Guimarães Corre Corre: «Guimarães não é uma cidade de corredores»

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A corrida já deixou de ser moda há algum tempo. A prova disso são os inúmeros grupos existentes um pouco por todo o lado. Evidentemente, o Facebook é um ponto de encontro desses grupos, que utilizam a principal rede social do momento para agendar treinos e trocar impressões com os seus praticantes. O CORREDORES ANÓNIMOS vai abordar esta semana esses grupos, com a denominada «A SEMANA DOS GRUPOS DE CORRIDA». O primeiro é o Guimarães Corre Corre.

 

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O Guimarães Corre Corre é um dos novos grupos de corrida surgidos nos últimos tempos. O primeiro treino aconteceu a 22 de dezembro de 2014 e contou com 12 corredores, além de dois dos quatro membros da organização, 14 pessoas que desbravaram as escadas, as ruas, as ruelas, as vielas, o Castelo e os Paços dos Duques da cidade, com partida e chegada na Plataforma das Artes, um grupo que pretendeu revisitar todos os cantos e recantos da cidade a correr, uma filosofia que ainda vigora passados cerca de cinco meses. E com enorme êxito…

«O Guimarães Corre Corre (GCC) é uma iniciativa voluntária, gratuita, informal e popular que tem como objetivo dar a conhecer a cidade de Guimarães e a sua história em passo de corrida. É importante também para nós, organizadores, promover hábitos da prática da corrida como forma saudável de socializar, mas ainda de abrir caminho a novos participantes e atletas, uma forma de descomprimir das provas de fim-de-semana», refere o técnico de informática e comunicações da Universidade do Minho, Mauro Fernandes, de 40 anos, um dos fundadores do GCC, também ele praticante de trail e corrida, além de organizador de eventos desportivos de trail.

Os restantes três fundadores do GCC são José Capela, reconhecido e experiente praticante de trail e corridas em geral que já organizou alguns eventos de corrida solidários e gratuitos, por exemplo, contabilista de profissão, coincidentemente a mesma profissão de Jorge Lemos, outro praticante de trail. O último fundador é Pedro Fernandes, corredor e ciclista de BTT, professor de Educação Física, um elemento ativo na promoção do desporto nas escolas, mas também na promoção de desportos de ar livre, já que é membro da associação sem fins lucrativos ERDAL.

«O GCC não nasceu de uma necessidade, mas antes de vontades. O José Capela pretendeu iniciar uma rotina de treinos ligeiros na cidade, valorizando os aspetos já referidos. Apresentou a ideia e imediatamente os restantes elementos do que viria a ser o GCC compreenderam o potencial do seu projeto. Todos, sem exceção, acreditaram que faríamos algo diferente.»

E a diferença vê-se nos números, com os treinos do GCC, habitualmente às segundas-feiras, a rondarem hoje, cinco meses depois dos 14 “conquistadores” iniciais, uma média de 250 pessoas, embora este número já tenha sido ultrapassado aqui e ali. Sempre às segundas-feiras.

«Evidentemente que estamos satisfeitos com a adesão, mas os nossos objetivos não passam pelos números. Queremos melhorar as questões técnicas e de organização do treino em si para podermos crescer sem perdermos a eficácia e a qualidade a que os nossos participantes estão habituados. Procuramos responder às suas necessidades e pedidos com a maturidade necessária. O primordial é evitar erros de planeamento.»
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Em relação ao percurso em si, há pelo menos cinco/seis trajetos diferentes. Mauro Fernandes refere que os quilómetros são impostos pelo ritmo dos participantes e dentro da hora destinada para o efeito.

«Apesar de haver muitos mais aspetos de diferenciação, pensamos ser esta uma das fórmulas de sucesso, o que nos diferencia da grande maioria de iniciativas deste teor», refere. «Por exemplo, já fizemos uma edição extra e especial a um domingo, quando demos as boas vindas à Primavera, com um trajeto que englobou o urbano e o rural, de 12 kms.»

Apesar do notório sucesso do GCC, curiosamente Mauro Fernandes não considera Guimarães uma cidade de corredores.

«Nem sabemos bem o que isso é, mas podemos dizer que Guimarães é uma cidade que ganha agora um novo hábito saudável, a corrida sem compromisso formal ou institucional. Os vimaranenses têm características muito próprias: amamos incondicionalmente a nossa cidade, a nossa cultura e a nossa história. Partindo destes princípios, amamos todos aqueles que comungam estes valores connosco, sejam de onde forem.»

Ou seja, dificilmente teremos uma prova organizada pelo GCC. «A organização do Guimarães Corre Corre é constituída por praticantes e organizadores de provas, pelo que essa questão não se coloca», conclui Mauro Fernandes.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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