Procura bebidas que deem asas? Tome antes um cafezinho!

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No terceiro dia d´«A Semana d´Os Mitos que Comemos», livro editado pela Matéria Prima, o nutricionista Pedro Carvalho continua a desconstruir vários “mitos urbanos”. Agora é a vez do “duelo” entre café e bebidas energéticas. Qual devemos beber para melhorar a nossa perfomance?

 

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É um chavão que de facto vende bem e que nunca importou às marcas dessas bebidas desmentir! Aliás, um dos mitos urbanos mais famosos de sempre é o do jovem basquetebolista que morreu depois de beber algumas latas destas bebidas…

Respondendo então à questão essencial: A quantos cafés equivale uma lata (250 ml) de uma bebida energética? A um (sim, leu bem), um café, podendo até ter menos cafeína do que um café cheio. Aproveitando o embalo, fica também a nota de que um café cheio tem mais cafeína do que um café curto (mesmo que o último seja mais concentrado, o valor total de cafeína é tanto maior quanto maior o volume de café ingerido).

Ainda assim, o marketing destas bebidas não se cinge ao seu teor de cafeína, pois afinal também possuem taurina (um aminoácido que vende pelo nome) e também glucoronolactona (o que quer que isso seja!).

Começando pela taurina, ao contrário do que possa ocorrer no nosso imaginário, ela não nos dá uma força de touro, é apenas um aminoácido que intervém em vários processos no nosso organismo (osmorregulação, neuroproteção, regulação do cálcio intracelular, etc.), mas nunca foi provado qualquer tipo de efeito na performance cognitiva. Aliás, foi mesmo verificado num estudo (apesar de ter sido feito com cápsulas e não com a bebida em si) que a taurina pode inclusive diminuir o papel positivo da cafeína a este nível.

Já a glucoronolactona é um metabolito formado no fígado a partir da glicose cujo efeito ao nível da performance cognitiva e atlética é até ver inexistente.

Ou seja, aquilo que podemos afirmar sobre as bebidas energéticas é que, de facto, a sua ingestão moderada e ocasional (para além de cada lata equivaler a um café, possui também quatro pacotinhos de açúcar no seu interior) não acarreta riscos de maior para a saúde, mas o seu efeito benéfico na nossa performance, quer física quer mental, se deve única e exclusivamente à cafeína, pois todos os seus outros compostos são totalmente irrelevantes a este nível.

Uma questão que pode preocupar é a conjugação cada vez mais em voga destas bebidas com o álcool. Se, ao nível da desidratação, cafeína e álcool em excesso atuam em conjunto, os seus efeitos no sistema nervoso central já são antagónicos pois este é estimulado pela cafeína e deprimido pelo álcool. Na prática, com esta interação, o indivíduo pode continuar a beber álcool sem percecionar os efeitos deletérios do mesmo na coordenação motora e tempo de reação visual (no fundo pensa que está bem quando de facto já não está).

Em suma, não podemos dizer que as bebidas energéticas são uma mentira bem contada porque o seu efeito de facto está lá. Mas não espere mais do que se tomar um cafezinho!

Take home messages
– Não há nenhum risco em ingerir esporadicamente bebidas energéticas, não espere é ganhar asas!
– Tente não se exceder na sua mistura com bebidas alcoólicas.
– Se de facto se sente mais revigorado com estas bebidas do que com o tradicional café, então continue! Mas lembre‑se que possuem açúcar e mesmo das versões light não convém abusar…

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Pedro Alves

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