Especialistas questionam presença da Maratona de Chicago na World Marathon Majors

 

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O tempo menos positivo do queniano Abel Kirui na Maratona de Chicago (2h11m23) causou furor nas redes sociais e nos blogs e sites especializados do Mundo Running, que questionam o lugar da prova na World Marathon Majors, entidade que reúne as seis principais maratonas do Mundo (além de Chicago, Londres, Nova Iorque, Berlim, Tóquio e Boston).

 

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Pelo segundo ano consecutivo, os tempos de Chicago não convencem, principalmente no masculino (Florence Kiplagat venceu a prova feminina, com 2h21m32). Apesar do percurso muito rápido, palco inclusive de quatro recordes mundiais, a verdade é que o tempo de Abel Kirui, bicampeão do Mundo e que tem como recorde pessoal 2h06min51, foi uma autêntica desilusão para os amantes da modalidade, como aliás aconteceu no ano passado.

Para termos uma ideia do “desastre” do tempo de Kirui, foi o registo mais alto deste século e o pior das últimas duas décadas (em 1993 tivemos 2h13m15)…

Em termos estratégicos, o pelotão da frente cruzou os 10 km com mais de 32 minutos (!!!) e a Meia com 1h06m50, após terem protagonizado incompreensíveis “fartleks” entre eles, com ataques e recuos que acabaram por marcar o resto da prova. Entre a milha 18 e 20, o pelotão masculino conseguiu apresentar um ritmo mais lento que o feminino, algo raríssimo de vermos em grandes competições. O que salvou a honra da prova foi o seu final, com o duelo entre Kirui e o compatriota Dickson Chumba (vitória para o primeiro por três segundos).

Segundo os sites especializados, o grande problema de Chicago nos últimos dois anos é não contar com as “lebres”, corredores contratados para ditar o ritmo da prova.

Por exemplo, na recente Maratona de Eindhoven, na Holanda, uma das mais rápidas da Europa e que foi realizada no último domingo, o vencedor terminou com o tempo de 2h06m26. Curiosamente, foi precisamente a lebre, o queniano Festus Talam, quem acabou por ganhar, já que nenhum atleta inscrito conseguiu acompanhar o seu ritmo.

A verdade é que, ao estar integrada na World Marathon Majors, a Maratona de Chicago tem a obrigatoriedade de apresentar resultados mais dignificantes com o seu estatuto, exige a opinião pública e as redes sociais, obrigando os organizadores da competição a reavaliarem a estratégia, principalmente devido aos altos patrocínios que envolvem corridas deste calibre.

Maus tempos é sinónimo de dinheiro a dispersar para outras andanças…

Vencedores e tempo da Maratona de Chicago desde 2000 (masculino)

2000: Khalid Khannouchi (Estados Unidos), 2h07m01
2001: Ben Kimondiu (Quénia), 2h08m52
2002: Khalid Khannouchi (Estados Unidos), 2h05m56
2003: Evans Rutto      (Quénia), 2h05m50
2004: Evans Rutto (Quénia), 2h06m16
2005: Felix Limo (Quénia), 2h07m02
2006: Robert Cheruiyot (Quénia), 2h07m35
2007: Patrick Ivuti (Quénia), 2h11m11
2008: Evans Cheruiyot (Quénia), 2h06m25
2009: Samuel Wanjiru (Quénia), 2h05m41
2010: Samuel Wanjiru (Quénia), 2h06m23
2011: Moses Mosop (Quénia), 2h05m37
2012: Tsegaye Kebede (Etiópia), 2h04m38
2013: Dennis Kimetto (Quénia), 2h03m45
2014: Eliud Kipchoge (Quénia), 2h04m11
2015: Dickson Chumba (Quénia), 2h09m25
2016: Abel Kirui (Quénia), 2h11m23

Recordes do Mundo

MASCULINO
1984: Steve Jones (Grã-Bretanha), 2h08m05
1999: Khalid Khannouchi (Marrocos), 2h05m42

FEMININO
2001: Ben Kimondiu (Quénia), 2h08m52
2002: Khalid Khannouchi (Estados Unidos), 2h05m56

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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