A arte de assumir o “produto” e de criticar por tudo e por nada

abutres

As críticas ao sistema de inscrições do Trilhos dos Abutres levantou muita celeuma em Portugal, com alguns indignados com a escolha pelo sorteio. O cronista CORREDORES ANÓNIMOS Luís Sommer Riberio aborda o tema, criticando os críticos. Mas também não deixa de…. criticar os organizadores nacionais, que muitas vezes não assumem as suas provas, navegando incerto por onde a maré leva o barco.

 

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Tenho nos Abutres uma das maiores, senão a maior, referências no que a organização de provas concerne.

Até agora, acho que o trabalho que têm vindo a fazer é o mais próximo da perfeição possível.

Note-se que digo isto sem qualquer conhecimento de causa. Da organização conheço, mais de vista, apenas uma pessoa. Por isso falo apenas como participante.

É uma prova que, se eu tivesse de apontar defeitos, só me lembro daquele afunilamento na entrada para o trilho…

O que se passou no ano passado foi um exemplo de boa organização e de cumprimento de um plano.

Achei muito bom, não se importarem de receber críticas e terem atrasado o início da prova por segurança. Achei melhor ainda terem aproveitado esse tempo para alterar uma parte do percurso, para garantir a prova. Mostra preocupação com os participantes e mostra conhecimento do terreno. De outra forma, era impossível, em tão pouco tempo, levantar o plano B.

Ainda gostei mais de saber que a hora do controlo se manteve, mesmo que isso tenha posto de fora muita gente válida. É verdade que o tempo de prova ficou mais curto, mas o sol pôs-se à mesma hora…

Com isto tudo, eles mesmo assim tiveram casa mais que cheia este ano.

E, mais uma vez, não tentaram agradar a todos. Optaram por uma forma de inscrição e foram fiéis à sua ideia. Perfeito!

Sobre a justiça do sorteio, acho inquestionável… O que é melhor? Rezar para que a minha internet seja melhor que a dos outros e que o servidor não rebente com tantos acessos simultâneos?

Se no estrangeiro as provas mais concorridas são por sorteio e toda a gente concorda, e até paga por isso, porque é que em Portugal isto não é válido?

Enfim, gosto dos Abutres. Irei lá sempre que puder.

Do que mais gosto é, como disse, que são fiéis ao que têm e à sua identidade. E isso vale muito!

Irrita-me que se mude por medo ou para agradar uns quantos. Nesse sentido, a prova de São Mamede e a prova de Almourol são exemplos do que não se deve fazer. Duas provas conhecidas por serem mais corríveis, dentro das suas distâncias, decidiram atrapalhar os percursos só para não serem mais fáceis que as vizinhas… Não faz sentido! Acho mesmo que se estragaram duas provas com isso.

Nem todas as provas são a Freita! E nem toda a gente gosta da Freita! A última vez que fiz São Mamede levei sapatos de estrada para a segunda parte da prova, que dantes era quase tudo por estradão. Dei por mim a saltar muros de arame farpado, a encher chouriço, para bem da altimetria e das dificuldades. Querer dificultar 100 km é uma ideia estúpida em si mesma! São 100 km, não precisam de ser dificultados!!!!

E sobre dificuldades… Uma das modas agora que mais me chateia, não das organizações mas dos participantes, é a falta de autonomia.

Sim, eu sou das pessoas que vai para as provas comer. Mas calma lá! Esta semana vi pessoas queixarem-se da falta de abastecimentos numa prova de 15 km! Ainda por cima davam água 4 vezes no percurso e no fim laranjas, maçãs e uma feijoada…

No fundo, acho que existe uma malta que se está a profissionalizar no bota abaixo das provas de trilhos. E tudo é desculpa para malhar. Tenho pena porque temos coisas muito bem feitas cá em Portugal. Das provas do Território Centro, ao famoso Vicentino (vou lá a primeira vez este ano); do MIUT à Padela… O nosso país é lindo. Ter o privilégio de o atravessar quase todo é uma coisa fantástica.

Temos provas excelentes e para todos os gostos. É preciso que os organizadores confiem mais no produto que têm e potenciem o que têm de bom, não se preocupando com rótulos estúpidos de serem “a mais fácil” ou qualquer coisa parecida. Mas também é preciso que as críticas às provas sejam mais justas.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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