As dolorosas cambalhotas de Hélder Lemos na Ehunmilak Ultra Trail

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No terceiro dia d´«A Semana “A Minha Primeira Vez”», e nos restantes (até sexta-feira), o português Hélder Lemos, natural de Guimarães mas a viver há quatro anos em Lisboa, vai descrever como foi a Ehunmilak Ultra Trail, a sua primeira prova de 100 milhas (160 km). 

 

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Comecei a prova a um ritmo muito calmo, sempre em mente que eram 100 milhas e que o objetivo principal era terminar. A verdade é que qualquer euforia inicial poderia colocar em causa o desfecho final.

Os quilómetros iniciais estavam a correr bem e tivemos imenso apoio de espectadores (as crianças bascas foram simplesmente fantásticas). Aliás, este apoio manteve-se no decorrer de quase toda a prova, onde foi possível observar as belas paisagens durante o dia, paisagens realmente fantásticas, com montanhas muito verde e húmidas, fazendo lembrar as nossas ilhas.

A noite “entrou” e a prova continuou a correr bem, apesar da humidade e do tempo quente que se fazia sentir. O terreno apresentava-se enlameado e, nas zonas altas, a presença de nevoeiro, o que obrigou a uma maior atenção pela próxima marcação.

Aos cerca de 50 km entrei numa zona muito técnica e difícil. Descida de pedra bastante escorregadia até perto do abastecimento dos 55 km (Azpeitia), onde cheguei com cerca 8h00 de prova. Neste abastecimento sentia as energias um bocado em baixo e procurei comer em maior volume, um erro que paguei mais tarde.

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No segmento seguinte, outra difícil subida, comecei a ter problemas gástricos. Vomitei tudo a cerca de 2 km do abastecimento de Zelatun… Senti-me um bocado melhor e, no abastecimento, tomei um caldo quente para acalmar o estômago e um protetor gástrico. Segui para a base de vida dos 77 km (Tolosa), onde já planeava descansar caso não estivesse a recuperar.

Neste segmento, a subida continuou, uma subida técnica, novamente com muitas pedras. Após um quilómetro e tal, cometi um erro: ao subir umas pedras, desequilibrei-me e coloquei todo o meu peso no bastão direito. Todavia, coloquei o bastão num falso entre duas pedras. Ou seja, acabei por cair. Dei algumas cambalhotas até que finalmente parei. Quando dei por mim, ainda muito desorientado, estava deitado no meio de uma vegetação, com uma cãibra na perna. Não me conseguia levantar…

Recuperei da cãibra e reparei que estava a ser iluminado pelo frontal que tinha saído da minha cabeça. Para piorar, o bastão direito estava partido e espetado na terra, enquanto o esquerdo estava do outro lado. Tentei perceber como e onde estava, mas, ainda desnorteado, procurei sobretudo perceber se tinha batido com a cabeça. Aparentemente não tinha…

Peguei no frontal, olhei em volta e percebi que estava cerca de cinco metros abaixo da passagem do percurso, no meio de três metros de vegetação inclinada e dois metros de pedras. Coloquei o frontal na cabeça, peguei nos bastões e voltei com sucesso ao percurso.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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