Os 4 Mosqueteiros do Ultra Trail do Marão

No último dia d´«A Semana do “não me lembro de chegar à meta de uma ultra naquele estado”», Carlos Charrua torna-se num dos quatro Mosqueteiros do Marão. Como um verdadeiro herói, corre os últimos dois quilómetros quando o corpo pedia que caminhasse. No balanço final, um “treino” que acabou por ser mais duro que esperava…

 

No último abastecimento, em S. Simão de Gouveia, praticamente nem parámos. O foco já estava só na meta e no “caroço” de quase 300m D+ que ainda tínhamos pela frente. Foi pegar em dois gomos de laranja e seguir.

A parte final tinha tudo para ser fácil. Era uma zona plana, junto ao rio, onde apenas tínhamos que rolar num caminho dividido com o pessoal da prova dos 23 km. Mas a subida anterior debaixo de um calor “anormal” e a descida quase toda em paralelo “partiram” o que ainda havia para partir.

Entretanto, juntou-se à “festa” o Paulo Carvalho e virámos os “4 Mosqueteiros”, como nos denominou um atleta da prova curta. A vontade (ou capacidade) de correr já não era nenhuma, mas, perante os olhos dos atletas dos 23 km, nós éramos heróis e herói que se preze tem que fazer jus ao nome.

Só eu sei o que me custaram aqueles últimos dois quilómetros, quando me apetecia apenas caminhar para chegar ao fim… Mas a verdade é que lá vinha a mesma conversa: «Bora lá campeões!», «Vocês são um espetáculo!», «Grandes heróis!», «São dos 100 e já aqui estão?»…

O objectivo inicial de fazer um treino duro e exigente foi largamente cumprido, pois não me lembro de chegar à meta de uma ultra naquele estado.

O Mosqueteiro Carlos Charrua ainda encontrou forças para falar com o speaker da prova no Marão

Cortar a linha final em grupo, partilhar aquela cumplicidade, com direito a fotos, a ovação e a anunciação do speaker, foi qualquer coisa de espetacular. E, no meio da multidão, lá estava ele à minha espera, o Ricardo, que foi o meu braço direito, esquerdo e mais outro se houvesse… Ele andou num virote noite e dia atrás de mim, tirou fotos, publicou nas redes sociais a minha progressão, atendeu as chamadas da Elsa e sei lá mais o quê. Aquele abraço final é sempre pequeno para revelar a minha gratidão.

Podia ter sido épico? Sim, mas pelas razões erradas. Assumo que não me agradou nada o corte e a alteração do percurso (em cima da hora), eliminando os pontos ex-libris da prova. Contudo, é mais que óbvio que as circunstâncias de segurança tinham de ser asseguradas na totalidade e correr cotas com neve até à cintura e naquelas condições meteorológicas não seria ousado, mas sim imprudente.

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Pedro Alves

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