Correr pela luta contra o desperdício alimentar na produção em Portugal

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A Oikos Desafio 100 não é apenas uma prova desportiva, já que apresenta um cunho solidário, que, de uma perspetiva humana, acaba por ser o fator mais importante da sua existência. Este ano, na sua segunda edição, os fundos angariados com o evento reverterão para a luta contra o desperdício alimentar na produção em Portugal. As inscrições para correr 100 km em dois dias (18 e 19 de Abril) entre a Lourinhã e Lisboa terminam precisamente esta sexta-feira, dia 10 de abril. Oportunidade de ouro para correr com a mítica Rosa Mota.

 

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Depois do êxito alcançado no ano passado, a Oikos Desafio 100 está de regresso. Como aconteceu em 2014, mais uma vez a prova acolhe a simpatia de várias figuras públicas, que fazem questão de mostrar o seu apoio a um evento que transcende a pura corrida. Exemplo disso é Rosa Mota, Nélson Évora e Carlos Lopes, que cedem a sua imagem para o cartaz desta iniciativa sui generis. Aliás, a primeira vai inclusive correr os primeiros 12,5 km a partir da Lourinhã, no próximo dia 18.

O CORREDORES ANÓNIMOS entrevistou Marisa David, de 35 anos, coordenadora de comunicação da Oikos

Em primeiro lugar, o que é a Oikos?
A Oikos é uma associação sem fins lucrativos, reconhecida internacionalmente como Organização Não Governamental para o Desenvolvimento. Trabalhamos com as comunidades de regiões e países mais pobres e vulneráveis, independentemente da sua origem étnica, língua, religião ou geografia. O nosso trabalho passa pela Emergência ao Desenvolvimento, passando pela Educação, Mobilização Social e Influência Pública.

E o Oikos Desafio 100? Poderia falar um pouco da prova? Por exemplo, qual a sua filosofia?
O Oikos Desafio 100 é uma prova de 100 km repartida em dois dias – 18 e 19 de Abril de 2015 – desde a Lourinhã até ao Jamor (Estádio Nacional). Apesar de ser possível a participação individual (nos primeiros 12,5 km), este esforço deve ser feito, preferencialmente, em equipa e em regime de estafeta, que poderão ter quatro ou oito elementos, havendo diferentes possibilidades de participação. As equipas correrão 50 km cada dia.
Mas deve-se ressaltar que esta não é apenas uma prova desportiva, mas também solidária. Os fundos angariados revertem para a luta contra o desperdício alimentar na produção em Portugal. Para além disso, todos os participantes serão desafiados a realizar provas paralelas de cidadania e solidariedade que acontecerão até ao dia da corrida com o objectivo de angariar mais fundos para esta causa. Esta participação é facultativa e não tem impacto na corrida.

Porque decidiram apoiar em concreto a luta contra o desperdício alimentar em Portugal?
A Oikos trabalha há muitos anos na área de segurança e soberania alimentar e nutricional em países em desenvolvimento. Achámos que, no momento que se faz sentir em Portugal, fazia sentido voltarmo-nos para o nosso país e pensar de que forma a nossa experiência poderia trazer uma mais valia. Apesar de começarem a haver projetos muito válidos na área do desperdício alimentar no consumo, há uma lacuna no que respeita ao desperdício na produção, que é o que a Oikos pretende combater.

Esta é a segunda edição da Oikos Desafio 100. Como foi a primeira?
Para uma prova que foi totalmente inovadora no formato, devido aos quilómetros percorridos, pelo tipo de percurso e pelo convite feito aos participantes no envolvimento na angariação de fundos, achamos que correu muito bem. Atendendo ao facto de ser uma novidade para a Oikos, que se estreou na organização de um evento deste tipo, que envolve uma enorme logística e a coordenação com parceiros tão diversos como seis Câmaras Municipais e mais de 45 entidades públicas e privadas, consideramos que correu muito bem. Foram dois dias muito bem passados. Todas as equipas que participaram assim o disseram.

Mas como foi a prova? Número de participantes, curiosidades, etc.
No ano passado a prova contou com cerca de 120 participantes, nove equipas, 50 voluntários e algumas figuras públicas e bloguers que se juntaram a nós. Viveu-se um espírito muito positivo, com muita boa disposição, as equipas com uma energia fantástica. O percurso é muito distinto, cheio de trilhos pedestres, algumas zonas de acesso mais difícil mas com paisagens de cortar a respiração. Houve equipas com grande preparação física que correram quase em maior velocidade que os carros de apoio e outras que fizeram troços a andar, onde até tivemos um ilustre canino que fez 25 km com os seus donos!

Que conclusões retiraram da primeira edição, tanto desportivas mas, principalmente, a nível de participação solidária?
Concluímos que os portugueses não estão preparados para este tipo de desafio de angariarem dinheiro eles próprios para uma causa. Daí que, no ano passado, a angariação de 1000 € por equipa fosse este ano substituída por uma angariação de fundos livre, não obrigatória.

Porque preferem que a prova seja disputada por equipas?
Queremos que as estafetas sejam uma metáfora para a vida na sociedade. Queremos que cada membro da equipa (como membro da sociedade) sinta que o seu desempenho tem impacto no desempenho do outro. Contudo, quem quiser participar sozinho, deverá fazer o primeiro troço de 12,5 km, onde abrimos essa possibilidade. Mas damos alguma liberdade a que cada equipa se organize entre si na quantidade de quilómetros que cada elemento corre.

Porque 100 km em particular?
100 = “sem” limites = “sem” barreiras… Poderia ser uma das razões! Mas na verdade gostaríamos que fosse um percurso que começasse ou terminasse em Oeiras, por ser o Município onde a Oikos tem a sua sede, mas que se prolongasse por uma região que fosse simbólica de grande produção agro-alimentar. Nada como os grandes campos agrícolas da zona do Oeste.

 

Há no fundo duas provas em uma. Há um lado desportivo e outro de mobilização social. Como surgiu a ideia de juntar estes dois campos aparentemente opostos?
Gostaríamos de associar a questão da angariação de fundos para uma causa ao fator lúdico. Não tem que ser uma coisa aborrecida ou desinteressante… Achamos que a associação seria perfeita porque a prática desportiva está neste momento a mobilizar muitas pessoas. Então porque não canalizar essa energia em algo positivo? Assim consegue-se o melhor dos dois mundos: enquanto individualmente cada um beneficia da experiência da corrida, ao mesmo tempo contribuiu para um projeto em prol da sociedade portuguesa.

Como funciona os desafios que lançam às equipas até o dia da corrida?
Os participantes recebem dois tipos de desafios aos quais poderão aderir voluntariamente. Estes poderão ser de cidadania, com ações de cariz ativista como assinar uma petição, reencaminhar um email, divulgar a prova… Ou de solidariedade, como fazer uma compra na loja on-line da Oikos ou organizar um jantar solidário.

Quais os padrinhos da edição deste ano? Todos aceitaram de imediato o vosso convite?
Sim, felizmente a aceitação ao convite foi muito positiva e estamos muito contentes pela confiança depositada na Oikos. Temos como embaixadores três das maiores figuras do atletismo nacional: Rosa Mota, Carlos Lopes e Nelson Évora. Estamos a contar com todos para a partida, no dia 18, na Lourinhã. A Rosa Mota irá inclusive correr o primeiro troço de 12,5 km. Temos ainda alguns padrinhos de diversas áreas de que também nos orgulhamos por poder contar, como a jornalista Andreia Vale, a atleta paralímpica de natação Simone Fragoso, o comissário da PSP Paulo Ornelas Flor, o atleta paralímpico e ex-pugilista Jorge Pina, o humorista e apresentador Pedro Fernandes… A maioria vai correr a prova!

Estão contentes com o número de participantes até ao momento? Qual o número limite de inscrições?
Gostaríamos de pelo menos duplicar os participantes do ano passado. Acreditamos que a maioria das inscrições fica para a “última hora…”.

E a “última hora” é precisamente hoje. Para quem não tem tempo de organizar uma equipa e percorrer os 100 km em estafeta, a organização da Oikos Desafio 100 recorda que pode juntar-se a este desafio a título individual e percorrer o primeiro troço da prova de 12,5 km. Para isso basta ir ao site www.oikosdesafio100.pt e fazer a inscrição, que reverte a favor da construção de uma plataforma online que pretende juntar produtores e consumidores com o objetivo de reduzir o desperdício alimentar na produção e, desta forma, fomentar o crescimento da economia local.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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