A festa e as dificuldades da Maratona de Sevilha

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Ruben Costa revela agora como foi correr a Maratona de Sevilha (leia aqui a primeira parte), as dificuldades que sentiu, o incrível apoio do público, a incerteza de chegar ao final, a estratégia que seguiu para terminar a distância, o ritmo que procurou utilizar ao longo do percurso, a alegria de ver, nos últimos quilómetros, o Estádio La Cartuja, o que fez com que os últimos 1795 metros tenham sido mais brandos do que o esperado… No final, a enorme alegria de verificar que o seu tempo foi inferior ao que imaginava quando tudo começou, não em Sevilha, mas no primeiro treino que realizou para a prova.

 

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Toca o despertador, levanto-me rapidamente e começo a preparar-me: creme antifricção nos pés e nas zonas sensíveis, meias de compressão, dorsal com os ímanes, os ténis… Tudo pronto para ir tomar o pequeno-almoço sem demoras. Café, sumo de fruta, pão com doce e uns bolos. Vamos para a partida!…

Previamente já sabia onde iria estacionar, por isso, e com a ajuda do GPS, foi mais fácil e menos stressante. Ao meu lado estacionaram também os meus amigos, companheiros de corrida que iriam também fazer a Maratona. Últimas preparações e dirigimo-nos todos para o local da partida. Tinha lido no Facebook que o “Correr Lisboa” tinha combinado tirar umas fotografias com os portugueses que iriam participar na prova: o ponto de encontro com todos os “tugas” seria na rotunda antes do acesso às caixas de entrada.

A manhã estava fria mas dava para aguentar a espera. A poucos instantes das 9h00 sentia-me bem e, juntamente com três amigos, o tempo passou rápido e sem nervosismo. Chega a hora da verdade! É dado o tiro de partida e lá vou eu para a minha segunda Maratona…

Os quilómetros iniciais passaram sem grande dificuldade até que veio o primeiro impacto: ao km dois um mar de gente já esperava a passagem dos corredores, gritando «Mucha suerte» e «Forza campeones». Foi uma sensação incrível! A prova ainda estava no início e já centenas de pessoas nos apoiavam efusivamente. E o apoio repetiu-se quilómetro após quilómetro.

Previamente tinha colocado num Excel os tempos de passagem aos 8 km, aos 17 km, aos 21 km, etc. Tinha planeado que o ritmo 4’50″/km seria o ritmo bom e 5’00″/km o ritmo razoável. Mantive um ritmo médio de 4’45″/km, sem grandes oscilações durante vários quilómetros, bem acima do planeado na véspera.

Na passagem pelos abastecimentos mantive-me disciplinado, quer a beber água ou isotónico, quer a beber os géis que levava comigo. Planeei beber um gel com água mais ou menos de 40 em 40 minutos, pois só assim iria manter a energia no corpo constante e evitar quebras inesperadas.

Na passagem à Meia-maratona (1h38) fiz a minha segunda melhor marca de sempre (1h33, na Corrida dos Descobrimentos), um bom sinal, já que assim estava a fazer um ritmo que me permitia cumprir o tempo final planeado ou mesmo até melhor (cerca de 3h30).

Passo a marca dos 32 quilómetros e penso: «Agora é fazer uma prova de 10 quilómetros e já está, é fácil”». Nada mais errado! É nesta fase que a cabeça começa a dar sinal de nos querer fazer parar porque começa a sentir que as forças nas pernas estão a faltar.

Devo salientar que tive o apoio da minha “cara-metade”, a Cláudia, em três pontos no percurso, uma energia suplementar sempre muito importante.

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A partir do quilómetro 35 entro no ritmo de 5’00”. Senti que já estava a ficar esgotado e claramente os quilómetros demoravam a passar. Nesta fase o percurso passa pela Praça de Espanha, um local muito bonito, e começa a dirigir-se para o centro histórico de Sevilha. A passagem à frente da catedral foi algo de outro mundo. A estrada estava cheia de pessoas de um lado e de outro da estrada, que literalmente só se afastavam com a passagem dos corredores. Nesse local era proibido deixar de correr e começar a andar. E muito menos desistir…

Nos últimos dois quilómetros já se começava a ver o Estádio La Cartuja ao fundo. Embora as forças já não fossem muitas, a vontade de terminar foi a suficiente para fazer os últimos 1795 metros sem dar conta e, no interior do estádio, desfrutar de uma chegada digna de maratona olímpica.

E assim, após 03h25m35, termino a minha segunda Maratona (leia aqui sobre a primeira), um ano após começar a correr, conseguindo assim o meu melhor tempo na distância.

Toda a organização da prova é de excelente qualidade, o percurso passa por zonas muito bonitas da cidade, os abastecimentos são suficientes e bons, mesmo após a prova, já que os voluntários não se cansam de nos dar mais águas, coca-colas, bebidas isotónicas, etc. O apoio e as ofertas também são variadas.

Foi uma experiência incrível e certamente a repetir, com o objetivo de melhorar ainda mais o tempo no próximo ano.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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