Paulo Paula defende que alguns atletas da Maratona estão a brincar com a vida

O brasileiro Paulo Paula, melhor atleta do Brasil na Maratona dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, atleta do Belenenses em Portugal, defende que o escocês Callum Hawkins “brincou” com a vida na Maratona da Commonwealth Games.

 

Como referiu Ricardo Ribas na segunda-feira para o nosso site (clique mais abaixo), Paulo Paula defendeu que as organizações devem olhar com mais cuidado para os atletas, relegando para segundo plano a ditadura das transmissões televisivas.

No entanto, o brasileiro salientou ao mesmo tempo que é importante os próprios atletas perceberem até onde podem ir. No caso em concreto de Hawkins, Paulo Paula acredita que o escocês foi longe demais.

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«Durante a corrida, ele acabou por fazer a pior opção possível, colocando inclusive a sua vida em risco. Por exemplo, se sei que vou correr uma Maratona a 32 graus, tenho de rever toda a minha corrida, apesar de nós, atletas, vivermos do risco. Quando ele alcançou o km 30, 32, no estado em que se encontrava, talvez devesse ter reduzido o ritmo, ainda mais devido a boa distância que tinha para com o segundo colocado. E mesmo assim, com um ritmo mais baixo, ele chegaria certamente entre os cinco primeiros. Mas tentou arriscar e acabou por correr mal. Mas acredito que ele jamais pensou , em nenhum momento, que iria viver aquela situação», defendeu Paulo Paula.

Paulo Paula não arrisca nas Maratonas

O brasileiro revelou ainda qual a estratégia que costuma utilizar nas suas Maratonas, revelando que decide o final da sua corrida entre os quilómetros 30 e 35.

«Quando corro uma Maratona costumo utilizar uma estratégia. Geralmente, arrisco até aos 30 km e analiso a prova. Se tiver forças, ataco, procuro alcançar as primeiras posições ou liderar a prova, caso contrário prefiro não arriscar. Não vale a pena correr o risco que o atleta da Escócia correu na Commonwealth Games, que foi a sua própria vida. Por exemplo, na Maratona do Rio de Janeiro, nos Jogos Olímpicos, também estava a contar com a sorte, devido ao forte calor e a enorme humidade. Se alguém “quebrasse”, eu poderia alcançar o Top 5, se ninguém “quebrasse”, procuraria manter a minha posição. É a Maratona…»

O atleta do Belenenses recordou ainda que este caso foi o segundo em oito dias, o que deve ser olhado com cuidado por todos:

«Este caso é triste porque é o segundo caso em uma semana, com os atletas a buscarem os seus próprios limites, mas não respeitando o seu próprio corpo, procurando chegar de qualquer modo, nem que coloque a sua vida em risco. Na recente Maratona de Hannover vimos um atleta a cruzar a meta de joelhos… É uma estratégia, um jeito de correr onde o risco é muito grande. Eu não arrisco! Se no km 32, 36 vejo que não estou bem, diminuo o ritmo até o fim.»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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