A «mãe que pensa que tem duas vezes 25 anos» correu 163,8 km em 24 horas

 

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Depois da primeira parte (leia aqui), Flor Madureira revela como foi a conclusão da sua corrida nas 24 Horas de Portugal, onde alcançou uma marca que não esperava: cerca de 160 km. Apesar do conselho para ir mais devagar, a «mãe que pensa que tem duas vezes 25 anos» resolveu “atacar”, ainda mais quando ouviu a palavra «orgulho» do marido. Apesar das dores nas pernas, o enjoo, etc. 

 

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Mais uma paragem com 7h30 de prova. Mais enjoos, não consiguia comer, tinha muitas dores nas pernas. Desta vez descansei 30 minutos antes de voltar para a corrida.

Foi quando alcancei o Paulo, que estava a usar a mesma tática que eu. Segui com ele durante algum tempo mas, estando mais lento, decidi avançar. «Flor! Vai com calma, estás muito rápida!», disse-me. Pensei para comigo: «O meu corpo está a dizer para ir, logo vou.»

Mais uma paragem, com 10h00 de prova. Muitos enjoos, imensas dores nas pernas e muita preocupação por quem estava ao meu lado, pois mal conseguia comer. O que me valeu foi que me forcei a ingerir alguma coisa no abastecimento exterior.

Nesta paragem aproveitei para fazer uma massagem às pernas e trocar de roupa. Aproveito para agradecer à Lurbel pelo equipamento e felicitá-los pela excelente qualidade. Desta vez parei mais de 45 minutos, antes da nova viagem.

Começou a arrefecer imenso com o aproximar da noite. E o Carlos embrulhado no saco cama, sempre a posto para me chegar agasalhos…

«Vai descansar!», digo-lhe (Ele levou uma tenda para nós descansarmos. Nem sei de que cor era!…). Não me ligou nenhuma e continuou ao frio, pronto para me ajudar.

A dado momento, e desta vez acompanhada do Renato, detetei que havia um erro e não me tinham contabilizado uma volta. Pedi ao Carlos para verificar o que estava a acontecer.

Na volta seguinte comunicou-me que já tinham retificado e informou-me o lugar que ocupava: segundo da geral, a três voltas da Cármen Pires, uma super atleta, e com duas voltas da terceira classificada.

Comecei a sentir-me pressionada pela atleta que vinha atrás, já que nunca fazia paragens longas como eu. Ou seja, seria ultrapassada se continuava a demorar tanto tempo enquanto descansava.

Foi quando fui-me abaixo. O cansaço e as dores nas pernas eram muitas, embora os enjoos tenham abrandado imenso. Resolvi parar à 1h30 da manhã. Consegui comer uma sopa, descansei as pernas e parti com 14h00 de prova.

 

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Como estava ligeiramente nauseada da comida e muito enjoada de correr, resolvi fazer as voltas seguintes a passo.

Fiz algumas voltas na companhia do Pedro, em amena cavaqueira, mas cheguei à conclusão que, se não corresse, as dores nas pernas aumentariam, ainda por cima comecei a ter dores de barriga… Tinha que ir rapidamente à casa de banho. Mais uma pausa forçada mas rápida. Antes de retomar a prova, tomei um chá e ingeri uma pastilha para as dores nas pernas.

Rejuvenesci e voltei à estratégia dos «passinhos de bebé». O objetivo agora eram os 100 km e distanciar-me da terceira classificada.

Cerca das 14h00 de prova alcancei os 100 km. «Upa! Daqui para a frente é tudo lucro.» Mas logo pensei que tinha muito por correr até às 12h00. Ainda eram 4h00 da manhã… Foi quando começou a “pesar” a classificação: se conseguisse ficar em segundo lugar seria espetacular. «Pronto, vamos continuar!»

Passo os 120, 130, 140 km. Mais uma pausa rápida…

São 8h00 da manhã e estou a tentar comer. Diz-me o Carlos. «Estou muito orgulhoso de ti. Se fizeres 160 km dou-te uma prenda!»

Não ligo nada a prendas, mas aquela palavra «orgulho» empurrou-me novamente para a prova. Passo os 150, a seguir os 155 km. Dói-me muito as pernas, já não tenho grande vontade de correr… Se for a passo consigo ultrapassar os 160 km. Objetivo alcançado, mas ainda faltava 30 minutos para terminar o evento. Lá pensei: «Mais uma volta, tu consegues!»

Ao passar a meta para a última volta, o Carlos acompanha-me. Ainda tenta que eu faça mais uma, já que tinha tempo, mas, para mim, a prova estava concluída.

Nunca pensei algum vez em atingir esta distância. Fiquei super feliz , a rebentar de felicidade com o meu marido a segredar-me: «Estou a rebentar de orgulho!».

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Uma prova de 24H exige um grande esforço psicológico, para além da parte física. De referir também que o ambiente entre os atletas foi algo a salutar, com apoio mútuo e muita camaradagem.

Parabéns a todos os participantes e de realçar os triunfos do melhor ultra-maratonista português, João Oliveira, e da fantástica e super simpática Carmem Pires. Obrigado pelo apoio de todos os que estiveram presentes, sempre a incentivar este loucos saudáveis.

Por fim, felicitações ao João Paulo Meixedo e Vitor Dias, organizadores deste grande evento.

VEJA ABAIXO A PERFORMANCE DA «MÃE QUE PENSA QUE TEM DUAS VEZES 25 ANOS» (cada volta tem cerca de 2100 metros):

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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