Brasileiro Marialdo Rodrigues e a Badwater 135: «Corri com roupa de borracha para simular o calor que encontrarei no deserto»

marialdo

O sonho comanda a vida e o sonho de participar na Badwater 135 (217 km, com desnível positivo de 3962m e 1433m de desnível negativo) comandou durante muitos anos a vida de Marialdo Rodrigues, de 51 anos, professor de Educação Física, especializado em Treino de Corrida e Fisiologia do Exercício. Neste fim-de-semana, o brasileiro vai finalmente conhecer a realidade de uma das provas mais difíceis do mundo, que já teve uma vitória brasileira (Valmir Nunes, em 2007, que detém o recorde da prova, com 22h51m29) e uma portuguesa (Carlos Sá, em 2013, com 24h38m16). Este fim-de-semana, os Estados Unidos param para acompanhar estes atletas, assim como os que correrão a emblemática Western States 100 (leia aqui sobre a prova de Ultra-trail mais velha do mundo).

 

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«Sempre sonhei fazer a Badwater 135, que a acompanho através dos media há muito tempo. Na verdade, este é um projeto de muitos anos. Após a BR 281, requisitei a minha participação e enviei o meu currículo. Surpreendentemente, fui selecionado. Evidentemente que fiquei muito feliz», refere Marialdo Rodrigues, a poucas horas de deixar de sonhar com a prova para conhecer a realidade de estar na linha de partida, localizada na Badwater Basin, na Califórnia, a 86 metros abaixo do nível do mar, na região do Vale da Morte. Depois de 217 km, a meta estará localizada a 2548 m de altura, no Whitney Portal.

O calor! A temperatura define muito do êxito ou não da prova, já que, por vezes, chega aos 49 ou mais graus (a região detém o registo mais quente da Terra, 56,7º C, no dia 10 de julho de 1913). Por isso, é necessário uma gestão e uma hidratação bastante especial durante a corrida. Por estar acostumado a correr provas de longa distância, Marialdo Rodrigues credita que será precisamente o calor o seu maior adversário.

«Acredito que será uma prova diferente, principalmente devido ao forte calor, algo que não estou habituado. Mas pretendo terminar a Badwater abaixo de 40 horas.»

Em relação aos treinos, o brasileiro centrou a sua atenção no aumento de volume, no aumento progressivo de quilómetros.

«Fiz também algumas provas longas como preparação. Por exemplo, corri uma ultramaratona de 12 horas e participei do recente Ironman Brasil. Como moro numa região muito fria e no Brasil é Inverno, com temperaturas a rondar os 5 graus, corri na esteira/passadeira, mas também na rua, mas com roupa de borracha. O intuito foi simular o calor que encontrarei no deserto.»

Marialdo Rodrigues acredita que será fundamental durante a prova ter «tranquilidade e pensamento positivo». O brasileiro espera manter ainda um ritmo de 6 min/km, «o máximo de tempo que conseguir».

E o que faz uma pessoa correr durante, em teoria, 40 horas?

«O que me atrai neste tipo de provas é a brincadeira que tenho de fazer com o meu cérebro, já que a relação com o meu físico acaba logo nos primeiros 20 km. O restante da prova é um jogo mental, onde quase sempre eu ganho, independentemente do resultado final.»

E é precisamente esse jogo mental que Marialdo Rodrigues traz para a sua vida diária. «Sempre podemos ir um pouco mais longe do que nós acreditamos. Sempre é possível ir além. Tanto na corrida como no dia-a-dia.»

Na Badwater 135 haverá mais dois brasileiros. No entanto, os três só se conhecem através das redes sociais e, por isso, não haverá uma estratégia comum entre o trio. No fundo, cada um correrá de acordo com os seus treinos e convicções. Marialdo Rodrigues revela ainda que, por ter acompanhado a prova ao longo dos anos, tem conhecimento do triunfo de Carlos Sá em 2013, «a quem conheço apenas pelo nome».

«Apesar de admirar o Carlos Sá, a nossa referência é o brasileiro Valmir Nunes, que detém o recorde da corrida. Mas era interessante a língua portuguesa subir novamente ao pódio.»

Nem nos seus melhores sonos Marialdo Rodrigues conseguiu ou consegue sonhar com os primeiros três lugares da prova, mas todavia vai viver em breve um dos seus sonhos de sempre. E a verdade é que também são poucos os que conseguem concretizar os seus sonhos mais apetecidos. O brasileiro conseguiu…

PARTICIPANTES POR PAÍSES NA BATWATER 135

No total, teremos 28 mulheres e 72 homens na linha de partida. Destes, 59 já participaram na prova.
Alemanha (1 participante) Argentina (1), Austrália (3), Brasil (3), Canadá (3), Colômbia (1), Espanha (2), Estados Unidos (63), Filipinas (1), França (1), Guatemala (1), Holanda (1), Irlanda (1), Japão (4), Jordânia (1), México (2), Nova Zelândia (1), Polónia (1), Reino Unido (5), República Checa (1), Sérvia (1), Singapura (1) e Suécia (1)

 

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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