Correr 3 Maratonas em 14 dias

Integrante do grupo Marathon Maniac, o brasileiro Sidnei Barbosa dos Santos está neste momento na Europa para concluir um desafio pessoal: correr três Maratonas em 14 dias. A primeira foi a Maratona de Barcelona.

 

No último domingo, 11 de março, realizou-se a 40.ª edição da Maratona de Barcelona, prova que, este ano, contou com cerca de 17 mil participantes oriundos de mais de 30 países. Segundo as estimativas, mais de 300 mil pessoas estiveram pelas ruas da Cidade Condal, a apoiar os corredores. Ao contrário das apostas iniciais (promoções), os recordes da prova, tanto no masculino (Jackson Kipkoech Kotut, 2h07m30, em 2010) como no feminino (Helen Bekele, com 2h25m04, em 2017), não foram alcançados. 

Como era de esperar, os vencedores foram os africanos. Na prova masculina, o Quénia ocupou os três lugares do pódio. Anthony Maritim terminou com o tempo de 2h08m08 e alcançou a sua segunda vitória na Maratona. A primeira foi em Linz (Áustria), em 2017, com o tempo de 2h09m11. Na segunda posição ficou Too Silas, com mais 18 segundos, e, na terceira, outro atleta do Quénia, Justus Kiprotich, com 2h11m38.

Na prova feminina, domínio da Etiópia, com os três lugares do pódio. A vencedora foi Ruth Chebitok, que correu pela primeira vez em Barcelona, com 2h25m49. Atrás ficaram as compatriotas Belaynesh Tsegaye, com o registo de 2h26m44, e Robi Aberash Fayesa, com 2h27m04.

No pelotão esteve Sidnei Barbosa dos Santos, que correu a sua segunda Maratona de 2018, a 34.ª da sua carreira, que já conta com 7 anos (cinco anos a correr os emblemáticos 42,195 km).

Esta é a sua crónica:

A medalha da Maratona de Barcelona decepcionou o brasileiro Sidnei Barbosa dos Santos
A medalha da Maratona de Barcelona decepcionou o brasileiro Sidnei Barbosa dos Santos

A vinda à Europa insere-se na realização de um desafio pessoal: correr 3 Maratonas num intervalo de 14 dias. No próximo domingo correrei a segunda, a Maratona de Marselha, em França, e, no dia 25, a de Treviso, em Itália. Desde novembro de 2017 que integro o grupo Marathon Maniacs, onde os corredores fazem múltiplas Maratonas durante o ano. O meu objetivo para 2018 é correr entre 16 e 18 provas. No ano passado, o meu registo foi de 10 Maratonas em 8 meses.

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Em relação a Maratona de Barcelona, o clima ajudou bastante, propiciando bons resultados aos corredores que procuravam obter as suas melhores marcas. A organização da prova foi muito boa, mas poderia melhorar em alguns detalhes, como o primeiro ponto de hidratação, muito tardio, logo após o km 6. Mesmo com bom clima, deixou muitos atletas apreensivos…

Já no restante da prova, houve boa distribuição de gel de carboidrato, amêndoas, castanha, banana, isotónico e água. Na minha opinião, o ponto mais negativo da corrida foi a medalha: pequena para uma Maratona que é a quarta da Europa e pouco trabalhada, bastante simples mesmo.

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Sobre o percurso, é praticamente plano na sua totalidade e percorre importantes e históricos pontos da cidade, mostrando a rica herança cultural de Barcelona, assim como alguma das suas principais obras arquitetónicas, simplesmente fantásticas.

De referir que “quebrei” muito cedo, concretamente no quilómetro 22, o que fez com que perdesse ritmo, aumentando o meu “pace” com o avolumar de quilómetros, até que completei a prova em sofridas 5h04. O foco agora é Marselha, onde espero ter um desempenho melhor do que o alcançado em Barcelona, pois já estou adaptado ao fuso horário e com a rotina de treinos, mas também às temperaturas do Inverno Europeu, muito baixa para nós, brasileiros.

Barcelona ficou para trás mas, para quem pondera fazer esta prova, recomendo vivamente, pois é bem organizada, com um bom percurso e a cidade é um berço cultural, muito bem explorado ao longo do percurso. Desejo retornar e reencontrar o seu acolhedor e amistoso povo em breve.

O brasileiro Sidnei Barbosa dos Santos na Praça de Espanha
O brasileiro Sidnei Barbosa dos Santos na Praça de Espanha
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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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