A primeira maratona nunca se esquece…

04

O chamado «MURO», a palavra que mais atormenta os maratonistas de todo o Mundo, não passou ao lado de Ruben Costa, apesar de ter, em determinado momento, acreditado que sim. A verdade é o atleta do Barreiro chegou inclusive a parar, mas conseguiu encontrar forças para continuar e assim terminar a primeira Maratona da sua carreira de CORREDOR ANÓNIMO (leia aqui a primeira parte). E com um tempo que não esperava…

 

Quem alcança os 2500 likes alcança os 3000. Faça um LIKE na nossa página. Obrigado! 

 

Os quilómetros eram ultrapassados e o ritmo mantinha-se estável, bastante confortável. Na passagem à Meia-maratona iria avaliar a minha condição. Se contasse com esses primeiros 21,1 km da maratona, seria a minha quarta Meia-maratona de sempre e estava a fazer o meu terceiro melhor tempo. Nada mau! Isso fez-me manter confiante que iria conseguir num bom tempo final. Mais do que isso: estava bem!

A segunda parte da Maratona estava a começar e obrigatoriamente os quilómetros iriam começar a fazer-se sentir nas pernas. Na chegada ao Terreiro do Paço a moldura humana de apoio aos corredores fez-me arrepiar. Toda a zona da Baixa, Rua do Ouro, Restauradores e Rua da Prata estava cheia de pessoas a puxar por nós. De certo modo, isso deu-me um alento e ajudou a esquecer a barreira psicológica do km 30. Passei bem depois o 31, 32 e 33, mas confesso que já começava a sentir o acumular dos quilómetros nas pernas. Mas a meta estava já ali…

01Teria eu passado o famoso “muro” e não o tinha sentido? Puro engano! Por volta do km 36 ele apareceu, mas não de forma impiedosa como tinha lido. Senti uma ligeira quebra de energia no corpo e a cabeça também começou a dizer: “Pára!”. Creio que a isso ajudou o facto de mais ou menos nesse local os corredores da Meia-maratona estarem a fazer o retorno para a meta, muitos a um ritmo que não conseguia acompanhar. Ao contrário de mim, iam relativamente frescos… Tive de andar um pouco para me recompor. Isso ajudou a recuperar a energia que escasseava, mas disse a mim mesmo: «Bolas, já faltam poucos quilómetros, não vais quebrar agora, vamos lá!»

Tive de me manter concentrado porque nos abastecimentos a confusão iria ser muita e eventualmente alguém poderia tropeçar e fazer-me cair. Nos últimos dois quilómetros voltei a falar para mim mesmo: «Está feito Ruben! Conseguiste!»

O meu objetivo era apenas chegar, mas, ao olhar para o relógio, confirmava que iria não só conseguir chegar como terminar com um tempo abaixo das 4h00. Excelente! Na rotunda da ProRunner vi a meta ao fundo mas ainda tinha de contornar pela avenida em frente ao Vasco da Gama.

Essa rotunda estava cheia de apoiantes: novamente a minha Claudinha, a Elsa, a Elisa, a Helena e a Sílvia. Parei e abracei todas elas, que me deram a energia final para passar rapidamente os quilómetros 41 e 42… Só faltavam 195 metros, dou por mim a acelerar até à meta e a conseguir atingir três objetivos: completar uma maratona, terminar com um tempo abaixo das 4h00 e a chegar bem, sem lesões e a sorrir.

Primeira maratona em 03h48m03, um resultado excelente, muito longe do que esperava alcançar. Mas como foi possível? Tudo se deveu ao facto de ter treinado muito durante vários meses, mas também por gerir bem o esforço durante a corrida. Sempre mantive a disciplina na hidratação e na alimentação, mas também foi importante ter o espírito de otimismo e confiança. No fundo, pensar que o objetivo era possível.

Mas hoje posso dizer: sou maratonista!!!

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos