Treinos Lunares: correr com a Lua Nova ou a Lua Cheia sobre nós

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Treinos Lunares. Já fomos a Guimarães (Guimarães Corre Corre), ao Barreiro (BRRnightRUNNERS) e ao Porto (Invicta Runners Team). Agora descemos novamente Portugal para corrermos entre a Costa da Caparica e a Fonte da Telha, na praia, sob a Lua e as estrelas. É o quarto “capítulo” d´«A SEMANA DOS GRUPOS DE CORRIDA».

 

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Dos primeiros a agendar corridas regulares abertas a todos nas redes sociais, o grupo Treinos Lunares começou a sua existência em 2011. Quem participa diz que é uma experiência única, já que as sessões decorrem sempre em noites de Lua Cheia e Lua Nova, entre a lota da Caparica e a Fonte da Telha, às 20h30. Sensações mágicas são sentidas no areal da costa, garantem muitos.

«Há qualquer coisa de mágico em correr na praia à noite com a maré vazia, o barulho do mar, as estrelas ou a Lua, as luzes de Lisboa ao longe, ainda mais se a noite estiver de feição, com pouco vento. É realmente uma experiência inesquecível, quem experimenta fica convencido», garante Paulo Pires, que recorda com orgulho que o grupo já realizou mais de 100 treinos, um número também ele mágico, um número redondo sempre marcante em qualquer situação.

Sem magias, Paulo Pires, que cede as imagens deste artigo, revela sem truques alguns dos pormenores dos treinos, «que juntam, de uma forma bastante informal, um grupo de pessoas para correr na praia à noite, durante o Inverno, e ao final da tarde, no Verão. Correr e ver o pôr do Sol sobre o mar é uma experiência inesquecível».

«O percurso é de 30 minutos em direção à Fonte da Telha e depois mais 30 minutos para regressar à lota da Caparica. Como o trajeto é simples e feito por tempo, é acessível a qualquer pessoa, inclusivamente caminheiros. Todas as pessoas podem participar, basta aparecer.»

Todavia, e ao contrário do esperado, Paulo Pires salienta que não é a corrida que move a maioria dos participantes, mas o convívio pós-treino, «em que partilhamos os petiscos que cada um leva», o que leva o treino a terminar muitas vezes por volta das 22h30, por exemplo. «É preciso ter algum cuidado para não repor o dobro das calorias que se gastaram no treino», diz entre risos o fundador.

«Falamos de provas, de treinos, revemos amigos, ouvimos e contamos aventuras. É a melhor parte da noite. Todos são bem-vindos ao Treinos Lunares. Mesmo que inicialmente não conheçam ninguém, rapidamente serão integrados no grupo e se sentirão entre amigos.»

O grupo na verdade foi criado desde a sua origem com essa filosofia, uma forma de conhecer e juntar corredores. Paulo Pires alude que há imensas pessoas a correr no paredão da Costa da Caparica, «a solo». Algo que não se justifica segundo o mesmo.

«Aprende-se muito mais convivendo com outras pessoas que gostam de correr, partilhando experiências e fazendo novos amigos. A verdade é que essas pessoas podem continuar a fazer os seus treinos individuais, mas, quinzenalmente, nas noites de Lua Nova e Lua Cheia, sabem que podem aparecer para uma agradável noite de corrida e convívio.»

treinos lunares

O idealizador revela ainda que o êxito do grupo é inequívoco, algo comprovável pelos participantes dos treinos, oriundos de vários pontos da Grande Lisboa, inclusive, por exemplo, de Sintra, «que fazem questão de participar sempre que podem».

Uma das caraterísticas do Treinos Lunares é não ter um dia fixo de treino, «já que as luas nunca calham no mesmo dia». Ou seja, os eventos acabam por percorrer todos os dias da semana.

«Há quem prefira os fins-de-semana, há quem goste mais dos dias de semana. Há um núcleo duro que raramente falha um treino, mas também há muitas dezenas de amigos que aparecem espaçadamente, o que é ótimo para colocarmos a conversa em dia. Acredito que parte do sucesso deste grupo se deve ao descomprometimento do treino. No fundo, o Treinos Lunares acaba por agradar a todos.»

Paulo Pires garante também que o objetivo do grupo não é ter muitos nem poucos participantes, que o objetivo primordial é repetir o ritual que rege desde sempre o Treinos Lunares: «Treinar, conviver e divertirmo-nos.» Ritual que é mantido em média por 50/60 pessoas, mas que pode chegar a 100, 200 e até mesmo 300 corredores. «Quando somos poucos conseguimos conviver, falar com toda a gente. Quando somos muitos o ambiente também é fantástico, mas é mais complicado conviver com todos. O que nos importa é que apareçam, muitos ou poucos. E que tragam bons petiscos, que quem não é para comer não é para correr…»

Deste modo, o convite fica sempre aberto para quem desejar participar num treino lunar:

«Venham experimentar correr na praia à noite e participar num saudável convívio com os petiscos que cada um traz. Todas as noites de Lua Cheia e Lua Nova, na lota da Costa da Caparica, às 20h30, uma hora de corrida ao ritmo de cada um, seguido de um piquenique. O calendário anual está na página dos Treinos Lunares, mas convém seguir a página do Facebook, pois, por vezes, alteramos a data quando interfere com eventos em que esperemos a participação de muita gente.»

O convite está portanto feito. Além de correr, fica a certeza de que o interessado participará em algo realmente mágico, sempre sob o romântico olhar da Lua, mesmo quando ela supostamente está escondida. De referir que este grupo inclusive já juntou pelo menos um casal, que se conheceu nas areias da Caparica, sob a égide e a magia da Lua.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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