Amândio Antunes e a vitória no Peneda-Gerês Trail Adventure: «Não sabia como o meu corpo reagiria a tantos quilómetros»

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Amândio Antunes foi o grande vencedor do Peneda-Gerês Trail Adventure, «um sonho alcançado depois de alguns meses de trabalho». No total, 280 km (16000 D+) em oito etapas, com um tempo final de 28h00m21. «Nunca me passou pela cabeça triunfar», confessou ao CORREDORES ANÓNIMOS.

 

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A vitória de Amândio Antunes apanhou o próprio de surpresa, mas também a muitos “especialistas” do meio, já que o vencedor do Peneda-Gerês Trail Adventure não era um dos favoritos no início da primeira etapa, ainda mais quando só tem um ano e meio de experiência no trail.

 

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«Não sabia como o meu corpo reagiria a tantos quilómetros. O meu objetivo era participar e conviver com atletas de todo o mundo, mas, a partir da vitória na primeira etapa, o objetivo principal mudou. Senti que poderia realmente vencer quando comecei a verificar que estava ao nível dos restantes atletas. E estive mais confortável quando alcancei alguns minutos de vantagem sobre o segundo, facto que aconteceu após concluir a sexta etapa», confessou.

Dois dias depois do triunfo, evidentemente que Amândio Antunes ainda “saboreia” o gosto da vitória no Gerês, mas a verdade é que, na sua memória, não está o final da oitava e última etapa, «mas uma grande saudade de tudo. Na realidade, a vitória foi muito pouco comparado a tudo aquilo que a semana me proporcionou», como a passagem por pequenas aldeias, «com pessoas muito simpáticas e com paisagens brutais». Mesmo as visitas temáticas são recordadas com carinho pelo vencedor, que não consegue nomear uma etapa como a mais complicada.

«Na minha opinião, não houve nenhuma etapa que se destacasse como a mais complicada, pois todas foram bastante exigentes e dentro do nível a que já estou habituado.»

 

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Amândio Antunes considera que o conceito do Peneda-Gerês Trail Adventure, uma prova por etapas, é totalmente diferente das provas de um dia, «pois o melhor que se leva é o convívio e a partilha de vivências com pessoas que têm em comum a paixão pelo Trail Running. Em Portugal ainda não está muito desenvolvido o espírito para encarar este tipo de provas, mas o Carlos Sá está a fazer um ótimo trabalho neste campo…»

Curiosamente, é de referir que Amândio Antunes já ganhou uma prova organizada por Carlos Sá, concretamente os 33 kms do Grande Trail da Serra D’Arga. Sobre vencer um evento organizado pelo principal nome da modalidade nacional, o ultra-maratonista demonstra a humildade dos campeões:

«A importância traduz-se na visibilidade que o nosso esforço acaba por ganhar, pois, de resto, a paixão não se torna maior, nem o sofrimento menor. Mas obviamente que o entusiasmo se torna acrescido.»

Questionado sobre os fatores do êxito do seu triunfo, Amândio Antunes destaca dois em concreto: estar em grande forma e o apoio de várias pessoas especiais, «sem dúvida o grande segredo da minha vitória». Uma vitória que, evidentemente, acabou por retirar lições para si, tanto a nível individual como desportivas.

«A principal é que nunca devemos subestimar as nossas capacidades. A verdade é que nunca pensei ser capaz de vencer esta grande prova e a realidade está à vista de todos. Foi uma grande lição que me enriqueceu bastante.»

 

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Outro factor que retirou desta experiência desportiva foi o convívio com os demais concorrentes. Apesar da competitividade, inerente a este tipo de provas quando estamos no pelotão da frente, o ultra-maratonista ficou surpreso com o companheirismo entre todos.

«Sinceramente, não temia nenhum atleta em particular, pois não os conhecia. Vi os seus nomes na lista de inscritos e o que impressionava era a quantidade de nacionalidades diferentes. Foi exatamente durante a corrida que apercebi-me dos mais fortes. É verdade que o primeiro contacto com todos foi algo estranho, mas, conforme nos fomos relacionando, verifique que eram pessoas espetaculares e, apesar da competitividade, que é, efetivamente, normal, mantivemos sempre uma relação muito próxima, mesmo de amizade. Estas relações são o melhor que levo deste evento.»

Sobre a prova em si, Amândio Antunes temia principalmente ficar lesionado, o que acabou por não acontecer. «Nem dores musculares tive, por incrível que possa parecer», salienta. «O momento menos bom da prova foi no decorrer da quarta etapa, em que terminei no segundo lugar com 11 minutos de desvantagem para o primeiro. Enganei-me no percurso e acabei por perder tempo. Com isto, a mente foi-se abaixo… Foi realmente muito difícil progredir nessa altura.»

Sobre a importância deste triunfo para a sua carreira, o português gostaria que a vitória acarretasse em mais patrocínios, «pois manter esta paixão acarreta muitas despesas. Se isso acontecesse, poderia ir mais além, talvez fazer outras provas no estrangeiro, por etapas ou não. Qualquer tipo de apoio, seja monetário, em material desportivo, em acompanhamento físico, etc., só pode enriquecer um atleta».

Enquanto os eventuais apoios não aparecem, Amândio Antunes apenas procura reviver tudo o que passou no Peneda-Gerês Trail Adventure, «uma prova que todos os amantes do Trail Running deveriam fazer». Ele já fez e, contra todas as probabilidades, acabou por vencer.

 

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As oito etapas do Peneda-Gerês Trail Adventure segundo Amândio Antunes

1.ª etapa: Arcos de Valdevez (34 km – 1000 m D+)
Foi uma etapa muito bem gerida, não tendo assumido a liderança logo de início e observando a capacidade dos meus adversários, pelo que a vitória acabou por acontecer
AMÂNDIO ANTUNES, 04:18:01
SALVADOR CALVO, 04:21:47
IVÁN BATOR, 04:29:49

2.ª etapa: Soajo – Peneda (42 km – 3000 m D+)
O ânimo estava em alta, mas tive de manter o ritmo elevado
SALVADOR CALVO, 04:16:12
AMÂNDIO ANTUNES, 04:17:19
MOISES LEON, 04:21:43

3.ª etapa: Peneda – Castro Laboreiro – Peneda (35 km – 1700 m D+)
Foi muito rápida, mas também exigente e com trilhos fantásticos
SALVADOR CALVO, 02:46:51
AMÂNDIO ANTUNES, 02:47:48
IVÁN BATOR, 02:51:04

4.ª etapa: Peneda – Gerês (42 km – 2500 m D+)
O percurso tinha três quilómetros a subir em asfalto. Um atleta chileno destacou-se, com todo o mérito, tendo terminado em segundo
MOISES LEON, 02:38:53
AMÂNDIO ANTUNES, 02:49:48
SALVADOR CALVO, 02:52:29

5.ª etapa: Gerês – Ermida – Gerês (17 km – 1000 m D+)
Etapa noturna, já no Gerês. Foi dotada de alguma pressão. Apesar de extremamente rigorosa, foi de rápida conclusão
AMÂNDIO ANTUNES, 01:15:12
MOISES LEON, 01:16:18
IVÁN BATOR, 01:17:23

6.ª etapa: Gerês – Sta. Isabel do Monte – Gerês (35 km – 2000 m D+)
Foi mais uma etapa rápida, em que tive a oportunidade de disparar e terminar destacadíssimo do segundo classificado da geral
AMÂNDIO ANTUNES, 03:43:14
MOISES LEON, 03:50:28
IVÁN BATOR, 04:13:31

7.ª etapa: Gerês – Serra Amarela – Gerês (60 km – 4500 m D+)
A etapa mais longa, o que permitiu gerir de uma forma mais confortável. Foi realizada em conjunto com o meu colega Moises Jimenez, do Chile, e terminámos juntos.
AMÂNDIO ANTUNES, 06:48:28
MOISES LEON, 06:48:29
IVÁN BATOR, 07:15:23

8.ª e última etapa: Gerês (15 km – 1000 m D+)
Apesar de já muito pouco poder ser alterado, demos todos o máximo e, assim, terminámos quatro companheiros em conjunto. Foi a minha consagração.
AMÂNDIO ANTUNES, 02:00:26
MOISES LEON, 02:00:26
IVÁN BATOR, 02:03:33

 

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TOP 10 do Peneda-Gerês Trail Adventure
AMÂNDIO ANTUNES, 28:00:21
MOISES LEON, 28:29:24
IVÁN BATOR, 29:41:07
STEVEN MILLER, 41:17:06
GERSON SILVEIRA, 41:53:31
BRENDA WILLIAMS, 47:21:11 (primeira classificada no feminino)
PEDRO LIZARDO, 48:34:54
WEE HIAN, 50:23:26
CELIA AZENHA, 52:30:06
GUSTAVO RODRIGUES, 52:49:02

Agradecimentos: MATHIAS NOVO (fotografias)

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Pedro Alves

Pedro Alves

O futebol sempre acompanhou a minha vida, assim como a natação e o voleibol. As tardes no Estádio do Maracanã, primeiro nas arquibancadas com o meu pai e depois com a “torcida” do Flamengo, são momentos que continuam a marcar as minhas recordações, principalmente a ver Zico a jogar. Em Portugal desde 1989, aos poucos o futebol e o voleibol perderam o seu espaço de prática, mas não de interesse (nesse aspeto o futebol é insubstituível, principalmente a seleção brasileira – como “doeu” os 1-7 da Alemanha… -, o Flamengo e o Barcelona). Se no Brasil a corrida era algo supérfluo, nos últimos anos acabou por ganhar a sua devida importância, primeiro como um hábito de saúde e bem-estar, depois como um desafio pessoal, concretamente terminar uma maratona, feito alcançado no Porto, em 2011. Com mais três no curriculum (duas em Lisboa e uma no Funchal), agora o objetivo é correr a primeira maratona internacional.

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