A corrida do Dia do Pai de José Pinto Nogueira

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Corredor desde os 18 anos, José Pinto Nogueira, hoje com 57, foi um dos milhares de participantes da corrida Dia do Pai, no Porto, no passado domingo, uma das provas mais tradicionais da Invicta. Aqui ficam as suas considerações, que vão para além da prova.

 

Não sou muito aficionado de provas curtas e, à medida que a idade avança, o meu gosto por corridas de 10 km diminui. Talvez seja o facto de me exigirem – se quero ter um desempenho do meu agrado – uma rapidez que nem sempre é compatível com o meu prazer em correr. Parece-me ainda que as provas curtas estão a ser aquelas em que cada vez mais se nota o lado menos simpático da explosão da corrida (por que é que lhe chamam “running”?): somos muitos.

Pergunto-me se seremos demasiados e interrogo-me se tenho o direito de colocar esta questão. Na verdade, quando eu corria aos 18 anos, era visto como a “avis rara” do quarteirão. De que me queixo eu agora, quando companhia não me falta? A verdade é que já não corri a S. Silvestre do Porto no ano passado. Em 2013 senti-me num lento e perigoso carrocel em movimento e não gostei.

Mesmo assim, há marcos que tardamos a dispensar e a tradicional corrida do Dia do Pai é um deles. O mesmo sucederá, certamente, com a Corrida de S. João. A próxima será a Corrida do Mar…

diapaiCorri no passado domingo pela primeira vez integrado numa equipa, concretamente na Tugas na Estrada, uma verdadeira honra! Esta inclusão tem-me demonstrado a vantagem de fazer esta prática desportiva nesta circunstância, pois cá estamos para nos apoiarmos e para marcar ritmos: de hora de chegada ao treino, de métodos, de meios, de entusiasmos, etc. Deste modo, a corrida do Dia do Pai só podia ser a continuação do que eu estava a sentir nos treinos, uma excelente experiência.

A corrida deste ano apresentou novidades no percurso, como a partida no Queimódromo, a eliminação da subida até ao Edifício Vodafone e a passagem na Circunvalação.

Em primeiro lugar, parece-me que, de facto, o Queimódromo tem boas condições “de estar”. Quero com isto dizer que permite montar equipamentos de lazer, sanitários, de entretenimento, de apoio, etc. Tudo aquilo que alguém necessita antes de uma partida sem produzir muito lixo para a rua. Coloca-se a questão do estacionamento. Mesmo tendo em conta o adjacente estacionamento do Parque da Cidade, será este suficiente?

Confesso no entanto que senti a falta da subida até ao Edifício Vodafone. Era uma “maldade” que já fazia parte da “prata da casa”, mas reconheço que era muito “puxado” e uma espécie de armadilha para quem fazia esta prova pela primeira vez. A dosagem do esforço ficou agora mais equilibrada, embora considere que a parte do percurso que antecede a passagem final na Circunvalação contém piso algo duro e com possibilidade de provocar lesões.

Por último, gostei da passagem na Circunvalação, com um senão: alguns pórticos logo na entrada no Queimódromo induziram-me em erro. Pensei ser o fim da prova, reduzi a velocidade e só quando me apercebi que não havia relógio à vista compreendi o meu engano. Lá se foram alguns segundos…

Quanto ao resto, as minhas velhas reflexões: não será que as organizações portuguesas devem ser mais rigorosas com os certificados de boa condição física? Quanta gente que ali estava fez, pelo menos, uma prova de esforço? E será que, mesmo sendo a corrida Dia do Pai, é de facto uma boa ideia correr com um carrinho com dois bebés? Eu, pai de três filhos, pergunto-me o que sucederá se, por azar, o “motor” de tal veículo tiver um qualquer episódio de desmaio, sobretudo se isso suceder numa descida? Faz-me sempre lembrar a cena da escada de «Os Intocáveis», de Brian de Palma.

E não será pertinente promover algumas “lembranças” entre os corredores, tais como: “Mesmo se ver a sua família não pare e, sobretudo, não se volte ao contrário para que lhe tirem uma fotografia”; “Tente não correr em linhas de 4, 5 ou 6. Lembre-se que há mais gente atrás”; “Se necessita de apertar os atacadores, dirija-se à berma”; etc.

Às vezes interrogo-me se precisamos de uma situação realmente grave para percebe que há muito a modificar no que toca a comportamentos. Será essa uma fatídica consequência da nossa condição de “lusitanos”?

Em resumo, é tão bom ver tanta gente a correr, tão divertida a experiência. Mas será que estamos no fio da navalha do bom senso? É que a alternativa ao bom senso são regulamentações mais ou menos impostas. Será esse o futuro do que está a suceder?

Termino, repetindo o meu habitual desabafo: faça sempre corrida, exceto se um inglês lhe perguntar qual a sua prática desportiva. Nesse caso, diga “running”…

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* – Foto gentilmente cedida por João Pena Rebelo

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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