Tenho dorsal para trocar, interessado?

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Geógrafo, Carlos Simões, de 36 anos, natural de Coimbra a residir em Oeiras, corredor desde os 14 anos devido ao excesso de peso (pesava 96 kg…), criou recentemente uma página no mínimo curiosa no Facebook: «Dorsais e outras coisas mais», um local onde podemos comprar ou trocar dorsais. «E outras coisas mais»…

 

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«O grupo “Dorsais e outras coisas mais” foi criado há alguns dias, impulsionado pela constante publicação de anúncios de compra e venda de dorsais noutros grupos do Facebook relacionados com a corrida, principalmente aquando da aproximação da Meia-maratona de Lisboa», afirma Carlos Simões, que garante que o espaço não é para ser encarado como uma mera diversão. «A ideia não é a de promover a troca de dorsais em detrimento das inscrições normais e muito menos a troca de dorsais ilegais, com as implicações que isso acarreta, nomeadamente os riscos dos participantes correrem sem seguro. Este grupo destina-se à troca, à compra e venda de dorsais em que é possível alterar os dados de inscrição na organização das respetivas provas, para que se possa participar devidamente na corrida e com seguro.»

O geógrafo recorda que o azar está sempre à espreita e por isso um imprevisto ou uma lesão poderá impedir muitas pessoas de participarem numa prova para qual estavam inscritas.

«Por outro lado, como muitas provas esgotam as inscrições, há sempre interessados de última hora que só desta forma conseguem obter inscrição», salienta.

Mas, como diz o próprio nome do grupo, este não é apenas para troca e compra de dorsais. Há ainda o «E outras coisas mais»…

«Por exemplo, a partilha de carro, da viagem e até do alojamento entre os corredores que vão participar na mesma prova, diminuindo assim as despesas e tendo como vantagem o usufruir de companhia na viagem e estadia. Cada vez há mais atletas a deslocarem-se por todo o país e ao estrangeiro. Este grupo pode funcionar como ponto de encontro para todos. Excluem-se do grupo a compra e venda de material desportivo, pois já existem vários grupos para esse fim, bem como qualquer outra publicação fora deste âmbito.»

Questionado sobre como surgiu a ideia de criar o grupo, Carlos Simões afirma que a mesma apareceu de forma natural, fruto das suas consultas diárias aos grupos que frequentemente visita no Facebook.

«Deparei-me com o mesmo anúncio repetido duas ou três vezes e em dois ou três grupos diferentes. A ideia era reunir essa informação num único sítio, tornando-a mais fácil de localizar, tanto para quem disponibiliza como para quem procura dorsais.»

O geógrafo acredita que a troca de dorsais ainda não é um negócio no Mundo da Corrida, destacando que, «na grande maioria dos casos, os mesmos são cedidos a troco do seu preço de custo. Assim, quem o disponibiliza não tem prejuízo. Muitas vezes o dorsal é cedido a preço inferior ao praticado no momento pela respetiva organização da prova, pois os preços variam gradualmente de acordo com os períodos de tempo que antecedem as provas. E há ainda quem os ofereça».

Mas Carlos Simões tem consciência de que o outro lado da moeda também existe, embora de modo «marginal», acredita.

«Há sempre uns oportunistas, chamemos-lhes assim, que obtêm dorsais de patrocinadores ou em passatempos e depois tentam fazer dinheiro com a sua venda (…) Tenho conhecimento também de quem tente ganhar dinheiro com a venda dos prémios de inscrição, nomeadamente as camisolas oferecidas nas provas. Hoje em dia há mercado para tudo… (risos)»

As negociações no grupo «Dorsais e outras coisas mais» são feitas entre os interessados e normalmente pela via de mensagem privada. «E são exclusivamente da responsabilidade entre as duas partes», faz questão de salientar o nosso entrevistado. «Gostava que este grupo terminasse com a dispersão de anúncios pelos vários grupos de corrida no Facebook e que fosse o ponto central para quem pretende ceder ou encontrar dorsal para uma prova. Tenho ainda como ambição que este grupo sensibilize as organizações de provas a permitirem a troca de dados de inscrição entre atletas, pelo menos até uma semana antes da prova. Seria útil para todos! Os atletas poderiam participar devidamente inscritos e com seguro e as organizações não se deparavam com faltas ou “intrusos” no dia da prova, com corredores que correm inscritos com outro nome, mas também aqueles que participam nas provas, como se diz na gíria, “à pirata”, ou seja, sem inscrição.»

Como qualquer corredor, Carlos Simões guarda carinhosamente os seus dorsais, que acabam por recordar a prova em si que concretizou, mas também os treinos e o seu passado, de como tudo começou.

«Sou corredor desde os 14 anos, quando pesava 96 kg. Nessa altura decidi que não queria viver mais naquele corpo e com aquele peso, não queria ser vítima de bullying, de ser gozado pelos colegas da escola, não queria ser olhado de lado pelas pessoas na rua. Queria apenas ser normal! Disciplinei a minha dieta e comecei a fazer exercício físico. No início, sem tempos, sem distâncias, sem regras e com paragens. A força de vontade foi determinante para perder peso, assim como o controlo da alimentação. Muita gente alia-se à corrida para perder peso e esquece-se do fundamental, a alimentação, que passou assim de inimiga a aliada e a corrida passou de um sacrifício a um prazer.»

Hoje com 67 kg, e depois de passagens pela natação e o ciclismo, Carlos Simões relembra a prova que acabou por lhe revolver o espírito em definitivo para a corrida, a Corrida do 1.º de Maio. Desde então, mostra ser um corredor bastante disciplinado.

«Tenho procurado fazer o trabalho bem feito, com a ajuda dos profissionais do treino do Centro Nacional de Marcha e Corrida do Jamor. Procuro evitar dar “passos maiores do que a perna”. Gosto de variar entre provas de estrada e provas em trilhos. Até ao momento tenho feito mais provas de 10/15 Kms, além de várias Meias-maratonas e provas de Trail até 30 km.»

Mas os objetivos em 2015 são experimentar distâncias maiores, quer em estrada quer em trail. Fez recentemente os 65 Km do Ultra Trail de Conímbriga Terras de Sicó e agora prepara-se para Maratona de Madrid, em Abril, e a Maratona de Lisboa, em Outubro.

«Os objetivos de cada ano são sempre imprevisíveis, mas não tenciono fazer dessas distâncias a minha rotina. Considero que são muito propícias à ocorrência de lesões e exigem muita dedicação e disponibilidade de tempo para treinos», conclui.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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