As “baleias” que correram 126 km no Azores Trail Run

Depois de participar no KM Vertical do Pico de manhã, Mauro Gonçalves correu no final da tarde do mesmo dia a Grande Rota dos Baleeiros, nova prova do Azores Trail Run, com 126 km. O convívio e a entreajuda, duas caraterísticas marcantes do Trail, foram essenciais para a conclusão da prova, como refere o corredor.

 

Após uma manhã duríssima no Pico, a Grande Rota dos Baleeiros – Trail Ultra XL – (GRB 126 km) afigurava-se bem difícil, já que as previsões não eram nada animadoras. No entanto, a partida foi das mais memoráveis, com uma bela “subidinha” deslumbrante perto do mar, no Posto Baleeiro do Salão (Faial), seguindo em direção à freguesia dos Cedros e passando pela vigia da baleia dos Cedros. Iniciar uma aventura daquelas com imenso público e um excelente abastecimento, mesmo antes de começar a correr, é algo inédito e a repetir…

Em cada abastecimento tivemos direito a uma bela festa e, como segui toda a noite com o pessoal do Clube Independente Atletismo Ilha Azul, à sua passagem tínhamos uma ovação ainda maior… Fazer grande parte da prova em grupo tornou os 126 km muito mais agradáveis, com convívio permanente e imensa entreajuda.

Na chegada à Horta levávamos cerca de 68 km, com 2180 metros de Desnível Positivo. A noite, embora ventosa, tinha-se mantido amena e as 8 horas e meia tinham passado muito rápido. A tempestade, a partir daqui, aliada à extrema dureza do percurso, começou a esmorecer as tropas, porque os mais de 3200 de D+ foram feitos em condições atmosféricas adversas e com piso técnico enlameado.

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Na ascensão à Caldeira, o grupo foi-se separando naturalmente porque os ritmos já eram bem diferentes e todos desejavam ultrapassar as enormes dificuldades o mais depressa possível.
Já passei algumas vezes pelo percurso do “Trail dos 10 Vulcões”, mas cada vez que o percorro sinto emoções diferentes. Desta vez ia muito desgastado porque o Sol começava a dar um ar da sua graça e o calor “mata-me”, mas abrandar pioraria ainda mais a minha condição física.

Nomear alguém no meio de tantos os que tornaram esta aventura possível seria tremendamente injusto, porque, desde o momento que aterrei na Ilha da Terceira, que a minha viagem foi um sonho tornado realidade. Quem nunca o vivenciou procure fazê-lo já em outubro no Azores Triangle Adventure. Se acharem chato, algo de grave se passa na vossa mente…

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Quem participa numa destas aventuras muda irremediavelmente. Já estive em várias aventuras duríssimas, mas o KM Vertical do Pico conjugada com os cerca de 130 km da Grande Rota dos Baleeiros exigiu TUDO de mim, mas também me tornou muito mais forte e resiliente. A todos os que partilharam comigo esta aventura, seja como atleta ou como voluntário, a minha profunda admiração, principalmente porque a Natureza colocou-nos todos à prova a cada segundo.

Eternamente agradecido!

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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