Samuel Barata admite que há um fosso entre a elite e os atletas portugueses

Melhor português pelo segundo ano consecutivo na Meia-maratona de Lisboa e sexto da classificação geral, Samuel Barata não se deslumbra com a sua posição: «Infelizmente ainda há um fosso de três, quatro minutos entre os melhores portugueses e os habituais vencedores.»

 

Samuel Barata está satisfeito com o seu tempo (1h03m52) e classificação na Meia-maratona de Lisboa (sexta posição), assim como vê com bons olhos Portugal ter colocado três atletas no Top 10 da prova (Hélder Santos, com 1h05m00, e Bruno Paixão, com 1h05m09, alcançaram o nono e o décimo lugar, respetivamente).

No entanto, realista, o atleta do Benfica admite que, este ano, «houve menos atletas de nível mundial na competição. Infelizmente ainda há um fosso de três, quatro minutos entre os melhores portugueses e os habituais vencedores».

Mas Samuel Barata não deixa de destacar que os resultados são positivos para o Atletismo nacional, ainda mais quando, na sua perspetiva, «é praticamente impossível estar ao nível dos melhores do mundo». O que não acontece a nível europeu: «Os nossos resultados são muito bons e acredito que vão melhorar», sentencia.

LEIA TAMBÉM
Samuel Barata defende que a preparação para o Cross é benéfica para a Estrada

Ao olhar para a edição de 2016, quando foi pela primeira vez o vencedor português da corrida no segundo ano como participante, Samuel Barata acredita que houve uma grande diferença entre o “triunfo” do ano passado e o do passado dia 19 de março:

«No ano passado, por esta altura, vinha de um bom período de treino mas os resultados não estavam a aparecer. Os Nacionais de Corta-mato não me tinham corrido muito bem (NDR: quinto colocado no curto e desistência no longo) e fui com pouca confiança para a Meia-maratona. No entanto, transcendi-me e fui o melhor português. Este ano foi tudo muito diferente… Eu e o meu treinador preparámos melhor a minha época de treino e competições, tendo como objetivo estar na melhor forma possível nos Nacionais de Cross e na Meia. Realizei cinco, seis semanas de treino muito boas e consegui chegar mais confiante e na melhor forma aos dois eventos

LEIA TAMBÉM
Um não-africano vence a EDP Meia-maratona de Lisboa

Sobre o triunfo de Jake Thomas Robertson (1h00m01), que causou alguma surpresa na grande maioria dos praticantes e admiradores da Corrida, Samuel Barata confessa que não ficou estupefato com a vitória do neozelandês, já que Robertson, juntamente com o seu irmão gémeo, tem alcançado excelentes resultados nos últimos tempos.

«Eles são grandes atletas. Aliás, não se pode dizer que ambos não “sejam” africanos, já que os dois vivem no Quénia desde 2009 e têm o mesmo estilo de vida e de treino dos quenianos. Passados estes anos todos, finalmente os resultados estão a parecer. Mas é verdade que é sempre um “não-africano” a ganhar a Meia-maratona, algo muito bom, já que prova que podem haver atletas “não-africanos” ao mesmo nível dos africanos

Gostaste do artigo? Faz Gosto ou Partilha com os teus amigos!
Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

Gostou? Partilhe pelos amigos