Correr e já saber o que vamos alcançar

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«A Semana do VI Congresso Internacional de Corrida» continua, desta vez com quatro intervenções, uma delas estrangeira, a do escocês Billy Mitchell, que demonstrou como esta iniciativa revolucionou o desporto na Escócia. Referência ainda para Amândio Santos, que demonstrou que é possível saber em pormenor como será o rendimento de um atleta numa prova, e para o treino mental, com o mindful a ganhar cada vez mais relevo no mundo do desporto mundial.

 

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Um desafio ganho foi o Programa Nacional de Marcha e Corrida da Escócia, criado em 2002 e já com cerca de 35 mil corredores espalhados por todo o país, «a sua maioria mulheres e 60% acima dos 40 anos», referiu Billy Mitchell. «Só em 2015 tivemos mais 3628 inscritos.» Segundo o grande dinamizador desta iniciativa nas ilhas britânicas, uma das principais curiosidades a reter neste projeto refere-se aos voluntários. «Neste momento temos cerca de 3024 voluntários, que nos auxiliam a colocar em prática este programa. Muitos criaram inclusive centros nas suas regiões e são responsáveis pelos mesmos. Outra curiosidade é verificarmos que já foram criados 504 grupos de corrida em decorrência do nosso programa.»

Responsável pelo treino de alguns dos principais nomes do atletismo mundial, o convidado a intervir após a visão escocesa da corrida foi Amândio Santos, que fez questão de valorizar e felicitar os atletas que alcançam grandes resultados sem terem a avaliação fisiológica do treino como base dos treinos. «A composição corporal afeta o desempenho desportivo. É importante conhecer os valores que o nosso corpo transmite, principalmente o VO2máx., mas também outros valores que, muitas vezes são desprezados. A análise sanguínea, o limiar anaeróbico, o IgA salivar, etc. A verdade é que já há uma série de valores disponíveis que podem ser controlados mas muitas vezes não utilizamos aquilo que temos ao nosso dispor.» Durante a sua apresentação, Amândio Santos revelou, por exemplo, que os recentes resultados de Sara Moreira não causaram surpresa, já que tudo estava estipulado ao mínimo detalhe. «Por vezes o problema é o atleta não assumir o plano programado», referiu. Com a avaliação fisiológica do treino é possível assim saber qual o tempo que alcançaremos numa maratona, como iremos reagir ao longo dos 42195 metros, algo que o especialista demonstrou através de um gráfico com o desempenho de Sara Moreira na Maratona de Nova Iorque, que mostrou que a atleta a cumprir ao pormenor o plano traçado pela sua equipa. «Se, numa corrida, uma atleta passar por nós, por vezes é melhor deixá-la ir, já que, se acompanharmos, se abandonarmos a nossa estratégia de prova, provavelmente não iremos terminá-la…»

As duas intervenções seguintes foram focadas na mentalização. Enquanto João Lameiras fez uma apresentação sobre a importância da psicologia no treino, Bruno Carraça abordou um tema que está em voga no desporto social, mas também na sociedade em si: o mindful. Segundo o interveniente, esta nova corrente da psicologia não procura evitar o pensamento/problema, «mas viver com ele no aqui e no agora. Temos uma espécie de conflito entre o Ser-Fazer. O mindful promove o Ser, que é o presente, enquanto o Fazer é o futuro. Temos de viver no momento presente». Esta nova corrente foi utilizada no meio desportivo, por exemplo, em 1984, com a seleção de basquetebol dos Estados Unidos. E hoje é utilizada por inúmeras equipas, sendo alvo de estudos cada vez mais aprofundados. «É neste preciso momento que fazemos a diferença», continuou Bruno Carraça. «Ao pensarmos assim, estamos a ser conscientes do nosso presente, conseguimos controlar os nossos pensamentos. Eliminar os pensamentos negativos não é a solução para o mindful.» No final da sua intervenção, o orador fez um exercício de um minuto com a assistência, um exercício que teve como objetivo demonstrar que, em apenas 60 segundos, «podemos alterar por completo a nossa perceção. O mindful aumenta a nossa capacidade no “Estado Flow”, quando estamos centrados no que estamos a fazer e não nos importa nada ao nosso redor. Não é o pensamento que importa, mas a forma como me relaciono com ele.»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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