Carlos Lopes: «Temos valores, mas a verdade é que há pouca paciência»

No lançamento da nova Liga Running, um dos presentes que fez questão de apoiar o evento foi o eterno Carlos Lopes, que não escondeu a sua satisfação pela «feliz ideia» desta iniciativa, embora tenha dúvidas de que a mesma tenha consequências para a Alta Competição.

 

«Não sei se esta iniciativa será muito benéfica para a Alta Competição», admitiu Carlos Lopes sobre a nova Liga Running. «Mas estou cá para ver e apreciar esta nova fórmula. A ideia é feliz e é fundamental para despertar o interesse de todos. Da família e dos jovens, ainda mais quando percorre todo o país

Para Lopes, o calendário da Liga Running, poderá ter  como consequência a descoberta do «Portugal desconhecido».

«Espero que, com esta programação, haja pessoas do Norte a visitar o Sul e vice-versa. Isso realmente é importante! Há coisas tão bonitas no nosso país… É definitivamente uma ideia feliz

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Mas Carlos Lopes colocou em dúvida se a realização da Liga Running trará novos atletas para a Alta Competição, «onde há poucos atletas no masculino mas também no feminino, onde também não há muito mais».

«Não haver uma programação de Alto Rendimento faz com que estejamos realmente preocupados com o futuro. A cada ano que passa estamos cada vez mais afastados dos grandes momentos, dos momentos de glória.»

Ou seja, a eterna fórmula quantidade traz qualidade não é uma fórmula matemática para Carlos Lopes. O campeão olímpico salienta no entanto que o Atletismo está preparado para receber os mais preparados.

«Se houver qualidade, estamos todos prontos para receber estes jovens, estes novos atletas. O Atletismo precisa desta energia e capacidade, de novas ideias e novos conceitos.»

Carlos Lopes defendeu aliás que Portugal apresenta, neste momento, e em termos de valores jovens, bons valores.

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«Mas temos de ter paciência, de programar e entender este processo de uma forma mais eficaz, inclusive mais lúdica na fase inicial. Temos valores, mas a verdade é que há pouca paciência. E, no Atletismo, é um pouco complicado não ter paciência. Mas claro que este é um tema que merece reflexão e ponderação

Reflexão e ponderação que não merece a junção do asfalto com o Trail na Liga Running.

«Não me ofende nada. Todos nós temos um pouco de loucura, todos! Eu fui para a Maratona e muitos disseram que eu era louco. Quando comecei nos cinco e nos dez mil metros ninguém acreditava nas minhas capacidades. A verdade é que, com um pouco de loucura, coragem e persistência, as coisas acontecem.»

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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