Abastecimento desilude André Lima Cabrita no Cortina Trail

André Lima Cabrita no Cortina Trail (48 km/D+ 2600m), em Itália, ficou surpreendido com a escassez dos abastecimentos da prova, uma contrariedade compensada em pleno pelas paisagens.

 

LEIA A PRIMEIRA PARTE DA CRÓNICA DE ANDRÉ LIMA CABRITA

 

O percurso teve poucas passagens técnicas e foi quase sempre em piso com terra e pedra, sendo apenas alcatrão na partida e chegada. O tempo esteve espetacular, com céu limpo e sol. No entanto, talvez um pouco de calor a mais para o que eu estava à espera. Mas as vistas e as paisagens são brutais e, para mim, o Trail, para além de correr, é poder conquistar as montanhas, desfrutar da natureza e das paisagens e vencer os desafios pessoais a que nos propomos.

Em relação aos abastecimentos, estava à espera de serem mais bem “apetrechados” e melhores. No primeiro abastecimento de água, quase aos 18 km de prova, havia poucas pessoas a fornecer água a tantos atletas. Até havia quem se abastecesse nos ribeiros… Como levei 2 litros de água, optei por não parar. Mas abasteci, como muitos outros atletas, numa cascata junto ao Forcella Col dei Bos, dois quilómetros mais à frente. Nos restantes abastecimentos, como os atletas já se haviam dispersado ao longo do percurso, não senti tanto a falta dos assistentes nos abastecimentos.

André Lima Cabrita e outros atletas bebem água no Cortina Trail
Atletas recorrem ao ribeiro para beberem água no Cortina Trail

Adorei atravessar o Vale Travenanzes. Foram nove quilómetros ao longo de duas escarpas rochosas que tanto caraterizam as Dolomitas, com um riacho que tivemos que atravessar algumas vezes, aproveitando para refrescar os pés e as pernas.

 

André Lima Cabrita no Cortina Trail viveu a intensidade da chegada em Cortina d’Ampezzo

 

A subida à Forcella Giau, após 30 km de prova, foi a parte que mais me custou, devido ao cansaço acumulado e à sua inclinação.

Ao cruzarmos a Forcella Ambrizzola, voltámos a ver Cortina d’Ampezzo ao longe, no meio do vale. Apesar de ainda faltarem 11 km, sabemos que já estamos na reta final. A paisagem muda substancialmente, entramos numa zona de floresta e passamos ao lado de dois lagos.

Ao chegar a Cortina d’Ampezzo, a zona central da cidade e os bares estão cheios de pessoas, que vão celebrando a chegada dos atletas e dando ânimo aos mais exaustos. Os atletas do Cortina Trail tinham que chegar até às 20h00, 12 horas de tempo limite, e do Lavaredo Ultra Trail até às 5h00 de domingo, 30 horas de prova.

Como conclusão, as Dolomites não desiludem, os italianos, com a sua hospitalidade, também não, enquanto a organização poderia ter mais abastecimentos e mais pessoas a dar assistência aos mesmos.

Beleza da paisagem marcou a visão de André Lima Cabrita no Cortina Trail
Percurso do Cortina Trail
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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