As mulheres olham cada vez mais para o escalão dos “mariquinhas” homens

A corrida deixou há muito de ser um desporto só de homens, tendência também verificada no Trail. Há tempos, na crónica semanal que manteve connosco, Luís Sommer Ribeiro abordou a beleza, a sensibilidade e a sensualidade que as mulheres «emprestam» ao desporto, realçando principalmente o caráter competitivo do “Sexo Frágil”, capaz cada vez mais de competir com a categoria masculina.

 

Segundo o classicista Peter Walcot, «sempre que as Amazonas eram situadas geograficamente pelos gregos, fosse em algum ponto do mar Negro, no distante a nordeste ou na Líbia, no mais longínquo sul, eles sempre as colocavam além dos confins do mundo civilizado. As Amazonas existiam fora do alcance da experiência humana normal»

O mesmo se passa no mundo do trail nacional.

Eu podia referir, e não estaria a mentir, como as mulheres emprestam ao trail a beleza, a sensibilidade e a sensualidade, algo que, notoriamente, falta aos brutos que por lá andam. Mas iria sempre pecar por ser paternalista e não dar o verdadeiro valor que acredito que as senhoras têm.

Eu sei que nos homens ando cá para trás, enquanto conheço mulheres que andam lá à frente. Mas posso garantir: competição na corrida de montanha é muito, mas muito forte no feminino.

Eu vejo como elas treinam. E como elas competem. Oiço-as a falar umas das outras, com respeito, mas com vontade de se superarem.

É uma competição feroz e incrível. As nossas guerreiras atiraram-se aos desafios que fazem tremer a maior parte dos homens que conheço e brilhar as mulheres que lá vejo.

Por isso nunca estranho, ou duvido, quando uma mulher me diz que vai a qualquer prova ou desafio, mesmo aquela que eu lhe diria para se preparar melhor, se fosse homem.

Sexo frágil?

A ultra distância é a competição certa para ser feita no feminino. A provar isto, este ano já houve uma Senhora a ganhar uma das etapas do Ultra-Man! É que, à medida que as distâncias aumentam, a força muscular faz cada vez menos diferença, passando a ser cada vez mais uma questão de resistência às dificuldades.

Ora, nesse capítulo, os meus companheiros masculinos que me perdoem, mas nós somos uns mariquinhas…

Não conheço uma mulher que não tenha o dobro ou triplo da capacidade de encaixe do mais corajoso e duro dos homens. E isto vê-se no trail.

As senhoras do trail fazem parecer fáceis aqueles monstros que enfrentamos e tentamos derrotar. Qualquer um de nós, na montanha, já foi levado para “além dos confins do mundo civilizado”, diria mesmo para “fora do alcance da experiência humana normal”. E, quando lá chegámos, quase todos fomos ultrapassados por uma mulher que passa a correr como quem não pisa o chão.

E tudo isto sem se perder a feminidade. É, de facto, incrível!

Para mim é  impossível não vibrar com a competição feminina. Saber que lá à frente elas lutam que nem homens, que estão num patamar tão forte que olham cada vez mais para a classificação geral e menos para “o escalão”. E fazem-no sendo meninas! Fazem-no vestidas com saias e com roupa a condizer, com os cabelos arranjados, fazem-no com a classe que esbanjam pela montanha fora.

Por isso, sim, são elas quem emprestam a beleza aos trilhos. São elas que se riem nos abastecimentos e nos dão força para continuar. São elas que nos fazem ir mais longe, nem que seja para não assumirmos a derrota à frente de uma menina.

Acho que é forte quem se faz forte (tal como o Forrest Gump nos ensinou sobre os estúpidos). E e o que vejo na corrida de montanha são mulheres de força. Verdadeiras guerreiras, verdadeiras Amazonas.

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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