Rui Martins: «A minha vida foi uma competição devido ao que passei»

Devido a uma conversa com o amigo Miguel Carneiro, que concluiu três Ironman sem descanso, Rui Martins, de 32 anos, decidiu desafiar a si próprio, concretamente a correr uma prova de 48 horas sem parar, algo que acontecerá brevemente no Reino Unido.

 

Rui Martins revela que o projeto de correr 48 horas surgiu após uma conversa com o triplo Homem de Ferro Miguel Carneiro, «onde falámos sobre o estilo e as formas de corrida que mais gosto de correr, aquelas onde o meu corpo se sente melhor. Apesar de adorar correr e, principalmente, de ter objetivos diferentes e muito específicos, cheguei a conclusão de que nunca tinha pensado dessa forma… Ajudo outros atletas a correr, visto ter a licenciatura em Deporto na especialidade de Atletismo, ajudo-os a encontrar as distâncias, os ritmos e os estilos para que se sintam o melhor possível quando correm, mas a verdade é que não fazia isso para mim, nunca tinha pensado assim. No fim da conversa, e com o Miguel a incentivar a entrar neste desafio, ficou decidido que, se alguém ajudasse financeira e tecnicamente, iria fazer as 48 horas a correr sem parar num circuito fechado.»

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48 horas, quando o máximo que correu foi 16 horas. Não era melhor começar pelas 24 horas?
Seria hipócrita e mentiroso se disse que aceitei este desafio só para me superar. Basicamente, há três motivos para correr as 48 horas: fazer algo diferente do normal; fazer com que certas pessoas que passaram pela minha vida e que me meteram rótulo e prazos de validade no desporto devido a doença que tive vejam que estavam erradas; e, por fim, ter algo para contar aos meus filhos quando tiverem desafios ou mesmo contratempos na vida, ser eu a referência deles nessas alturas menos positivas das suas existências.

Uma corrida contra a vida sedentária

No entanto, Rui Martins admite que estes desafios também servem de motivação para os treinos, algo sempre importante para qualquer corredor, seja ele profissional ou amador. «Visto não poder treinar com o objetivo de alcançar tempos magníficos nas Maratonas, Meias-maratonas, etc., procuro diferenciar-me pelas distâncias que corro», refere com seriedade. Mas correr e concluir este tipo de provas vai muito mais além do aspeto desportivo para Rui Martins.

«Serve para manter-me vivo em competição, mas também na vida… A minha vida foi uma competição devido ao que passei. Entre uma vida ativa desportiva e uma vida sedentária se não lutasse, parece que, pelo menos até agora, estou a ganhar…»

NÃO PERCA A TERCEIRA PARTE DA ENTREVISTA NA QUARTA-FEIRA 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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