A mentalidade certa para cada corrida

 

A prática de qualquer desporto sempre envolve dois atributos principais, a capacidade física e a capacidade mental. A grande maioria dos atletas nunca esquece de cuidar da primeira, já que ela é a parte mais visível e direta para avaliar a nossa perfomance, mas muitos estão a se esquecer de cuidar da segunda. 

 

O dito “mente sã em corpo são” apareceu na Grécia Antiga há milénios e não poderia estar mais correcto. Inclusive, a parte mental é tão importante que correr com a mentalidade errada pode até mesmo vir a prejudicar o corredor. Além de manter a mente tranquila e focada na corrida, cada modalidade deste desporto precisa ser encarada de uma forma e com uma mentalidade e estado mental diferente.

Para entender melhor o conceito, pode-se fazer uma analogia com o póquer. A mentalidade correta para uma partida de Zoom, uma modalidade nova e rápida do desporto, é diferente da mentalidade para um torneio, que normalmente tem Main Events com rodadas que podem durar de várias horas a diversos dias. Em Zoom, assim como em corridas de pista com distâncias curtas e um pequeno período de tempo, o objectivo principal é entrar com a mente totalmente focada em fazer o melhor possível com o que se tem naquela hora sem se preocupar com reservas. 

Não há tempo para perder ficando a pensar em outras coisas e tudo será necessário exatamente para aquele momento. Não faz sentido guardar qualquer coisa para o futuro ou conservar energia para a próxima corrida, o tempo de duração da prova é curto demais para isto.

A mentalidade correta aqui é foco e gasto de energia total. Existe apenas uma oportunidade rápida por corrida e é preciso prestar atenção para a aproveitar ao máximo. E, se algo der errado uma determinada vez, basta apenas passar rapidamente para a próxima ocasião.

Já para um torneio com longa duração, ou para uma Maratona, Meia-maratona ou até mesmo Ultramaratona, a mentalidade é completamente diferente. O tempo da corrida é longo e é preciso manter uma mentalidade consistente para conseguir aguentar toda a prova.

Assim como um atleta de póquer foca em se manter constante para ganhar cada mão, cada rodada e finalmente cada mesa até conseguir conquistar o torneio, é preciso fazer o mesmo com objectivos arbitrários definidos para a corrida.

Foco é o segredo de uma melhor perfomance

Apesar de não ser competitivo, o romancista Haruki Murakami, no seu livro «Auto retrato do escritor enquanto corredor de fundo», repleto de ensaios sobre o desporto, fala do seu amor por atingir os objectivos que ele mesmo fixou e como as corridas de longa distância “caem como uma luva” para quem tem a mesma vontade

Uma Maratona tem 42,195 quilómetros e uma Meia-maratona tem 21,098. Então, antes de começar a corrida, o atleta deve dividi-la e fixar cada uma das distâncias que quer alcançar como um de seus objetivos e se manter focado para conseguir alcançar cada um deles.

Enquanto pensar em outras coisas pode custar a vitória numa corrida de duração curta, em corridas de longa duração não há problema em deixar a mente vagar ou até mesmo “sumir”, sendo essa evasão até mesmo encorajada para ajudar a conservar energia física e mental, desde que não se esqueça do próximo alvo. 

Considerando tudo isto, a mentalidade correta para as corridas de longa distância só pode ser a de manter o passo constante, com um foco apenas para atingir cada uma das metas anteriormente determinadas, até finalmente completar a prova.

Ao ter consciência exata do tipo de estado mental para completar cada tipo de prova, seja ela de curta ou longa duração, e se manter atento a esse mesmo estado mental, qualquer corredor experimentará uma série de benefícios e poderá estar a fazer corridas cada vez melhores.

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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