Núria Picas, da proximidade da morte até à vitória no UTMB

É verdade que Françoise D´Haene, ao derrotar Kilian Jornet, foi um dos nomes do UTMB. No entanto, o principal talvez tenha sido a espanhola Núria Picas, já que, em maio, esteve entre a vida e a morte, após sofrer uma pneumonia quando procurava alcançar o topo do Makalu. Três meses depois venceu a principal prova do Trail mundial.

 

Núria Picas (2 de novembro de 1976) é uma das principais ultramaratonistas dos últimos anos. Entre os seus mais variados títulos, nota para o triunfo no Campeonato do Mundo de 2012 e vencedora das duas primeiras edições da Ultra Trail World Tour, o que comprova a sua regularidade ao longo dos anos. Bombeira de profissão, a espanhola costuma treinar nas montanhas ao redor de Berguedà, região da Catalunha.

Deste modo, era com naturalidade que a espanhola fosse uma das favoritas ao triunfo na edição deste ano do UTMB, ainda mais quando, no seu curriculum, tinha dois segundos lugares na prova, alcançados em 2013 e 2014 (um abandono em 2015). No entanto, poucos acreditavam que Picas seria capaz de alcançar esse feito, tudo devido a uma situação dramática que passou no último mês de maio, em Makalu, a quinta montanha mais alta do mundo (8485 metros), nos Himalaias. Como a própria admite, esteve muito próxima da morte…

 

Núria Picas em Makalu
Núria Picas em Makalu

 

Núria Picas na “zona da morte” do Makalu

Em declarações à imprensa espanhola, a recente vencedora do UTMB falou que esteve no limite entre a vida e a morte, tudo devido a uma pneumonia a 7800 metros que a impediu de caminhar.

«O facto de estar por cima da denominada “zona da morte” nas montanhas fez com que o efeito do vírus se multiplicasse. Na ocasião, tive dores brutais no peito. Os meus pulmões ficaram tão inflamados que oprimiram a minha respiração. Durante 9 horas senti como se tivesse uma faca cravada no meu coração.»

 

Núria Picas recupera da sua pneumonia em Katmandu
Núria Picas recupera da sua pneumonia em Katmandu

 

Picas conseguiu descer por ela própria, mas foi obrigada a ser evacuada por helicóptero para um hospital de Katmandu. A atleta da Buff admite hoje que sobreviveu devido ao seu instinto de sobrevivência e a sua boa capacidade física. «Se tivesse ficado mais um pouco, a pneumonia derivaria para um edema pulmonar.»

O inesperado triunfo no UTMB

Quando regressou, evidentemente que Núria Picas ficou muito bastante fragilizada fisicamente. Como consequência, poucos acreditavam que a catalã conseguiria recuperar tendo em vista o seu segundo objetivo da época, precisamente o triunfo no UTMB, após ter alcançado dois segundos lugares. Além da satisfação em si de vencer a corrida, não podemos ignorar que, em Espanha, um dos países do Trail mundial, o triunfo no setor feminino era algo enormemente ambicionado, já que nenhuma espanhola tinha alcançado a vitória em Chamonix.

 

O material de Núrica Picas no UTMB
O material de Núrica Picas no UTMB

 

E a verdade, e a surpresa, é que poucos acreditavam que o triunfo fugiria a atleta, tal o domínio de Picas ao longo de toda a prova. No entanto, com dores no estômago e um inesperado ataque de asma («Passou-me algo que nunca aconteceu no passado. Talvez devido a emoção por poder ganhar, tive um ataque de asma, não podia respirar nem correr, agonizei durante 10 quilómetros. Não conseguia correr. Foi a corrida mais dura da minha vida. Acredito que foram os nervos por poder vencer. Ganhar a UTMB é o que todo corredor sonha», referiu após a corrida), a suíça Andrea Huser conseguiu reduzir uma desvantagem de 45 minutos para três minutos, três minutos que garantiram o triunfo da espanhola no UTMB, um triunfo que fez questão de conquistar ostentando a bandeira da Catalunha, já que Picas é uma acérrima defensora da independência da Catalunha (veja aqui uma entrevista a corredora espanhola).

 

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Publicado por Ultra Trail du Mont Blanc – UTMB em Sábado, 2 de Setembro de 2017

 

Conquistado o ambicionado triunfo no UTMB, Picas vai agora atacar o Ultra Pirineu em três semanas. No entanto, a catalã já pensa no próximo ano, onde pretende correr a Hardrock. Caso não seja sorteada ou escolhida pelos organizadores, pretende disputar a Western States. Depois da Europa, é hora de conquistar os Estados Unidos…

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Pedro Alves

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