Badwater 135 “cumprimenta” Augusto Pinto Oliveira com 50 graus

Depois da preparação, Augusto Pinto Oliveira sente as dificuldades que vai defrontar quando chega aos Estados Unidos, concretamente a Furnace Creek, com o termómetro a registar 50º… Este é  o segundo dia d´«A Semana no Vale da Morte».

 

A Badwater é a corrida mais dura do mundo. Esta expressão tornou-se para mim realidade desde o momento em que chego a Furnace Creek, em que o termómetro marcava mais de 50º. O calor era sufocante, a humidade era quase nula, era como se abrisse a porta de um forno, uma sensação de que as tuas pestanas estavam a queimar. O meu corpo começava a desidratar muito facilmente e uma sensação de boca completamente seca começava a sentir-se com grande intensidade. Todas as placas de sinalização anunciavam perigo de morte, calor extremo. Estava no Vale da Morte, onde nem uma simples brisa se sente. E, das poucas vezes que isso acontece, o ar arrasta consigo areia e um calor ainda mais sufocante. No alcatrão as temperaturas ascendem a mais de 60º. Ou seja, estavam aqui reunidas todas as condições extremas que iria encontrar mais tarde durante toda a prova, eu e a minha equipa, Bruno Coelho, Cândido Barbosa e Esmeralda Fiúza. Estávamos ainda numa primeira fase de adaptação, embora toda a equipa já estivesse habituada a provas de Ultradistâncias. No entanto, esta era a nossa primeira experiência em condições extremas de calor.

Augusto Pinto Oliveira antes de começar a Badwater 135
As habituais fotografias antes do briefing

O ambiente pré-prova é único, contagiante, em que rapidamente nos sentimos integrados. A integração e o conhecer todos os participantes é uma tarefa fácil na Badwater 135, pois a organização só convida no máximo 100 atletas (este ano, 95 participantes). Todo o ambiente, desde o levantamento dos dorsais e de todo o material de prova, passando pelo controlo do material obrigatório (coletes refletores, biffy bag, sacos para uso sanitário já que durante a corrida não existem sanitários), foi muito positivo e motivador, algo essencial para encaramos o desafio que iremos enfrentar.

Todos fomos recebidos pelo diretor da prova, onde o atleta e depois toda a equipa foi fotografada. Os protocolos terminaram com um briefing, onde o chefe de equipa e o atleta estavam presentes, um briefing em que as regras de prova foram explicadas. Nenhuma delas podia ser violada, com o risco de o atleta ser desclassificado.

Augusto Pinto Oliveira refugia-se na água

O número de Augusto Pinto Oliveira na Badwater 135
O número mágico de Augusto Pinto Oliveira na Badwater 135

Nos dois dias anteriores à prova, eu e o meu chefe de equipa, Bruno Coelho, fizemos alguns treinos de adaptação. Depois, com o resto da equipa, fomos estudando o percurso, abastecer as arcas frigoríficas, com alimentação suficiente para todos nós. Uma das partes fundamentais foi a compra de bastante água e gelo, pois estes eram os bens mais importante de toda a prova, sem eles é praticamente impossível sobreviver aquelas temperaturas extremas. Para dar uma noção da sua importância, durante todos os 217 km consumi mais de 20 litros de água, excluindo deste número o que os restantes elementos da equipa beberam. As quantidades de gelo foram grandes, vários e vários quilos de gelo gastaram-se durante as 42 horas de prova…

Nas primeiras 40 milhas da Badwater 135, o carro de apoio só pode parar de 2 em 2 milhas, não pode proferir nenhuma palavra para o atleta nem abrandar o ritmo de condução quando passa pelo mesmo. Descemos 85 metros abaixo do nível do mar, onde, às 20h00, era dada a partida do primeiro grupo (onde eu estava incluído). A temperatura rondava os 47º e um vento arrastava um ar quente que envolvia todo o Vale da Morte, aumentando a sensação térmica em mais uns graus. O ar estava sufocante, custava respirar, mas todos nós estávamos aqui reunidos com um único objetivo: fazer a corrida mais dura do mundo! Eu e a minha equipa acertávamos os últimos pormenores: de quantas e quantas milhas o carro vai estar parado para me abastecer de água, gelo e alimentação, a partir de quando é que um elemento da equipa pode acompanhar o atleta (a partir do km 92 – primeira base de vida), onde são os pontos, onde o carro não pode parar,  etc. Todas as regras foram bem interiorizadas, com a ajuda de um luso descendente que foi fulcral, pois tinha conhecimento de todas as regras ao pormenor: «Obrigado Alann Lopes!»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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