequência cardíaca não tinha sido levada a um ponto mais alto. O cansaço ainda era pouco.

O tempo no TDS começa a apertar logo no 16.º quilómetro

Lac Combal (km 16), a primeira barreira horária. Como já tinha conversado com alguns amigos e estes tinham-me informado que a TDS – 119 km era complicada (mais complicada do que a UTMB – 170 km ao nível de trilhos técnicos e dificuldade), e também por desconhecer os trilhos, fui um pouco receoso e a “controlar” o nosso andamento de forma a não “queimar as fichas” logo no início. Quando chegámos a Lac Combal só tínhamos uma “folga” de 30 minutos. Com esta margem de tempo iria ser complicado gerir o resto da prova, pois estava muito “apertado” e qualquer contratempo ou imprevisto seria difícil de controlar.

 

Toca a subir…

 

A partir deste abastecimento até ao próximo foram cerca de 20 km, com uma subida de 4/5 km. Depois tivemos uma longa descida de 10 km, em que os trilhos eram “limpos” e no qual conseguimos correr. Durante toda a descida desfrutámos de excelentes e magníficas paisagens. No final desta, subimos alguns quilómetros, não muito íngremes, até ao km 36.

Conseguimos na barreira horária de Col Du Petit Saint Bernard chegar um pouco mais “folgados”, 45 minutos até o fecho. Era aqui que “atravessávamos” a fronteira, a passagem de Itália para França, em que se seguia mais uma grande descida, esta já bastante técnica e que se ia “arrastar” até Bourg Saint-Maurice, que nunca mais lá conseguia chegar. Uma descida que se estava a tornar bastante dolorosa, em que a cidade nos estava a “espreitar” há bastante tempo e que nós, teimosamente, parecia que a estávamos a evitar. Íamos serpenteando lentamente até entrar numa estrada que nos levou finalmente à praça central de Bourg Saint-Maurice, cidade que já conhecia e que estava completamente diferente, pois estive aqui há aproximadamente 27 anos, quando fiz os Campeonatos do Mundo de Canoagem de Águas Bravas, categoria Slalom.

 

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Pedro Alves

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